22 de July de 2026
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Foto: Freepik

O dia 22 de julho marca o Dia Mundial do Cérebro e, aproveitando este mês em que a saúde da mente ganha total protagonismo, trazemos à tona a discussão sobre o termo popularizado digitalmente, “brain rot”, um problema que está afetando a rotina de muitas pessoas que utilizam a tecnologia de maneira desenfreada, prejudicando o foco, a atenção e o bem-estar mental por conta do consumo massivo de conteúdos digitais superficiais. 

De acordo com dados do Instituto de Psiquiatria (IPq) da USP e estudos científicos publicados pela plataforma PubMed/NCBI, essa deterioração cognitiva digital não é apenas uma percepção subjetiva, mas uma realidade comportamental ligada a hábitos nocivos, como o doomscrolling (o ato de rolar a tela infinitamente consumindo notícias ou conteúdos ruins). Esse padrão de comportamento sobrecarrega o cérebro com fluxos de informações infinitos gerados por algoritmos, impactando diretamente o bem-estar dos indivíduos. 

O que acontece com a mente?

Esta condição moderna está associada a sintomas claros de esgotamento mental e prejuízos cognitivos. Estudos fenomenológicos apontam que a exposição intensa e contínua a esses estímulos rápidos reduz a capacidade de engajamento com informações significativas e eleva os níveis de ansiedade. Entre as principais queixas de quem vivencia o fenômeno estão a névoa mental (mental fog), a dificuldade na tomada de decisões, a redução da atenção e os sintomas de esgotamento mental (burnout). 

“O consumo passivo e ininterrupto de conteúdos rápidos sobrecarrega o córtex pré-frontal, a região do cérebro responsável pelo foco e pela tomada de decisões. Esse bombardeio digital gera um estado de alerta constante que resulta em névoa mental e exaustão cognitiva. Dar pausas à mente é um ato preventivo necessário para evitar o esgotamento e proteger nossa saúde neurológica”, afirma o neurologista, Dr. Marcelo Nakamura, do Hospital Nipo-Brasileiro (HNIPO).

5 hábitos que beneficiam o sistema nervoso 

Embora o desafio pareça complexo na era digital, o especialista aponta que o cérebro pode ser treinado para recuperar a clareza mental, a concentração e a produtividade por meio de estratégias práticas e acessíveis no cotidiano:

  1. Pratique o desconecte consciente: estabeleça horários específicos e espaços livres do uso de celulares e telas, principalmente durante momentos em família, como no almoço e no jantar.
  2. Crie rotinas e organize o tempo: ter um planejamento diário claro e separar blocos de tempo para tarefas, substituindo o acúmulo excessivo de atividades paralelas, reduz o estresse mental e libera espaço cognitivo.
  3. Priorize o sono de qualidade: dormir entre 7 e 9 horas por noite é fundamental para consolidar memórias, além de regular o humor e estimular a criatividade. Cochilos rápidos durante o dia (de 15 a 30 minutos) também ajudam a renovar as energias.
  4. Atenção plena e respiração: dedicar ao menos 5 minutos diários a técnicas simples de respiração e meditação (mindfulness) ajuda a trazer a mente para o presente e reduz drasticamente a ansiedade.
  5. Alimentação adequada: o cérebro necessita de bons combustíveis. Uma dieta equilibrada rica em frutas, vegetais, proteínas e gorduras boas protege as funções neurais e, quando necessário, pode ser complementada sob orientação médica.

Cuidar da saúde neurológica começa pelo exercício constante da autopercepção, de modo que identificar os momentos de esquecimento, cansaço visual ou irritabilidade após longos períodos em frente às telas sirva como o primeiro sinal de alerta de que a mente precisa de repouso urgente. Diante disso, proteger o próprio cérebro exige gerenciar o tempo de exposição online e adotar uma efetiva mudança de postura no dia a dia capaz de preservar as funções cognitivas a longo prazo e garantir uma verdadeira qualidade de vida. 

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