5 de May de 2026
Jesus Cena do Filma A paixão de Cristo (2004)
Jesus Cristo | Foto: Reprodução / Cena do Filma A paixão de Cristo (2004)
O escritor Clóvis Nunes apresentou diversos dados sobre a trajetória de Jesus que ele encontrou ao longo de 25 anos de pesquisa.
Jesus Cena do Filma A paixão de Cristo (2004)
Jesus Cristo | Foto: Reprodução / Cena do Filma A paixão de Cristo (2004)

Um bate-papo sobre o lançamento de um livro que tem como tema central a história de Jesus Cristo se tornou um dos assuntos mais comentados durante a edição desta terça-feira (5) do programa Acorda Cidade.

Na bancada, o escritor Clóvis Nunes apresentou diversos dados sobre a trajetória de Jesus que ele encontrou ao longo de 25 anos de pesquisa até escrever a obra que será lançada oficialmente na noite desta terça em um evento no Centro de Convenções de Feira de Santana.

Lançamento do livro jesus ressurecto
Foto: Divulgação

Mas, para além de apresentar supostos detalhes interessantes, como data da crucificação, horário da morte e até tipo sanguíneo de Jesus Cristo, o autor provocou a reação de alguns ouvintes e causou polêmica ao afirmar que Jesus “nunca disse que era o salvador da humanidade”, posição inversamente oposta aos que acreditam os seus seguidores, os cristãos.

Ao comentar a visão de um dos ouvintes que mandou uma mensagem de texto afirmando que “Jesus Cristo é o Salvador, sim, e tem um plano perfeito de Deus para salvar a humanidade”, Clóvis reforçou a própria tese.

Clóvis Nunes, escrito de Feira de Santana
Clóvis Nunes, escrito de Feira de Santana | Foto: Bárbara Cardoso / Acorda Cidade

“Ele pode até salvar, mas salvador ele nunca disse que era. Não saiu dos lábios de Jesus essa ideia de salvação. Jesus era o redentor da humanidade, mas a pessoa considera redenção como salvação. Ele é que não disse isso, não há nenhuma passagem dele dizendo que ele era salvador”, afirmou o autor.

Amplo debate

Antes do aprofundamento na polêmica, é importante reforçar que, em nenhuma das 242 páginas do “Jesus Ressurrecto”, obra escrita por Clóvis Nunes, o autor nega a existência de Jesus Cristo.

Até mesmo entre ciência e religião, campos que historicamente caminham em direções opostas, há um consenso sólido de que Jesus de Nazaré existiu e foi crucificado.

Cena do Filma A paixão de Cristo (2004)
Jesus Cristo crucificado | Foto: Reprodução / Cena do Filma A paixão de Cristo (2004)

Enquanto os cristãos, sejam católicos ou protestantes, utilizam a Bíblia Sagrada para apresentar Jesus com uma interpretação religiosa com base nos milagres, na própria ressurreição e na natureza divina do Salvador, a ciência limita-se a confirmar a existência, o contexto e a morte, mas sem tocar em fatores sobrenaturais, pois justamente fogem ao método científico.

“Há um estranho silêncio dos historiadores; eles não citam Jesus. Eles falam do movimento cristão, das catacumbas, das perseguições e até do destino dos apóstolos, mas não citam uma linha sobre Cristo. Ele foi um homem muito simples, e os historiadores clássicos se ocupavam em registrar coisas importantes do império, as grandes conquistas, mas os historiadores que vinham depois, por que não citaram Jesus?”, indagou Clóvis.

Quem é Jesus para o autor?

Pacificando esse ponto, o autor começou a explicar sua própria visão sobre a parte sobrenatural que envolve a história de Cristo, a qual ele traz no livro como sendo o “Jesus da Fé”, ponto em que passou a ficar evidente a divergência dele com a visão cristã.

Jesus Cristo crucificado
Imagem ilustrativa gerada com Inteligência Artificial por meio da ferramenta Gemini

No livro de Clóvis, a história de Jesus foi contada a partir de uma ótica espírita que afirma que o Cristo não pode ser adorado como Deus, mas, ainda assim, externa profundamente o respeito por ele ser considerado o maior exemplo de evolução espiritual e guia moral da humanidade.

“O Jesus da fé é aquele Jesus retratado pela crença religiosa, pela tradição cristã ou Jesus paulino. Ele nunca disse que era salvador, mas o pessoal diz que ele é o Salvador. Essa foi a tradução que foi feita para a personalidade de Jesus Cristo. O Jesus divino, que é uma encarnação de Deus, que também nunca disse que era Deus. O meu livro fala de história, de investigação científica, de paranormalidade e de espiritualidade”, declarou.

“Quando ele falou de Deus, ele disse: ‘o Pai que me enviou’ ou ‘Pai, em tuas mãos entrega o meu espírito’ E, quando o Senhor nos ensina a orar, ele disse: “Pai nosso que estás nos céus”. Ele não disse que ele era Deus; o outro é o Jesus histórico, como ele existiu na época em que ele foi ressurreto, como é que ele voltou? Como ele conviveu com os discípulos, como os discípulos viram Jesus Cristo. Está tudo aqui, está nesse livro”, complementou.

Mais reações

As declarações de Clóvis continuaram rendendo reações dos ouvintes, muitas delas alicerçadas na ideia de que Jesus se apresentou como salvador com base nos relatos mais antigos do Evangelho de Lucas e do Evangelho de João. Neles, o próprio Jesus afirma que veio “buscar e salvar o que estava perdido” (Lucas 19:10) e se coloca como o caminho para a vida.

Em outra mensagem enviada para o Acorda Cidade, um dos ouvintes afirmou que, apesar de Jesus nunca ter dito literalmente ser Deus, a ideia pode ser compreendida no contexto de forma indireta, com expressões no contexto religioso judaico como “Eu e o Pai somos um”(João 10:30) e “Antes que Abraão existisse, Eu Sou” (João 8:58), que remete à identidade divina revelada no Livro do Êxodo.

Bíblia
A Bíblia Sagrada | Foto: Reprodução / Freepik

Sobre o tema, Clóvis rebateu. “O verdadeiro evangelho não é o que está na Bíblia, é o evangelho que saiu dos lábios de Jesus. O que está na Bíblia é o que disseram que Jesus disse. Dos quatro evangelistas, Mateus, Marcos, Lucas e João, dois não conheceram Jesus, só João e Mateus conviveram com ele. O conhecimento de Jesus foi passado pela oralidade. Então, tudo que está ali é o que disseram que Jesus disse”, finalizou o escritor.

O único relato bíblico de Jesus escrevendo ocorre no livro de João 8:1-11, quando o Salvador é confrontado por fariseus sobre uma mulher adúltera. O texto não especifica o que Ele escreveu na areia (terra), o que gerou diversas interpretações teológicas e populares, a grande parte delas focadas em perdão e na rejeição ao julgamento hipócrita.

O lançamento

O livro de Clóvis Nunes será lançado nesta terça-feira (5) em um evento no auditório do Centro de Convenções de Feira de Santana. Para além da parte polêmica, o livro aborda o impacto das aparições de Jesus após a morte. A entrada para evento é franca, os livros estão abertos à livre contribuição financeira, sem valor fixo, e todos os recursos arrecadados serão doados a uma instituição de caridade.

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