
A diretora da APLB de Feira de Santana, Marlede Oliveira, denunciou na manhã desta quarta-feira (12), durante discurso na Câmara de Vereadores, que os professores da rede municipal estão sofrendo perseguição por parte da prefeitura, devido às recentes paralisações.
De acordo com Marlede, na Tribuna Livre da Casa Legislativa, às vésperas da paralisação, o secretário de Educação, Pablo Roberto, realizou uma reunião online para pressionar os diretores das escolas a colocarem faltas nos professores que aderirem à mobilização.

“O diretor de escola agora, o governo tirou a lei. É a lei do chicote no lombo da categoria. Ele bota quem quer e tira o dia que quer. Aí ele ameaçou ontem. Disse às diretoras que é para botar falta. Quer dizer: não cumpriu o acordo, mas ainda persegue. Porque a gente precisa resolver o problema. Se tivesse resolvido, a gente estava parado hoje”, protestou a sindicalista.
Ela reforçou que após a mudança na legislação municipal que rege a escolha dos diretores e vice-diretores das escolas, com a exclusão da eleição direta, a categoria estaria vivendo um caos, e que a diretora de uma escola do bairro Campo do Gado foi demitida em virtude de sua participação em um protesto.
“E a gente aqui, se fizer um dia de paralisação, é ameaçado. Teve uma demissão na semana passada. No dia 23, nós fizemos a paralisação, e fomos lá para o CEAF para cobrar a resposta. Aí uma das diretoras da escola estava lá na manifestação. Ela tinha o direito, ela é diretora de escola, mas é professora. Aí demitiram ela. Nós estamos vivendo aqui o coronelismo. Quer dizer, não pode fazer paralisação, que é punido. Não pode fazer manifestação, que está chamando a atenção. Quem estiver em qualquer lugar, que tiver um cargo, vai ser demitido”, afirmou.
Marlede Oliveira que apesar das tentativas de intimidações a categoria irá se reunir nesta terça-feira (12) com o secretário de Educação, para cobrar o cumprimento do acordo judicial.
“O sindicato nosso é resistente de luta. Vamos hoje, paralisamos com ameaça, contudo mantivemos a nossa paralisação. E vamos hoje de tarde para a audiência e espero que tenha a resposta da nossa pauta. Porque o que nós queremos é uma resposta. Foram quatro audiências, mas não tem resposta.”
Secretário nega perseguições, mas confirma demissão de diretora escolar
Questionado sobre as recentes acusações feita pela APLB na Câmara Municipal, o secretário Pablo Roberto negou que haja perseguição.
“Quem me conhece sabe que o meu perfil não é de perseguir quem quer que seja. Quem tem tido a oportunidade de trabalhar comigo ao longo desses 18 meses em que eu estou à frente da Secretaria Municipal de Educação, sabe qual é o meu estilo de trabalho. Eu sou do diálogo, eu sou da conversa.”

Segundo Pablo Roberto, a diretora da APLB estaria tentando interferir na gestão da Seduc.
“A professora Marlede me ligou falando sobre essa questão de ter feito reunião, e eu pedi que ela não tentasse fazer nenhum tipo de interferência na gestão, porque ela não faz parte da gestão, ela faz parte do sindicato. E eu respeito o papel do sindicato, mas ela precisa respeitar o meu papel enquanto governo, secretário nesse momento. Não é bom para nossa relação ela tentar fazer qualquer tipo de intervenção, de ingerência na gestão da pasta da Secretaria Municipal de Educação.”
O secretário confirmou que ligou para todos os diretores das escolas para informar sobre a liminar do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), que determina regras para as paralisações.
“70% das escolas devem estar funcionando e 30%, se desejarem, podem aderir. Então eu fiz uma reunião com todos os gestores das unidades escolares e falei com eles, passei para eles quais seriam, mandei um ofício, para que pudesse ficar registrado também via e-mail, passando as orientações. Todas aquelas escolas que aderiram à paralisação, o diretor teria 24 horas para informar à Secretaria quantos professores aderiram, quantos não aderiram.”
O secretário frisou que a decisão do TJ pede tais esclarecimentos. “Nós não temos nenhum motivo nesse momento para a paralisação. Porque nós estamos em uma mesa de negociação com a APLB. Inclusive, nós vamos suspender as negociações caso ocorra mais um movimento da APLB, mais um descumprimento da decisão judicial da APLB e em insistir em ficar todos os dias suspendendo aula e prejudicando milhares de alunos.”
Diretores são cargo de confiança, confirma secretário
O gestor da pasta esclareceu ainda que, de acordo com a legislação atual, o cargo de diretor é de confiança e de livre escolha do chefe do Poder Executivo.
“Claro que nós adotamos critérios para isso, nós fizemos uma seleção e nós convocamos, já que a orientação do MEC determina, e no que diz respeito à condicionalidade, nós estamos fazendo as indicações normais. No meu entendimento, quando um gestor assume a responsabilidade, ele aceita um cargo de confiança, deve seguir as orientações da Secretaria. E a orientação da Secretaria é que, quando ocorrer paralisações, sinalização de paralisação no município, o gestor deve ser um elo de diálogo com os professores, conversar com gestores, ajudar a gestão, encontrar alternativas para manter a escola funcionando.”
Ele disse também que em relação à diretora que foi exonerada do cargo, houve razões da secretaria para isso.
“Eu não vou entrar mais nesse mérito, porque é caso superado, nós fizemos a exoneração porque nós tivemos motivo para isso. E outra, da mesma forma que nós convidamos o gestor aqui para ser diretor, nós apresentamos a realidade da escola, qual é a nossa proposta, o nosso objetivo, o que é que nós precisamos fazer juntos para, para melhorar a educação, e ele aceita. Se ele foge disso, não tem mais sentido ele continuar como diretor de escola. Ele volta para a sala de aula e vai fazer o movimento que ele quiser fazer.
Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade
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