5 de June de 2026
Flávio José
Flávio José | Foto: Reprodução/ Redes sociais/ @i3filmes

O cantor e compositor Flávio José, um dos maiores expoentes do forró tradicional baiano, fez um desabafo sobre a perda de espaço do gênero nas festividades regionais. Em entrevista divulgada nesta sexta-feira (05), o artista lamentou a descaracterização das programações de eventos juninos e expressou sua preocupação com o futuro da música que representa a identidade cultural e a tradição do Nordeste.

Durante sua manifestação na página de Instagram São João na Bahia, Flávio José relembra o desejo de que as gestões municipais repensassem os critérios de contratação e se atentassem para a valorização da herança cultural local. “Eu gostaria que as cidades se espelhassem em outras que estão começando a entender que a nossa música é da nossa cultura e tradição, mas eu ainda acho que isso está muito distante”, pondera o forrozeiro.

O cantor apontou que, atualmente, é comum encontrar programações festivas inteiras que ignoram os artistas do gênero. Entretanto, criticou o fato de que, em muitas ocasiões, sua própria contratação parece servir apenas como uma justificativa simbólica.

“Eu vejo aí que não têm mais ninguém de forró. E vejo algumas nas quais eu fui colocado, talvez, muito mais para dar uma satisfação, para dizer: ‘Não, tinha forró, tinha Flávio José’. Mas eu acho que ainda é muito cedo para a gente ser otimista nesse sentido”, desabafa.

A declaração do cantor reforça uma discussão recorrente entre artistas nordestinos sobre a substituição do forró pé-de-serra por outros gêneros de apelo comercial de massa durante o mês de junho.

Um impasse baiano

O impasse teve início quando o Ministério Público da Bahia (MP-BA) recomendou a adequação do cachê de Flávio José para as festividades de São João de 2026. O órgão questionou o valor de R$ 350 mil estipulado para esta edição, que representava um reajuste de 40% (ou R$ 100 mil a mais) em relação ao ano anterior. 

Diante da orientação fiscalizadora direcionada aos municípios contratantes, a equipe do cantor decidiu cancelar todas as suas apresentações no estado, alegando desrespeito à trajetória do artista.

Pelo lado de Flávio José, o descontentamento reflete um debate histórico sobre a desvalorização do forró tradicional e a perda de espaço do gênero para ritmos comerciais de massa, como o sertanejo, durante o mês de junho.

O cantor argumenta que o controle rígido sobre o cachê de ícones da cultura nordestina é contraditório e injusto, especialmente quando comparado aos pagamentos de cifras milionárias realizados a atrações de outros estilos musicais sem ligação histórica com os festejos juninos.

Por outro lado, o Ministério Público alega que a atuação do órgão baseia-se em critérios estritamente técnicos e impessoais para assegurar a responsabilidade fiscal das prefeituras. Diante de uma escalada de gastos públicos nos municípios baianos.

O MP-BA passou a recomendar reajustes atrelados ao IPCA, acordados previamente com a União dos Municípios da Bahia (UPB), reiterando que permanece aberto ao diálogo consensual com os representantes de Flávio José.

Fonte: Bahia Notícias, site parceiro do Acorda Cidade

Leia também:

Flávio José diz que não vai se apresentar no São João da Bahia este ano; entenda o porquê

Flávio José anuncia cancelamento de shows na Bahia, mas prefeituras dizem não ter sido notificadas

Ministério Público explica pedido de redução no cachê de Flávio José

Promotora diz que MP não direcionou fiscalização para Flávio José e defende diálogo

Siga o Acorda Cidade no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Participe também dos nossos canais no WhatsApp e YouTube e no grupo de Telegram.