
O presidente do Conselho Estadual de Saúde da Bahia (CES-BA), Marcos Gêmeos, manifestou preocupação com a estratégia adotada pela Secretaria Municipal de Saúde de Salvador de ampliar o público da vacinação contra a Influenza sem garantir, de forma prioritária e efetiva, a imunização de idosos e crianças, grupos que concentram os maiores riscos de agravamento e morte por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).
Para o dirigente, a ampliação da vacinação para outros públicos é uma medida positiva, desde que não represente o abandono daqueles que mais necessitam da proteção oferecida pela vacina.
“Vemos com bons olhos a ampliação do acesso à vacinação para a população em geral. No entanto, os números mostram que quem mais está adoecendo gravemente e morrendo são os idosos e as crianças. Por isso, causa estranheza que a principal resposta diante das baixas coberturas vacinais seja ampliar o público, sem antes garantir que os grupos prioritários sejam efetivamente alcançados”, afirmou.
Na Bahia, estima-se que existam cerca de 2,4 milhões de idosos e aproximadamente 177 mil crianças de até seis anos, públicos historicamente considerados prioritários nas campanhas de vacinação devido à maior vulnerabilidade às complicações causadas pelos vírus respiratórios.
O presidente destacou que a vacina é uma ferramenta fundamental para reduzir casos graves, internações e óbitos, especialmente entre idosos e crianças. Segundo ele, o desafio atual não está apenas na disponibilidade dos imunizantes, mas na capacidade do poder público de levar a vacina até a população.
“A vacina precisa ir ao encontro das pessoas. As estratégias utilizadas até agora demonstram dificuldades em alcançar a cobertura necessária. Em Salvador, existem Equipes de Saúde da Família e Agentes Comunitários que possuem contato direto com os territórios e com a população cadastrada. É preciso fortalecer essas ações, ampliar os canais de divulgação e intensificar a busca ativa dos grupos prioritários”, ressaltou.
Na avaliação do CES-BA, o foco das ações neste momento deve estar na ampliação do acesso à vacinação e no fortalecimento das estratégias capazes de alcançar os públicos mais vulneráveis. O órgão destaca que os dados epidemiológicos continuam apontando idosos e crianças como os grupos com maior risco de agravamento e óbito por doenças respiratórias, o que exige atenção prioritária do poder público. Por isso, o Conselho faz um apelo para que, mesmo com a ampliação do público apto a receber a vacina, sejam mantidas e fortalecidas as ações direcionadas à imunização desses grupos, garantindo que a proteção chegue a quem mais necessita.
Além da vacinação, o CES-BA reforça a importância da adoção de medidas preventivas para reduzir a circulação dos vírus respiratórios e proteger a população, especialmente os grupos mais vulneráveis. Entre as principais recomendações estão higienizar frequentemente as mãos; evitar aglomerações em caso de sintomas gripais; utilizar máscara em ambientes fechados ou ao apresentar sintomas; manter ambientes ventilados e buscar atendimento médico ao apresentar sinais de agravamento respiratório.
O Conselho também orienta que a população procure atendimento nas unidades de saúde ao apresentar sinais de agravamento, como falta de ar, febre persistente ou dificuldade para respirar. A busca precoce por assistência médica é fundamental para reduzir complicações e evitar o agravamento dos quadros de SRAG.
“A vacinação continua sendo nossa principal ferramenta de proteção, mas ela precisa caminhar junto com medidas de prevenção e conscientização. Precisamos proteger nossas crianças, nossos idosos e fortalecer a cultura do cuidado coletivo para enfrentar este aumento das doenças respiratórias”, concluiu Marcos Gêmeos.
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