

Nesta quinta-feira (7), a Câmara Municipal de Feira de Santana realizou uma audiência pública para discutir o fim da escala 6×1. De acordo com o professor Rosevaldo Ferreira, a adoção de uma jornada de trabalho com mais dias de folga deve movimentar a economia de maneira positiva.
O professor falou sobre a importância desse tema ser discutido, para esclarecer dúvidas e desinformações que são compartilhadas. Além da movimentação na economia, ele afirmou que essa mudança terá impactos positivos na vida dos trabalhadores.
“Feira de Santana é uma cidade que não tem um setor estruturado de lazer. As pessoas vivem reclamando. Não tem o que fazer para se divertir. Por que não tem? Uma pessoa trabalhar numa escala de seis dias, folga um dia, ela vai descansar para o outro dia trabalhar, então ela não saí para fazer lazer. Se ela tem um dia a mais para isso, vai pegar o filho, vai num parque, vai num cinema. Isso vai desenvolver a economia de lazer”.
Rosevaldo Ferreira espera que a escala 6×1 seja derrubada logo, pois “se trata de vidas humanas”. Ele explicou que apenas um dia de folga não é suficiente para que, por exemplo, uma mãe realmente cuide de seus filhos e tenha contato com a família.

“Com um dia a mais ela vai poder fazer isso, passar um dia com os filhos. Essa pessoa que fica um dia a mais em casa vai poder se qualificar. E ninguém está dizendo que não vai trabalhar. Essa empresa pode utilizar esse dia para dar treinamento e qualificar mão de obra. O que não pode, nesse Brasil, é 70% da população viver com até dois salários mínimos. Isso é horrível”.
Crescimento da empregabilidade
O professor também destacou, ao Acorda Cidade, que a empregabilidade é algo que deve crescer, e não diminuir, como muitos acreditam.
Isso é uma falácia para lucrar. Eu diria uma desinformação, porque se ele contrata uma pessoa a mais, 10 lojas vizinhas a ele, que não são do setor dele, vão contratar também 10, esses 10 que vão estar contratados vão comprar na loja dele e onde se fez essa mudança de escala, a economia cresceu, o comércio vendeu mais. As empresas vão contratar. Quem contrata vai receber salário, salário que vai comprar na sua loja, que você contratou um. Ao comprar mais, você vai vender mais. Ao vender mais, você vai comprar mais mercadoria, revender e a economia cresce”.
Quanto às categorias que podem passar por alterações, o professor citou os setores como de call centers, setor financeiro e o comércio, como é o caso dos shoppings.

“A gente está injetando dinheiro na economia”
Perguntado sobre aumento dos custos para as empresas, Rosevaldo Ferreira disse que é algo que pode acontecer no início, mas deve ser equilibrado ao longo do tempo, por conta da circulação do dinheiro que acontece com novas contratações.
O professor também chamou atenção para a história do Brasil, na qual esse mesmo discurso de “quebrar a economia” foi utilizado na luta contra o fim da escravidão e pela adoção do décimo terceiro salário. Por fim, Rosevaldo Ferreira lembrou que a decisão está nas mãos do Congresso. Portanto, ainda não há uma previsão para o fim da escala 6×1.
“A gente vai voltar à década de 1800, no século XIX, em que libertar os escravos era quebrar a economia? Isso provou que não é verdade. A gente vai voltar à época de discussão da implantação do 13º, que se dizia que ia quebrar a economia? Hoje o 13º é um respiro no comércio, no final de ano. Alguém vai duvidar disso hoje? Mas na época todo mundo dizia que não. A gente está injetando dinheiro na economia, é simples”.
Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade
Siga o Acorda Cidade no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Participe também dos nossos canais no WhatsApp e YouTube e grupo de Telegram.
