
Distração constante, dificuldade de concentração, esquecimentos frequentes e impulsividade têm sido cada vez mais associados ao Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), especialmente após a popularização do tema nas redes sociais. No entanto, especialistas alertam que nem toda dificuldade de foco significa, necessariamente, a presença do transtorno.
No Dia Mundial de Conscientização sobre o TDAH, celebrado em 13 de julho, a coordenadora do curso de Psicologia da Estácio, Carol França, destaca que comportamentos como desatenção podem estar ligados a diversos fatores do cotidiano moderno, como ansiedade, excesso de telas, privação de sono, estresse e sobrecarga emocional.
“A desatenção é um sintoma universal e pode surgir em diferentes situações da vida. O TDAH é uma condição neurobiológica específica, que provoca prejuízos persistentes e significativos em várias áreas da vida da pessoa”, explicou.
Segundo a psicóloga, a principal diferença entre uma distração comum e o transtorno está na frequência, intensidade e no impacto funcional causado pelos sintomas.
“A distração ocasional acontece quando a pessoa está cansada, preocupada ou desinteressada. Já no TDAH, a dificuldade de atenção é persistente, ocorre em diferentes ambientes e compromete atividades escolares, profissionais, sociais e emocionais”, afirmou.
Carol França ressalta que o transtorno também vai além da dificuldade de concentração, envolvendo alterações nas chamadas funções executivas do cérebro.
“O TDAH também pode causar impulsividade, dificuldade de organização, problemas de gestão do tempo, procrastinação intensa e desregulação emocional. Muitas vezes o paciente convive com uma sensação constante de exaustão e frustração”, destacou.
A especialista explica que os sinais do transtorno podem variar conforme a fase da vida. Em crianças, são mais comuns agitação motora, impulsividade e dificuldade para seguir instruções. Já em adolescentes e adultos, os sintomas podem surgir como desorganização crônica, atrasos frequentes, esquecimentos e dificuldade de administrar responsabilidades.
Redes sociais x autodiagnóstico
Outro ponto de alerta é o crescimento do autodiagnóstico impulsionado pelas redes sociais. Para Carol França, transformar comportamentos comuns em diagnóstico pode trazer consequências perigosas.
“A banalização do TDAH descredibiliza quem realmente possui o transtorno e também estimula pessoas sem diagnóstico a buscar medicação de forma inadequada. O tratamento precisa ser individualizado e baseado em avaliação profissional”, afirmou.
A psicóloga explica que o diagnóstico correto é clínico e interdisciplinar, realizado por profissionais especializados, como psicólogos e psiquiatras. Ela destaca que o diagnóstico envolve histórico de vida, análise dos sintomas desde a infância e avaliação das funções cognitivas e emocionais.
Carol França também chama atenção para os impactos do estilo de vida atual na capacidade de concentração das pessoas.
“Vivemos em uma cultura de estímulos rápidos, excesso de notificações e multitarefas. Isso faz com que o cérebro se acostume a recompensas imediatas, reduzindo a tolerância a atividades que exigem atenção prolongada”, explicou.
Apesar dos desafios, a especialista reforça que o transtorno possui tratamento e que é possível ter qualidade de vida com acompanhamento adequado.
“O tratamento envolve acompanhamento psicológico, especialmente com Terapia Cognitivo-Comportamental, além de medicação quando necessária. O objetivo é ajudar a pessoa a desenvolver estratégias para organizar a rotina, lidar com emoções e melhorar o funcionamento no dia a dia”, disse.
Para a coordenadora do curso de Psicologia da Estácio, discutir o TDAH com responsabilidade é fundamental para combater preconceitos e garantir acesso ao cuidado adequado.
“Precisamos falar sobre o transtorno sem exageros e sem preconceito. Informação de qualidade ajuda quem realmente precisa de tratamento e evita a disseminação de diagnósticos equivocados”, concluiu.
Siga o Acorda Cidade no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Participe também dos nossos canais no WhatsApp e Youtube e grupo de Telegram.
