19 de May de 2026
Silhueta de um adulto e uma criança
Foto: Elza Fiuza/ Arquivo Agência Brasil
Segundo o vice-presidente do Conselho da Criança e do Adolescente, esses índices tem aumentado por conta do número de denúncias.
Silhueta de um adulto e uma criança
Foto: Elza Fiuza/ Arquivo Agência Brasil

O mês de maio é marcado pela campanha nacional do Maio Laranja, em combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes, e o 18 de maio é reconhecido como o Dia Nacional de Combate a esse crime. A data foi escolhida em homenagem a Araceli Crespo, de 8 anos, que foi sequestrada, violentada e morta em 18 de maio de 1973. 

De acordo com o vice-presidente do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente em Feira de Santana, Kaique Barreto, é extremamente importante denunciar esses casos, para que as crianças e adolescentes sejam acolhidos e a pessoa que comete esse crime possa ser penalizada. 

O Maio Laranja é um chamado de responsabilidade coletiva. Precisamos fortalecer a rede de proteção, incentivar as denúncias e principalmente ouvir e acolher nossas crianças e adolescentes. Cada caso representa uma vida marcada pela violência e o silêncio nunca pode ser a melhor opção. Então, no mês de maio, nós vamos realizar blitz aqui no município, vamos visitar casas noturnas, vamos visitar hotéis, postos de gasolinas e bares. Vamos ter também um dia de capacitação aqui no município para toda a rede de proteção e diversas outras ações que vão acontecer nos Cras e Creas, palestras e etc”. 

Sinais de que crianças ou adolescentes estejam sofrendo violência ou exploração sexual

Questionado sobre os sinais mais comuns que podem ser notados nas crianças e adolescentes vítimas de violência ou exploração sexual, o vice-presidente disse que mudança de comportamento é o principal sinal de que algo pode estar errado

A criança que muitas vezes vê o agressor em um determinado ato já fica retraída. E por quê? O agressor mexe com o psicológico da criança. Então é importante a gente perceber as atitudes, os atos da criança e não frequentar aquele mesmo ambiente com aquele agressor, não ir a determinado lugar com o agressor. Por quê? Aos familiares, pais, mães, tios, os casos aumentam no ambiente familiar, justamente é para guardar e proteger a criança. E ao invés disso, muitos dos casos acontecem a violência”. 

Além da família, os professores e outros profissionais das escolas também podem identificar esses casos por meio desses sinais, como queda no desempenho escolar, desmotivação, se tornar mais retraído, não participar de momentos de integração e convívio social, entre outros. 

“Nós temos um fluxo na escuta especializada, estamos fazendo justamente uma capacitação com toda a rede, a gente anda em capacitação contínua com a rede, justamente explicando os sinais”. 

Kaique Barreto
Kaique Barreto | Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

Saiba onde denunciar

As denúncias podem ser feitas por meio do Disque 100, que é o principal canal e funciona de forma gratuita e anônima, bem como pelos conselhos tutelares. Em Feira de Santana, os conselhos, que são cinco, ficam em uma sede unificada localizada na Rua Georgina Erisman. Além disso, também é possível procurar apoio nos Cras e Creas do município.

Violência sexual x exploração sexual

Sobre a diferença entre violência e exploração sexual, Kaique Barreto explicou que a exploração é quando se usa a criança ou adolescente para trazer algum fundo ou recursos para o agressor. Enquanto que a violência sexual mexe com o psicológico da vítima.

“Violência sexual, justamente você vai trabalhar com o psicológico daquela criança e exploração sexual usa justamente para trazer algum fundo, ou seja, recurso. Você usa a criança para trazer recursos para aquele agressor. Já a violência não. Violência além de mexer no psicológico da criança você também tem um ato justamente de praticar um crime que é a violência sexual de criança e adolescente”.

Ainda sobre exploração sexual, ele destacou que esse tipo de crime é recorrente em cidades grandes e que são entrepostos comerciais, como Feira de Santana, que tem várias vias e BRs cortando o município. 

Aumento de casos e punições

Segundo Kaique Barreto, os índices de violência sexual contra crianças e adolescentes tem aumentado por conta do número de denúncias, que também tem crescido.

“Então a gente tem um retrato, tanto a nível municipal como a nível estadual e federal, que cada vez mais aumenta o número de violência sexual de crianças e adolescentes, principalmente no ambiente familiar. Ou seja, um padrasto, um pai, um tio, uma tia, aquele que deveria cuidar, justamente abusa e explora aquela criança e adolescente”. 

Quanto à punição, ele salientou que a primeira função do Conselho de Direito da Criança e Adolescente e da Secretaria de Ação Social é resguardar o direito de crianças e adolescentes. Portanto, é necessário haver um acolhimento da vítima. 

“Nossa função, primeiro, é abraçar, ajudar, defender o direito da criança, porque criança tem o direito de brincar e criança tem direito. A gente apoia e ajuda as autoridades policiais, justamente, muitas vezes, a levar as informações em relação do que aconteceu de fato, para que as autoridades policiais possam tomar suas atitudes”. 

Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade

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