
Após a divulgação dos dados que colocam Feira de Santana na 7ª posição nacional entre as cidades com mais de 100 mil habitantes no Atlas da Violência 2026, o coronel Michel Muller, do Comando de Policiamento Regional Leste (CPR-L), explicou que as informações divulgadas pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública e pelo Atlas da Violência se referem a um recorte histórico dos anos de 2023 e 2024, não refletindo o cenário atual da segurança pública no município.
Em entrevista ao Acorda Cidade, Muller explicou que o levantamento não utiliza dados de 2025 nem de 2026, período em que, segundo a polícia, houve redução no índice de violência no município. Ele acredito que isso pode reforçar o sentimento de insegurança.
Eu fico preocupado, na condição de comandante regional, na condição de policial militar, que trazer esses dados relacionados a um período tão remoto causa instabilidade com relação ao público. Nós já temos uma grande dificuldade de transmitir sensação de segurança. Nós estamos aí tratando de dados remotos de 2023 e 2024. Neste período atual nós temos os dados divulgados aqui na Bahia de redução significativa em 2026 em relação a 2025, fica difícil tratar de sensação de segurança sem clareza nos dados.”

Redução dos homicídios
O Coronel afirmou que um dado importante a ser destacado é que Feira de Santana registrou uma redução entre 12% e 14% nos índices de violência até 26 de maio deste ano, na comparação com igual período de 2025.
“Hoje, com a redução de 32% no ano passado e de algo em torno de 12% a 14% no momento presente, Feira de Santana não fica sequer entre as 30 cidades mais violentas em relação a todo o estado brasileiro”, afirmou Muller.
Cidades como Juazeiro e Vitória da Conquista também registraram reduções significativas nos índices de violência, conforme relatou.
“Como o próprio Anuário e o Atlas fazem ao comparar grupos populacionais semelhantes, não dá para comparar Feira de Santana com toda e qualquer cidade do estado. Mas o que temos de concreto é que Juazeiro, Feira de Santana e Vitória da Conquista, que estão entre as maiores cidades do interior baiano, registram reduções significativas. E isso se repete em outras cidades com características semelhantes.”

Projeção de redução
Segundo o coronel, com base nos dados atuais, a projeção futura é de uma redução ainda maior.
A gente precisa, na verdade, que esses dados sejam analisados à luz do que mais importa, que é o presente, e também que indiquem uma projeção de futuro. A mediana com que nós trabalhamos aqui na nossa região aponta que há razões para acreditar em uma redução ainda maior, inclusive, no futuro próximo.”
Segundo o coronel, os homicídios estão predominantemente ligados a facções criminosas e ao tráfico de drogas, um problema que atinge todo o cenário nacional.
Temos um número expressivo de pessoas que vêm a morrer por conta da violência, por sua ligação com o tráfico de drogas, com o crime organizado, e o tráfico de drogas é o grande negócio do crime organizado neste país e nas facções que se proliferaram por todo o território nacional. Não significa que todas as vítimas tenham envolvimento com essas organizações, mas há uma predominância desse perfil nos homicídios registrados.”
Fatores que influenciam a violência
A desigualdade social, além da falta de oportunidades e do acesso à educação, é apontada como uma das principais causas que influenciam os números de violência.
A desigualdade é um tema discutido até mesmo em nível mundial. A questão da igualdade de oportunidades, da igualdade de acesso aos meios de produção e, notadamente, à educação é, sem dúvida, um fator importante. No entanto, não se resume apenas a isso. Temos outros indicadores sociais que também contribuem para a sensação de insegurança e para a violência.”
Caminhos para a redução
Políticas públicas como investimento em educação, qualificação e valorização de professores, além da melhoria das estruturas escolares, se configuram, para o comandante, como caminhos essenciais para a redução da violência.
Desde sempre, nós ouvimos que os governos têm vendido a ideia de que o melhor caminho é a educação, e nós também acreditamos nisso. Então, investimento em educação, na qualificação, na valorização dos professores e nas unidades de ensino. Há exemplos que têm sido feitos aqui com o Colégio de Tempo Integral, não só pelo Estado, mas o próprio município tem investido na qualificação das estruturas de suas escolas, como atrativo para que os alunos permaneçam no interior do colégio, assistindo às suas aulas, participando das atividades, afastando-se do acesso do traficante para a cooptação dessas crianças. Eu acho que esse deve ser o grande caminho.”
O enfrentamento da violência é um esforço coletivo e o coronel Muller ainda reforçou que todo cidadão brasileiro precisa se mobilizar para contribuir no processo de transformação social.
Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade
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