
Moradores da Rua Arthur Bernardes, no bairro Queimadinha, em Feira de Santana, estão preocupados com o aumento de pessoas apresentando sintomas de arboviroses, principalmente dengue e chikungunya. Entre dores intensas, febre, insônia e dificuldades para realizar atividades simples do dia a dia, os relatos revelam o impacto das doenças na rotina da comunidade e acendem um alerta para a necessidade de prevenção e combate aos focos do Aedes aegypti, especialmente em um período de chuvas frequentes e com a aproximação do inverno, quando o acúmulo de água em terrenos e reservatórios pode favorecer a proliferação do mosquito.


Um dos moradores afetados é o cabeleireiro Jeremias Santos, que está doente há cerca de quatro dias. Sem ter realizado exames, ele ainda não sabe se está com dengue ou chikungunya, mas afirma que a situação preocupa principalmente pela quantidade de idosos que vivem na localidade.
“Estou tomando remédio, estou bem melhor já”, contou. Ele afirma que percebe a presença constante de mosquitos na área. “Tem muitos focos, aqui a gente vê vários mosquitos, tem que ver alguma solução.”

A preocupação é compartilhada por outros moradores da rua. A dona de casa Erika Nunes relata estar há oito dias com sintomas e acredita estar com chikungunya. Além das dores intensas, ela afirma que a doença tem comprometido atividades básicas do cotidiano.
“Eu não aguento de dor. Se uma pessoa idosa e uma criança pegar, morre, porque é muita dor. Eu tô cheia de íngua, tô toda vermelha, cheia de dor nas articulação. Eu tenho problema cardíaco, sou cardiopata. Tenho dificuldade de levantar e me alimentar. Um sofrimento só”, afirmou. Segundo ela, muitos vizinhos estão adoecendo. “Não adianta a gente cuidar da casa da gente e os outros não”, alertou a moradora.
Os relatos indicam que o problema não é recente. A moradora Altair Vieira Borges, de 62 anos, afirma que os casos vêm sendo observados desde o ano passado e que atualmente há diversas pessoas doentes no bairro.

“O filho de minha vizinha aqui, teve dengue hemorrágico o ano passado. E de lá pra cá, aparecem sempre as pessoas se queixando. Umas três pessoas e outras que eu não sei o nome estão acamados, tem oito dias”, disse.
A própria Altair precisou de atendimento médico após apresentar sintomas graves. “Eu tive hospitalizada, tomei soro, muitas dores, febre altíssima, estourou até minha boca, vômito, dor mesmo, dor de acabar com a pessoa”, relatou.

Além do avanço dos casos, moradores apontam possíveis focos do mosquito na vizinhança, como terrenos e reservatórios de água que podem favorecer a proliferação do Aedes aegypti. “Aqui tem vários terrenos e também tem muitas casas. Aqui mesmo próximo tem um tanque que a gente vê de longe que está vazando, mas nunca fizeram uma pesquisa de campo. Nunca vi agente subir no tanque de ninguém aqui por perto”, observou.

Além dos problemas de saúde para quem adoeceu, os moradores destacam os prejuízos à rotina e ao trabalho. “Eu não tenho mais condição nem de trabalhar. Essa semana mesmo eu não fui trabalhar porque não tenho condição. As juntas duras, inchaçadas, febre, dores, como é que eu vou trabalhar com uma enfermidade dessa? Não tem condição. Afeta o dia a dia, as coisas dentro de casa para fazer”, declarou Altair ao Acorda Cidade.
Secretaria de Saúde diz que monitora notificações
Em entrevista ao Acorda Cidade, a enfermeira e diretora de Atenção à Saúde da Secretaria Municipal de Saúde, Carla Alencar, informou que o município acompanha o aumento sazonal das arboviroses e que os números registrados até o momento correspondem a notificações em investigação.
| Arbovirose | Notificações registradas (jan. a jun.) |
|---|---|
| Dengue | 1.030 |
| Chikungunya | 163 |
| Zika | 4 |
Segundo a diretora, os números representam notificações em fase de avaliação, não sendo, necessariamente, casos confirmados da doença.
Ela reforçou que pessoas com sintomas como febre, dores no corpo, coceira e mal-estar devem procurar atendimento médico.

“Inicialmente o paciente precisa procurar a unidade de saúde para que ele tenha uma avaliação médica e realmente identifique se é algum tipo de arbovirose ou não”.
Carla também alertou para os riscos da automedicação, prática relatada por alguns moradores. “Não é aconselhável realização de automedicação. Existem algumas medicações que precisam ter muito cuidado ao ser tomadas por conta própria. Então, a orientação que a gente dá é, procure a unidade de saúde do seu bairro para um atendimento médico, que vai ser a opção mais viável para esses pacientes”, orientou.
Segundo a diretora, a Vigilância Epidemiológica realiza ações preventivas durante todo o ano, incluindo visitas de agentes de endemias, bloqueios em áreas com notificações e monitoramento por armadilhas, como as ovitrampas, instaladas em diversos pontos da cidade.
Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade
Leia também: Conheça a estratégia utilizada por agentes de endemias para monitorar o mosquito da dengue em Feira de Santana
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