
Mais um dos investigados na Operação Sinete, que investiga crimes como grilagem de terras e fraudes fundiárias em Feira de Santana e região, o ex-policial militar e corretor de imóveis também foi liberado do Conjunto Penal. A soltura dele ocorreu na última sexta-feira (31), após passar cerca de oito meses na prisão. Durante as investigações, também foram presos o empresário Oyama Figueiredo e seus três filhos.
De acordo com a denúncia oferecida pelo Ministério Público, ele foi acusado de integrar a organização criminosa e de ser o responsável pelo núcleo de coerção das vítimas. No entanto, o advogado do réu, Antônio Carlos Filho, afirmou em entrevista ao portal Acorda Cidade, que no decorrer do processo ficou demonstrado que o seu cliente foi preso sem elementos concretos que embasassem a acusação.

“Segundo a investigação da polícia, a denúncia oferecida pelo Ministério Público, ele faria parte da organização criminosa que está sendo acusada de grilar terras, de falsificar documentos dessas terras e, mais especificamente falando, meu cliente é visto como o responsável pelo núcleo coercitivo dessa organização criminosa, muito embora ele não conheça, ou melhor, não conhecesse quaisquer das pessoas que também, da mesma forma que ele, foram acusadas pelo cometimento desses crimes”, declarou o advogado.
Ele sustentou que durante a instrução processual houve provas de que o ex-policial realmente não tem nada a ver com essa situação.
“O que foi produzido durante a instrução processual demonstra que, efetivamente, ele não tem nada a ver com essa situação. Até porque as testemunhas indicadas e arroladas pela acusação informam de maneira taxativa não conhecê-lo, nunca terem ouvido falar da pessoa dele, nem da participação dele com toda essa situação que está sendo apurada nesse processo”, argumentou o advogado.
Antônio Carlos Filho disse ainda que outros acusados de liderar a organização criminosa confirmaram desconhecer a participação do ex-policial.
“São pessoas que afirmam, categoricamente, que ele não tem qualquer tipo de envolvimento com toda essa situação. Em um outro braço dessa operação, em um outro desdobramento dessa ação penal, os acusados, tido e havidos como os líderes de toda essa organização criminosa, afirmam de forma também taxativa que não o conheciam. Conheceram ele da imposição do cárcere”, declarou.
O advogado destacou que seu cliente já respondeu a outros processos criminais, porém pagou sua dívida com a sociedade.
“O passado dele é um livro aberto. Ele próprio, hoje na condição de ancião da igreja que frequenta, faz questão de dar o seu testemunho e informar que ele respondeu a processos criminais, processos por homicídio, quando ele ainda fazia parte da segurança pública. Em um desses processos ele foi condenado, cumpriu a pena dele perante a justiça, pagou a dívida dele perante a sociedade.”
Outros investigados liberados da prisão
No dia 17 de junho deste ano, o empresário Oyama Figueiredo, que estava preso desde o dia 26 de novembro de 2025, e seus três filhos também deixaram o Conjunto Penal de Feira de Santana.
Eles foram liberados, após decisão da Justiça, que revogou as prisões preventivas dos investigados no âmbito da Operação Sinete. Todos passaram a responder ao processo em liberdade, mediante o cumprimento de medidas cautelares.
A Operação Sinete
A Operação Sinete, deflagrada no dia 26 de novembro de 2025, teve por objetivo desarticular um grupo criminoso responsável por fraudes documentais, grilagem de terras e lavagem de dinheiro em Feira de Santana e municípios vizinhos.
Durante a ação, foram cumpridos oito mandados de prisão temporária e 47 mandados de busca apreensão.
Durante as diligências, as equipes apreenderam doze carros, duas motocicletas, dinheiro em espécie, joias e diversos documentos. A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 6 milhões por CPF e R$ 60 milhões por CNPJ dos investigados.
Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade.
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