
A fé foi o guia do Santuário Santo Antônio, de Feira de Santana, na manhã deste domingo (7), durante a tradicional Romaria de Santo Antônio. Com a igreja lotada e fiéis ocupando também a área externa, centenas de devotos participaram das celebrações em um dos momentos mais aguardados da festa do padroeiro. Vindos de diversas cidades da região, os romeiros se reuniram para agradecer graças alcançadas, fazer novos pedidos e reafirmar uma tradição religiosa que há décadas marca a história e a identidade cultural da Princesa do Sertão.


Após a missa dedicada aos romeiros, a imagem de Santo Antônio seguiu em procissão motorizada pelas ruas da cidade, acompanhada por uma multidão em oração. Entre cânticos, promessas, agradecimentos e demonstrações de devoção, a caminhada transformou as ruas em um grande testemunho coletivo de fé, reforçando o papel da romaria como um dos mais importantes encontros religiosos do interior baiano.

Santo Antônio, o coração da festa
Responsável pelo Santuário Santo Antônio, o pároco frei Liomar destacou que a romaria representa a própria razão de existir do santuário e de sua missão evangelizadora.
“O Santuário de Santo Antônio só existe porque o centro dele, o ápice, o coração dele é evangelização e os Romeiros fazem parte desse processo de evangelização aqui em Feira de Santana. Os Romeiros são exatamente esse elo, essa força motor, esse coração pulsante que dá vida e razão de ser ao Santuário Santo Antônio de Feira de Santana.”

Segundo o religioso, a participação dos fiéis tem aumentado nos últimos anos. Em 2026, mais de 90 caravanas foram esperadas pela organização. São romeiros, como ele costuma dizer, ‘de perto e de longe’. Pessoas de Amélia Rodrigues, Conceição da Feira, Santo Estêvão, Irará, Cruz das Almas, entre outras cidades.

“O dia do Romeiro é um dia especial, totalmente dedicado a ele. Nós nos dedicamos para melhor acolher da melhor forma possível, para que aqui nesse lugar sagrado o Romeiro possa fazer uma experiência com o sagrado, que tem um nome, que é nosso Jesus Cristo. A igreja sempre viveu e se alimentou da tradição e sua tradição é Cristo, é a sua palavra. A palavra de Deus não passa, ela é sempre atual.”
Além da celebração tradicional dedicada aos romeiros, a edição de 2026 tem um significado especial para a família franciscana. Segundo frei Liomar, a festa está inserida no Ano Jubilar Franciscano, que recorda os 800 anos da morte de São Francisco de Assis.

“Este ano, de modo particular, nós estamos vivendo o Ano Jubilar Franciscano, celebrando os 800 anos da morte ou da Pátria definitiva de São Francisco, instituído pelo Papa Leão XIV. E aí nós unimos esse ano essas duas grandes figuras, dois grandes testemunhos luminosos, que são São Francisco e Santo Antônio.”
Histórias movidas pela gratidão
Entre os participantes estava Rilana de Jesus Santos, moradora do bairro Aviário, que há mais de seis anos participa da romaria motivada pela devoção ao santo. Ela conta que muitos dos pedidos feitos ao longo dos anos foram atendidos e que a presença na celebração deste ano teve um significado especial.
“Através da minha fé estou aqui na Romaria todo ano. Gratidão. A palavra que define hoje pela saúde, pela paz, pela fé que eu tenho nele e só agradecer.”
A mesma emoção foi compartilhada por Maria José de Santos Ferreira, de 68 anos, moradora de Nova Fátima. Há oito anos ela participa da romaria e, desta vez, viajou acompanhada por um grupo de dez pessoas.

“A fé que eu tenho muito em Santo Antônio. Aí quando eu comecei a participar daqui da festa, gostei. E aí, continuei. Fui incentivada por uma vizinha quando morei aqui em Feira. Já pedi muitas coisas a ele e ele já realizou.”
Quem também mantém uma longa relação com a romaria é Valdirene da Silva Santos, do distrito de Maria Quitéria. Há cerca de 25 anos ela participa das celebrações e hoje coordena sua própria caravana.

