

O descarte inadequado do coco verde, um dos principais desafios ambientais de Feira de Santana, foi transformado em tema central de inovação, sustentabilidade e empreendedorismo durante mais uma edição do Grand Prix – Unidade Curricular Criatividade e Ideação, promovido pelo Senai Feira de Santana.
A ação aconteceu no dia 7 de maio de 2026 e reuniu estudantes do primeiro semestre do curso de Biotecnologia, representantes do poder público, iniciativa privada e ecossistema de inovação local em torno da construção de soluções sustentáveis para o reaproveitamento da fibra do coco.

A atividade surgiu a partir da articulação da agente local de inovação do Sebrae, Andreizza Vanin, que promoveu a conexão entre o Senai e a Secretaria de Serviços Públicos do município (Sesp), trazendo para dentro da sala de aula um problema real enfrentado pela cidade.
Durante cinco semanas, três equipes (formadas exclusivamente por mulheres) desenvolveram projetos voltados à reutilização do resíduo do coco, criando propostas inovadoras com potencial de aplicação futura em diferentes setores da economia.

Participaram da banca avaliadora Andreizza Vanin; Leoncio Neto, diretor de coleta seletiva da Secretaria de Serviços Públicos; Roberto Carrion, professor e coordenador de cursos do SENAI; além de Mariluce Carvalho e Priscilla Pirajá, representantes das empresas Necttare e Briquettare.

As empresas atuam diretamente com reaproveitamento do coco em Feira de Santana. A Necttare trabalha com beneficiamento do coco verde, enquanto a Briquettare desenvolve briquetes ecológicos produzidos a partir do reaproveitamento da casca do coco, uma tecnologia considerada exclusiva no Brasil, transformando um resíduo que levaria até 20 anos para se decompor na natureza em fonte de geração de energia.
Segundo Leoncio Neto, a criação do setor de coleta seletiva no município é recente e nasceu justamente da necessidade de reduzir o impacto ambiental causado pelo descarte incorreto de resíduos sólidos no aterro sanitário.
“Grande parte dos resíduos descartados hoje reduz significativamente a vida útil do aterro. Precisamos pensar em soluções sustentáveis e economicamente viáveis para esses materiais”, destacou.
As equipes apresentaram soluções voltadas às áreas de cosméticos sustentáveis, embalagens biodegradáveis e construção civil ecológica.
Uma das propostas trouxe o desenvolvimento de esponjas biodegradáveis inteligentes produzidas a partir da fibra do coco, com aplicação de corantes naturais capazes de indicar visualmente o momento ideal para substituição do produto. A equipe também apresentou possibilidades de utilização da fibra em cosméticos sustentáveis, como buchas vegetais e cremes esfoliantes naturais.
Outro grupo desenvolveu a proposta de embalagens biodegradáveis produzidas com fibra de coco, buscando substituir materiais plásticos convencionais. Entre os diferenciais apresentados estavam resistência, ausência de microplásticos e potencial de transformação em adubo após o descarte.
Já a terceira equipe propôs a criação de telhas sustentáveis utilizando fibra de coco associada a materiais recicláveis e naturais, buscando oferecer conforto térmico e redução de impacto ambiental na construção civil.
Durante as apresentações, os estudantes foram provocados pela banca a refletirem sobre questões técnicas, custos de produção, biodegradação, segurança, resistência dos materiais, escalabilidade e viabilidade comercial das soluções.
Para Roberto Carrion, o Grand Prix fortalece o papel da educação aplicada e da inovação prática dentro da formação técnica.
“O objetivo é justamente estimular os alunos a desenvolver soluções reais para problemas reais da sociedade, conectando conhecimento técnico, criatividade e impacto social”, afirmou.
Mariluce Carvalho destacou o potencial do reaproveitamento da fibra do coco e incentivou as estudantes a aprofundarem as pesquisas técnicas nas próximas etapas do projeto.
As propostas apresentadas ainda se encontram na fase de ideação, mas continuarão sendo desenvolvidas ao longo da graduação. No quarto semestre, as equipes deverão apresentar protótipos funcionais das soluções criadas.
“Com essa ação conseguimos enxergar claramente as três hélices do ecossistema funcionando juntas: instituição de ensino, poder público e iniciativa privada buscando soluções inovadoras para desafios da cidade”, ressaltou Andreizza Vanin.
Ao final das apresentações, as equipes foram ovacionadas pelos participantes da banca, que destacaram a criatividade, o protagonismo feminino e o potencial transformador das soluções desenvolvidas pelas estudantes.
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