2 de August de 2026
Vírus K influenza
Foto: Marcelo Casal Jr/ Agência Brasil

Foram muitas as consequências para a saúde que a pandemia da covid-19 deixou. Além do aumento das doenças e transtornos mentais por conta do pânico e do isolamento social, as pessoas também estão registrando deficiências cognitivas, como o esquecimento precoce. O alzheimer, doença neurodegenerativa incurável que leva à demência, está entre um dos fatores de risco intensificados após a infecção do coronavírus. 

Pensando nisso, o Acorda Cidade conversou com o neurologista Jamyllo Sales para levantar um alerta importante para a saúde cognitiva e mental de jovens, adultos e idosos que estão sendo cada vez mais afetados pelo esquecimento. Em entrevista, ele explicou como a pandemia prejudicou a memória das pessoas.

Neurologista - Jamilo Sales ft paulo josé acorda cidade
Jamyllo Sales | Foto: Paulo José/Acorda Cidade

“A pandemia influenciou na piora cognitiva da população. O vírus pode se alojar no bulbo olfatório e acessar o sistema nervoso central causando uma neuroinflamação e isso pode causar neurodegeneração levando ao quadro de memória, perda cognitiva; e tem também a questão da pandemia, foi um momento muito difícil que elevou a ansiedade das pessoas e isso traz um impacto muito importante nos indivíduos”, explicou o doutor ao Acorda Cidade. 

Neste processo de adoecimento pós-pandemia, o alzheimer, na medida em que ele decorre de alterações do cérebro onde existe produção de substâncias que levam à morte de neurônios específicos, relacionado à memória e ao trauma coletivo vivido, foi intensificado. 

Segundo o neurologista é importante diferenciar o esquecimento comum da doença alzheimer para encontrar a melhor forma de tratamento. 

esquecimento - freepik
Foto: Freepik

“O esquecimento é um sintoma de falta de memória e o Alzheimer é uma doença que o paciente pode ter e não ter o esquecimento, porque existem variantes que levam também a outras características como alteração de comportamento, de humor; já o esquecimento é uma queixa, um sintoma de falta de memória e não é uma doença. Ele pode estar presente em muitas outras doenças, principalmente nas doenças psiquiátricas, como depressão”, pontuou. 

Além disso, ansiedade, autismo, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) são doenças mentais que têm o esquecimento como sintoma.   

Ainda segundo Jamylllo Sales, os mais jovens também foram afetados pelo estresse causado pelo estado de pandemia, o que levou ao aumento de casos de esquecimento. 

“O vírus pode causar uma neuroinflamação levando a uma alteração cognitiva em relação à capacidade intelectual do indivíduo e o próprio estresse causado pela pandemia pode levar às queixas de esquecimento”, reforçou. 

Quando o esquecimento pode preocupar?

esquecimento - freepik
Foto: Freepik

Você saiu de casa e não tem certeza se fechou a porta ou se trouxe a chave, mesmo realizando essas ações? Pode ser normal! Mas, se isso acontece com frequência e está prejudicando a rotina, é importante buscar um especialista para entender o que está acontecendo com o seu corpo. 

Para o neurologista, a queixa da falta de memória está muito relacionada a outras predisposições que o paciente pode ter.  

“Com a queixa de memória, a pessoa tem que ver a questão da ansiedade, do sono, da qualidade do sono, se ronca, se tem apneia do sono, controlar os fatores de risco de hipertensão, diabete, tudo isso pode ocasionar perda de memória. Agora, quando essa perda de memória começa a influenciar e trazer prejuízo no seu dia-a-dia e no seu trabalho é o momento de procurar um profissional para fazer o correto diagnóstico”, informou. 

O diagnóstico do alzheimer, geralmente, acontece quando o paciente já está em algum estágio da doença. Já o esquecimento é preciso investigar outros sintomas que podem estar relacionados. 

“A gente sabe que 10 anos antes o paciente já tem a doença, que a gente chama de fase pré-clínica e ele já tem o alzheimer instalado, só que não tem nenhum sintoma e com o passar dos anos o paciente vai começar a desenvolver os sintomas. A esperança com os novos recursos tecnológicos é justamente identificar a instalação da doença antes do sintoma para poder tratar de forma mais precoce e mais individualizada”. 

Com informações do repórter Paulo José do Acorda Cidade

Siga o Acorda Cidade no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Participe também dos nossos grupos no WhatsApp e Telegram