

A realização de uma operação integrada entre Polícia Civil e Ministério Público e o fortalecimento da cooperação para a alienação de bens apreendidos de organizações criminosas estão entre os principais encaminhamentos do primeiro encontro das Redes Nacionais de Enfrentamento às Organizações Criminosas (Renorcrim) e de Recuperação de Ativos (Recupera), encerrado nesta sexta-feira (15), em Salvador. As medidas foram definidas ao longo dos quatro dias de palestras, rodas de conversa e debates voltados ao fortalecimento das estratégias de combate ao crime organizado e à recuperação de ativos no Brasil.
O evento reuniu representantes das forças de segurança pública e do sistema de Justiça de diversas regiões do país, com foco na integração institucional, no compartilhamento de boas práticas e no aprimoramento da cooperação policial para enfraquecer financeiramente as organizações criminosas. A aproximação entre as redes Renorcrim e Recupera foi apontada como um dos principais avanços do encontro, reforçando a estratégia de asfixia financeira das organizações criminosas e o retorno de ativos ao Estado.

Encaminhamentos e cooperação nacional
De acordo com o coordenador-geral de Combate ao Crime Organizado da Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi), da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) do Ministério da Justiça, Getúlio Monteiro, os encaminhamentos definidos durante o encontro também incluem a criação de grupos de trabalho para aprofundar temas relacionados à recuperação de ativos e ao fortalecimento das operações integradas.
“Estamos saindo de Salvador com a certeza de que estamos no caminho correto, reunindo referências técnicas de todo o país para construir, de forma coletiva, políticas públicas capazes de potencializar o enfrentamento ao crime organizado. Saímos daqui com encaminhamentos positivos, consolidando o que já foi construído e também com novos desafios e propostas que serão levadas para Brasília para execução em todo o Brasil”, afirmou.

Asfixia financeira das organizações criminosa
Entre as iniciativas discutidas está ainda a construção de um trabalho conjunto com a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) para apoiar os estados na alienação de bens apreendidos, além da apresentação de um modelo nacional de recuperação de ativos no Conselho Nacional dos Chefes de Polícia Civil, prevista para ocorrer em agosto. A proposta é que a metodologia construída durante o encontro seja replicada pelas polícias civis de todo o país.
Para Monteiro, um dos diferenciais das redes é permitir que profissionais que atuam diretamente no enfrentamento ao crime organizado participem da formulação das políticas públicas. “O grande diferencial dessas redes é dar voz a quem está na linha de frente. Delegados das unidades de combate ao crime organizado e de recuperação de ativos participam diretamente da construção das políticas públicas. Eles não apenas executam as ações, mas contribuem com informações e experiências para orientar as decisões estratégicas”, destacou.

Integração entre as redes
O gerente da Rede Recupera da Senasp, Eduardo Quadrotti, ressaltou que o encontro representou um marco na integração das instituições que atuam no enfrentamento ao crime organizado. “Hoje encerramos o maior evento da história do Ministério da Justiça, no qual reunimos a Rede Recupera e a Rede Renorcrim. É impressionante o avanço que tivemos nesses quatro dias, em que já percebemos a integração e a organização de ideias para atingir um objetivo comum, que é o combate efetivo às organizações criminosas”, afirmou.
Já o gerente da Rede Renorcrim da Senasp, Paulo Reyner, destacou que a articulação entre instituições que atuam na persecução penal fortalece as estratégias de enfrentamento ao crime organizado em todo o país. “A Rede Renorcrim reúne diversas unidades de enfrentamento ao crime organizado e atua de forma coordenada com o Ministério Público, o Poder Judiciário e a Polícia Federal. A aproximação entre a Renorcrim e a Rede Recupera permite fortalecer a estratégia de asfixia financeira das organizações criminosas e ampliar a cooperação entre as instituições”, explicou.
Para a delegada-geral adjunta, Márcia Pereira, o encontro também reforçou a importância da cooperação institucional para o avanço das políticas de segurança pública. “Encerramos esse encontro agradecendo ao Ministério da Justiça, à Senasp, ao Ministério Público, ao Poder Judiciário e aos delegados de polícia de todo o país que participaram das discussões. Saímos daqui com novas ideias e com a certeza de que estamos no caminho certo para continuar nesse embate e prestar um serviço cada vez melhor de segurança pública para a população baiana e para todo o país”, afirmou.
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