“Vim agradecer ao glorioso Santo Antônio pelas bênçãos alcançadas. Me emociona ver todos unidos ali no mesmo objetivo, glorificando a Glória do Santo Antônio. É muito prazeroso. Espero que Deus e Santo Antônio restaurem a minha saúde.”
Fé que também ensina a servir
Presente na celebração, o arcebispo emérito de Feira de Santana, Dom Itamar Vian, lembrou que a devoção a Santo Antônio está profundamente ligada ao compromisso com o próximo.
“Santo Antônio foi um grande pregador. Ele nos deixou entre muitas lições o grande amor que devemos ter à palavra de Deus, vivê-la e anunciá-la. Além disso, ele nos deixou a grande missão da solidariedade com os pobres.”

Dom Itamar também relembrou a tradicional doação dos pães de Santo Antônio, já mostrada pelo Acorda Cidade. Relembre aqui e saiba como doar.
Um dos grandes milagres de Santo Antônio foi a multiplicação dos pães, a exemplo de Jesus para que os pobres e os frades não passassem fome. A grande lição é anunciar a palavra. Ontem assassinaram um bispo na África. Esse bispo foi um herói, porque não teve medo de anunciar a palavra de Deus, denunciando injustiças, e por isso foi assassinado. O Papa Francisco foi um grande profeta, muito criticado por autoridades. O Papa atual é também criticado por grandes autoridades do mundo, mas ele não teme, ele continua anunciando a palavra de Deus. Santo Antônio foi um exemplo disso. Nós o temos como um santo bonzinho, compreensivo, mas ele não teve medo de denunciar as injustiças e anunciar aquilo que Jesus nos ensinou.”

“O mais importante não é dar dinheiro, dar cestas básicas. O mais importante é dar-se. E Santo Antônio nos ensinou exatamente isso. Doar-se às pessoas. Ouvir é muito importante”, acrescentou Dom Itamar ao Acorda Cidade.
Uma celebração construída ao longo do ano
Para que a romaria aconteça, o trabalho começa muito antes do mês de junho. Integrante da Comissão da Festa de Santo Antônio, Célia Marques explicou que os preparativos para a próxima edição têm início logo após o encerramento da atual.
“Assim que termina a festa desse ano, a gente já vai começar a trabalhar para a festa de 2027. Como Santo Antônio é um santo milagroso, as pessoas acreditam no milagre de Santo Antônio.”

Há cerca de 30 anos participando da festa e há três na comissão organizadora, ela conta que a dedicação é recompensada pela emoção de ver milhares de fiéis reunidos em torno da devoção a Santo Antônio.
Segundo Célia, a crença nos milagres atribuídos ao santo pode ser percebida em pequenos gestos que se repetem ano após ano. Um dos exemplos acontece após a procissão, quando muitos devotos disputam flores que ornamentam a imagem.
“Como Santo Antônio é um santo milagroso, as pessoas acreditam no milagre de Santo Antônio. Quando a gente decora Santo Antônio para sair na procissão, e logo depois ele é todo despido, as pessoas pegam aquelas flores porque acreditam que elas fazem milagre, porque Santo Antônio está no meio delas.”

Além das celebrações religiosas, a festa conta com venda de alimentos, camisas e outros produtos. Toda a arrecadação, segundo a coordenadora, é destinada à manutenção do evento e das atividades relacionadas à festa.
As atividades da romaria continuam durante a tarde e à noite, com apresentações musicais, despedida dos romeiros e missa em louvor a Santo Antônio, celebrada às 19h30 por frei Liomar.
A Trezena de Santo Antônio segue até o dia 15 de junho com o tema “Um único carisma, dois testemunhos luminosos: Santo Antônio e São Francisco, unidos pelo ardor ao Evangelho”, reunindo celebrações religiosas e atividades culturais no Santuário Santo Antônio.
Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade
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