5 de August de 2026
Abuso sexual infantil cresce em Feira de Santana e 80% dos casos envolvem familiares e pessoas conhecidas
Delegada Clécia Vasconcelos | Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

Após deixar os quadros da Polícia Civil da Bahia, devido ao anúncio da sua aposentadoria voluntária no Diário Oficial do Estado da Bahia, a delegada Maria Clécia Vasconcelos revelou nesta quarta-feira (5) em entrevista ao Acorda Cidade que seguirá com novos projetos pessoais, sem deixar de lado a área de Segurança Pública.

Com uma longa trajetória na Polícia Civil, Clécia atuou em Feira de Santana como titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), onde liderou diversas campanhas contra a violência doméstica e de combate ao feminicídio. Após exoneração do cargo, trabalhou como titular da Delegacia para o Adolescente Infrator (DAI), onde também encabeçou diversas mobilizações, levando palestras a escolas da rede estadual.

De acordo com Clécia Vasconcelos, foram mais de 30 anos de prestação de serviço: primeiro, como investigadora da Polícia de Alagoas, e depois como delegada em Feira de Santana, onde atuou por mais de 20 anos.

“Me sinto muito abençoada, muito agraciada em fechar esse ciclo e já na expectativa de começar um novo. Agradeço a oportunidade de dizer a todas as pessoas que eu conheci, que eu tive um contato enquanto a Dra. Clécia, delegada, e que pude ajudar ou que não pude corresponder à expectativa. Agradeço a todos os meus alunos das faculdades aqui de Feira, destaco o papel na educação, o papel expoente de Feira de Santana. É só agradecimento”, declarou.

Somente na Delegacia da Mulher (Deam) foram 13 anos de história, e sua nomeação como titular da DAI gerou diversas reações por parte de mulheres, instituições e até mesmo vereadores, que realizaram protestos pedindo ao governo estadual sua permanência na Deam.

Eu me senti muito útil e Deus me preparou. Depois Ele me colocou na DAI para eu sair daquela caixinha, de ver que o mundo é muito mais complexo e que as dores que afligem a mulher são muito mais difíceis. Lidar com criança e adolescente é muito mais sofrido. Lidar com um indivíduo que tira a pureza e a inocência de uma criança em estupro, com a mãe que é agredida pelo filho usuário de droga”, relatou.

A delegada destacou em seus últimos meses de atuação, precisou lidar com situações ainda mais difíceis, no atendimento às famílias vulneráveis. “Eu acho que foi meu maior desafio esse último, essa última missão, vamos assim dizer, que a Polícia Civil me entregou, e que eu vi: meu Deus, como o mundo precisa resgatar, as pessoas precisam resgatar os valores da condição humana”.

Sua aposentadoria representa o fim de um ciclo, e o começo de outros que lhe darão mais liberdade de atuar defendendo o que ama.

“Eu quero advogar. Eu já estou dando encaminhamento a isso. E agora, vou poder defender as ideias, os posicionamentos com mais liberdade, me posicionar como cidadã, como eleitora. Não vou me dedicar à política, não tenho esse dom, mas eu vou poder me posicionar juntamente com aqueles que têm as mesmas ideias com as quais eu me identifico. Então é liberdade, é me sentir abençoada.”

Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade

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