13 de July de 2026
psicóloga alerta para impactos da cultura da performance
Foto: Kaio Vinícius/ Acorda Cidade

As redes sociais transformaram a forma como as pessoas se relacionam, trabalham, se comunicam e até enxergam a própria vida. A busca constante por aprovação, produtividade e perfeição tem provocado impactos cada vez maiores na saúde emocional, especialmente diante da comparação excessiva estimulada pelo ambiente digital. Estamos vivendo na era da performance?

O podcast do Acorda Cidade, com a participação da psicóloga Marina Queiroz, nos convida a uma reflexão sobre como a sociedade atual passou a viver em função da performance nas redes sociais e dos padrões criados no ambiente online. Marina destaca que a influência das redes sociais já faz parte da subjetividade das pessoas e afeta até comportamentos fora do ambiente digital.

“Hoje as fotos existem para mostrar para os outros que nós somos, temos e conseguimos. Existe uma necessidade constante de provar valor o tempo todo. A forma de ser sujeito na sociedade contemporânea é vivendo em interação com as redes sociais e seguindo os moldes que elas estabelecem. Já não existe só mais o mundo offline”, destacou.

psicóloga alerta para impactos da cultura da performance
Foto: Kaio Vinícius/ Acorda Cidade

A psicóloga alerta que a busca pela perfeição, impulsionada pelas redes, tem gerado uma sensação generalizada de insuficiência e adoecimento emocional. Ela também chamou atenção para o impacto das comparações constantes, principalmente em relação à aparência, produtividade, sucesso profissional e estilo de vida.

“A perfeição não existe. A vida humana é cheia de falhas e parece que estamos nos perdendo dessa verdade. Isso está gerando ansiedade absurda e uma sensação constante de insuficiência. O problema não é se comparar. O problema é quando a comparação leva à autodepreciação. As pessoas passam a se sentir menores o tempo inteiro”, afirmou.

A especialista destacou ainda que muitas pessoas acabam perdendo a própria identidade ao tentar reproduzir padrões vistos nas redes sociais. “As pessoas estão tão perdidas de quem são que acabam apenas reproduzindo o comportamento dos outros. Existe uma padronização enorme e, muitas vezes, falta identidade”, pontuou.

Durante a entrevista, Marina também falou sobre a pressão social enfrentada especialmente pelas mulheres, que acumulam cobranças relacionadas à carreira, maternidade, aparência e desempenho em diferentes áreas da vida. A psicóloga ressaltou a importância do autoconhecimento e da reflexão sobre quais referências realmente devem ter influência na vida das pessoas.

“A gente precisa escolher quem realmente tem voz na nossa vida. Nem toda opinião precisa ter peso sobre quem somos ou sobre nossas escolhas. O verdadeiro empoderamento é saber quem você é e sustentar isso, sem precisar performar o tempo inteiro para agradar os outros”, concluiu.

🎧 Assista ao episódio completo, que já está disponível nas principais plataformas de áudio. Ouça agora abaixo:

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