
Centenas de fiéis católicos e admiradores do sanfoneiro nordestino Luiz Gonzaga, participaram nesta segunda-feira (3) de uma missa na Igreja do Santuário Senhor dos Passos, pelos 37 anos do falecimento do Rei do Baião e em homenagem ao ícone da cultura popular brasileira.
Veja o vídeo:
Luiz Gonzaga do Nascimento nasceu em Exu, em Pernambuco, em 1912. E há 37 anos, no dia 2 de agosto de 1989, o Nordeste perdeu, em Recife, o instrumentista, compositor e cantor, que fez história ao levar os ritmos e gêneros tradicionais do nordestinos para todo o Brasil e também outros países.

Em Feira de Santana, os admiradores do sanfoneiro mantêm a saudade do sanfoneiro e buscam manter viva a tradição e o legado deixado por Gonzagão. Durante a missa, os fiéis também cantaram canções em resgate à memória do artista e dançaram ao som da sanfona de artistas locais.
A dona de casa Nilzete Sales expressou como se sente ao participar todos os anos da homenagem a Luiz Gonzaga.

“É uma honra muito grande, um privilégio poder assistir a essa missa a Luiz Gonzaga, na Igreja Senhor dos Passos. Há muito tempo que eu venho participando e hoje foi indiscutível. Ele cantou e continua encantando, porque não tem cantor igual a ele, que representa a vida. Os grandes artistas nordestinos seguiram e hoje representam Luiz Gonzaga.”

A servidora estadual aposentada Veranilza Maria de Almeida contou que sempre foi admiradora de Gonzagão.

“Desde quando era menina, junto com meus pais, que eles adoravam, ouviam as músicas dele. E as músicas dele são memoráveis. Ele deixou a marca do Rei do Baião em todos os artistas. Tem uma grande importância esse dia hoje, comemorar Luiz Gonzaga.”
Ela citou canções de grande sucesso que fizeram parte da sua história como ‘Padroeira do Brasil’ e ‘A Triste Partida’. “Eu acho uma tradição muito importante, principalmente para nós, brasileiros, e nós, nordestinos, que somos aqui de Feira de Santana.”

O forrozeiro Antônio Giverlande da Silva Rosa, conhecido como Neném do Acordeon, e que tem grande destaque em Feira de Santana, relatou ao Acorda Cidade que acompanha a trajetória de Luiz Gonzaga, por meio de reportagens e documentários.
“Se não fosse ele, não tinha forró. Essa semana eu estava assistindo uns cortes, por incrível que pareça, e Luiz Gonzaga, além de grande artista, era um grande marqueteiro. Gonzaguinha, depois que chegou perto dele, eu acho que o negócio melhorou mais ainda.”

Neném contou ainda sobre como foi o surgimento do trio de forró pelas mãos do mestre Luiz Gonzaga.
“Você sabia que foi Luiz Gonzaga quem colocou a zabumba no forró? Você sabia que foi Luiz Gonzaga quem colocou o triângulo no forró? Um dia passou um menino vendendo aqueles doces, e que tocava um triângulo. Aí ele chamou o menino: ‘Ê, menino, o que é isso aí?’. O menino: ‘Isso é um triângulo.’ Ele: ‘Me vende?’. O menino: ‘Você é doido? Minha mãe me bate’. ‘Deixa eu ver pelo menos’. Aí o menino mostrou a ele, ele foi num ferreiro e fez o triângulo. Aí surgiu o trio de forró. Então, toda e qualquer homenagem que a gente faça a ele ainda é muito pouco.”

Para o artista feirense, a música de Gonzagão atravessa gerações e inspira músicos e artistas não só do Nordeste e do Brasil, mas de todo o mundo.
“Recentemente, eu vi um documentário que a BBC de Londres fez sobre o Luiz Gonzaga. Eu tinha a dimensão do tamanho dele, mas não acreditava que era tanto. Então, eu acho que Luiz Gonzaga é o maior artista brasileiro, o maior artista popular do Brasil. E que bom que é nordestino.”
Idealizador da homenagem ao Rei do Baião, no Santuário dos Passos, o forrozeiro José Sobrinho, ressaltou que a missa gerou forte emoção entre os participantes.

“A gente não pode fugir disso, de celebrar Luiz Gonzaga, o ícone maior da nossa cultura. Luiz Gonzaga é internacional. É pena o que está acontecendo com a nossa cultura nordestina. É muito lamentável. A cultura já está quase que totalmente descaracterizada”, pontuou.
Forte crítico das transformações atuais que passam os festejos de São João em todo o Nordeste, José Sobrinho lamentou o que chamou de projeto para acabar com a cultura popular nordestina.
“A gente tem resistido muito a isso, de todas as maneiras. Você tira pela descaracterização do São João. Hoje aquele São João tradicional, realmente ele não existe mais, acabou. E com um custo altíssimo. O dinheiro de uma atração dessas que tem aí, milionárias. E contratam de forma assim muito escancarada, pessoas que não têm nada a ver, e isso vem acontecendo desde quando Luiz Gonzaga ainda estava vivo. O próprio Luiz Gonzaga denunciou lá na década de 1980, que a música dele já não estava sendo mais tão rodada como antes.”

Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade
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