
O primeiro contato de uma criança com conceitos como respeito, igualdade e empatia acontece, na maioria das vezes, dentro de casa. Em um contexto em que episódios de violência contra a mulher, discursos de ódio e comportamentos misóginos são repercutidos nas redes sociais e no cotidiano, especialistas defendem que a figura paterna exerce um papel decisivo na construção de relações mais saudáveis entre meninos e meninas desde a infância.
Para Thiago Vinicius de Oliveira, coordenador do curso de Psicologia da Universidade Salvador (Unifacs), a forma como os pais se relacionam com os filhos, com as companheiras e com as mulheres em geral influencia diretamente a maneira como crianças e adolescentes compreenderão questões de gênero.
“O pai é uma das primeiras referências masculinas da criança. É por meio das atitudes cotidianas — muito mais do que pelos discursos — que filhos aprendem como tratar as mulheres, lidar com as diferenças e resolver conflitos de forma respeitosa. A educação para a igualdade começa nas pequenas atitudes dentro de casa”, explica o docente.
Segundo Thiago Oliveira, a presença paterna também interfere no desenvolvimento emocional das meninas. Quando elas crescem em um ambiente onde são incentivadas a expressar opiniões, são tratadas com respeito e percebem relações familiares baseadas no diálogo, tendem a desenvolver maior autoestima, segurança e autonomia.
Para os meninos, o aprendizado também passa pela desconstrução de estereótipos. Demonstrar afeto, falar sobre sentimentos, dividir tarefas domésticas, respeitar limites e compreender que homens e mulheres possuem os mesmos direitos são experiências que contribuem para a formação de adultos mais empáticos e menos propensos a reproduzir comportamentos machistas.
“O combate à misoginia não acontece apenas quando ela já está instalada. Ele começa na infância, quando mostramos às crianças que meninas e meninos merecem as mesmas oportunidades, o mesmo respeito e a mesma escuta. O exemplo dos pais tem um peso enorme nesse processo”, destaca o especialista.
Outro aspecto importante é a forma como o pai conduz conversas sobre emoções. Durante muito tempo, os homens foram incentivados a esconder o que sentem, associando masculinidade à força, à indiferença ou à agressividade. Hoje, estudos mostram que crianças que crescem em ambientes onde a conversa é estimulada desenvolvem maior inteligência emocional, capacidade de solucionar desentendimentos e respeito pelas diferenças.
Mais do que ensinar por palavras, especialistas reforçam que os filhos observam comportamentos diariamente. A maneira como o pai divide as responsabilidades da casa, trata a parceira, conversa com familiares, considera opiniões diferentes e reage às frustrações acaba servindo como modelo para as futuras relações que seus filhos construirão. Desse modo, este Dia dos Pais convida a uma reflexão que vai além das homenagens.
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