
Desde o último sábado, primeiro dia do mês de agosto, postos de combustíveis de todo o Brasil foram autorizados a comercializar a gasolina com 32% de etanol anidro, o popular álcool. A nova regra está apenas dois pontos percentuais acima do limite anterior.
Apesar da “sensação” de pequena variação, especialistas recomendam que motoristas redobrem a atenção com a manutenção preventiva dos veículos, principalmente em carros mais antigos e que têm motores somente a gasolina.
Para a reportagem do Acorda Cidade, a engenheira mecânica Arielly Pereira reafirmou que, em veículos mais novos e com motores a álcool e gasolina, os chamados flex, os efeitos são mínimos, mas o novo percentual pode acelerar o desgaste de componentes.
“Nos veículos mais antigos, ou que já apresentem essas peças mais desgastadas, o etanol pode facilitar o ressecamento das mangueiras, vedações e anéis de borracha, favorecendo pequenos vazamentos“, explicou a engenheira.
Arielly ressaltou ainda que a alteração na mistura, por si só, não deve provocar falhas mecânicas, mas pode evidenciar problemas que já existiam no sistema de combustível, principalmente em veículos mais antigos.
“Se a bomba de combustível já estiver próxima da vida útil, ela também pode sofrer um pouco mais. Porém essa mudança de percentual, sozinha, não vai ser suficiente para causar nenhum tipo de falha”, reafirmou Pereira.
🚨Sinais que exigem atenção
A engenheira orienta que os motoristas fiquem atentos aos primeiros sintomas que podem indicar algum problema após o abastecimento com a nova configuração de mistura dos combustíveis. São eles:
- dificuldade para dar partida no veículo;
- marcha lenta irregular;
- perda de potência durante a condução;
- aumento do consumo de combustível acima do esperado;
- luz da injeção eletrônica acesa;
- falhas ou “engasgos” no funcionamento do motor.
Se o motorista observar algum desses sinais, é importante procurar uma oficina para verificar se existe algum problema no sistema de alimentação do veículo.
Para quem possui veículos flex ou carros populares mais recentes, Arielly afirmou ainda, durante a entrevista ao Acorda Cidade, que a mudança tende a ter impacto reduzido.
“O motorista vai abastecer normalmente e ficar atento aos cuidados de manutenção. O consumo pode aumentar um pouco, mas não é significativo a ponto de inviabilizar o uso dessa nova mistura”, concluiu a engenheira.
Redobrando os cuidados
Já o engenheiro automotivo Denis Marum, em entrevista à Agência Rádio Web, detalhou que a grande maioria dos veículos flex praticamente não sofrem impactos com o aumento da mistura de etanol.
O especialista explicou que os veículos flex estão “imunes” porque o sistema de injeção eletrônica ajusta automaticamente a proporção entre combustível e ar para manter o funcionamento adequado do motor e reduzir a emissão de poluentes.
Para aqueles que não têm carros flex, Marum deu uma série de outras recomendações que podem garantir mais segurança e aumentar a vida útil dos componentes dos carros movidos inteiramente a gasolina. São elas:
- ➡️Trocar o filtro de combustível na metade do intervalo recomendado pelo fabricante;
- ➡️Fazer a limpeza dos bicos injetores com maior frequência;
- ➡️Verificar a pressão da bomba de combustível a cada 20 mil quilômetros;
- ➡️Realizar a limpeza das velas de ignição a cada 10 mil quilômetros;
- ➡️Antecipar a troca do óleo do motor, já que a queima do etanol acelera a contaminação do lubrificante;
Para os veículos flex, Marum recomendou ainda alternar o abastecimento: a cada quatro tanques de etanol, abastecer um tanque de gasolina e vice-versa, ajudando a reduzir o acúmulo de resíduos no sistema de alimentação.
🤔Por que mudou?
Apesar da mudança de 30% para 32% de álcool na gasolina ter sido anunciada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) em 14 de julho, a medida só entrou em vigor no sábado (1º).
De acordo com o conselho, a mudança considera a volatilidade no mercado de petróleo e combustíveis, a nível mundial, e ocorre em um momento em que o Brasil sofre com a escala do preço dos combustíveis fósseis, em meio à guerra no Oriente Médio.
A nova composição da gasolina, com 32% de álcool, terá validade por 180 dias, mas pode ser prorrogada uma vez por igual período.
Com informações da jornalista Daniela Cardoso, do Acorda Cidade
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