13 de August de 2026
Professores mantêm estado de greve após assembleia e cobram cumprimento do piso em Feira de Santana
Foto: Paulo José/Acorda Cidade

A diretora da APLB de Feira de Santana, Marlede Oliveira, denunciou na manhã desta quarta-feira (12), durante discurso na Câmara de Vereadores, que os professores da rede municipal estão sofrendo perseguição por parte da prefeitura, devido às recentes paralisações.

A categoria deflagrou uma nova paralisação nesta terça-feira (12) para cobrar o cumprimento de um acordo judicial feito com o governo municipal e a ampliação do diálogo sobre a pauta de reivindicações.

De acordo com Marlede, na Tribuna Livre da Casa Legislativa, às vésperas da paralisação, o secretário de Educação, Pablo Roberto, realizou uma reunião online para pressionar os diretores das escolas a colocarem faltas nos professores que aderirem à mobilização.

Marlede Oliveira, presidente da APLB Sindicato
Marlede Oliveira, presidente da APLB Sindicato | Foto: Paulo José/ Acorda Cidade

“O diretor de escola agora, o governo tirou a lei. É a lei do chicote no lombo da categoria. Ele bota quem quer e tira o dia que quer. Aí ele ameaçou ontem. Disse às diretoras que é para botar falta. Quer dizer: não cumpriu o acordo, mas ainda persegue. Porque a gente precisa resolver o problema. Se tivesse resolvido, a gente estava parado hoje”, protestou a sindicalista.

Ela reforçou que após a mudança na legislação municipal que rege a escolha dos diretores e vice-diretores das escolas, com a exclusão da eleição direta, a categoria estaria vivendo um caos, e que a diretora de uma escola do bairro Campo do Gado foi demitida em virtude de sua participação em um protesto.

“E a gente aqui, se fizer um dia de paralisação, é ameaçado. Teve uma demissão na semana passada. No dia 23, nós fizemos a paralisação, e fomos lá para o CEAF para cobrar a resposta. Aí uma das diretoras da escola estava lá na manifestação. Ela tinha o direito, ela é diretora de escola, mas é professora. Aí demitiram ela. Nós estamos vivendo aqui o coronelismo. Quer dizer, não pode fazer paralisação, que é punido. Não pode fazer manifestação, que está chamando a atenção. Quem estiver em qualquer lugar, que tiver um cargo, vai ser demitido”, afirmou.

Marlede Oliveira que apesar das tentativas de intimidações a categoria irá se reunir nesta terça-feira (12) com o secretário de Educação, para cobrar o cumprimento do acordo judicial.

“O sindicato nosso é resistente de luta. Vamos hoje, paralisamos com ameaça, contudo mantivemos a nossa paralisação. E vamos hoje de tarde para a audiência e espero que tenha a resposta da nossa pauta. Porque o que nós queremos é uma resposta. Foram quatro audiências, mas não tem resposta.”

Secretário nega perseguições, mas confirma demissão de diretora escolar

Questionado sobre as recentes acusações feita pela APLB na Câmara Municipal, o secretário Pablo Roberto negou que haja perseguição.

“Quem me conhece sabe que o meu perfil não é de perseguir quem quer que seja. Quem tem tido a oportunidade de trabalhar comigo ao longo desses 18 meses em que eu estou à frente da Secretaria Municipal de Educação, sabe qual é o meu estilo de trabalho. Eu sou do diálogo, eu sou da conversa.”

Secretário de Educação Pablo Roberto
Foto: Ney Silva/Acorda Cidade

Segundo Pablo Roberto, a diretora da APLB estaria tentando interferir na gestão da Seduc.

“A professora Marlede me ligou falando sobre essa questão de ter feito reunião, e eu pedi que ela não tentasse fazer nenhum tipo de interferência na gestão, porque ela não faz parte da gestão, ela faz parte do sindicato. E eu respeito o papel do sindicato, mas ela precisa respeitar o meu papel enquanto governo, secretário nesse momento. Não é bom para nossa relação ela tentar fazer qualquer tipo de intervenção, de ingerência na gestão da pasta da Secretaria Municipal de Educação.”

O secretário confirmou que ligou para todos os diretores das escolas para informar sobre a liminar do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), que determina regras para as paralisações.

“70% das escolas devem estar funcionando e 30%, se desejarem, podem aderir. Então eu fiz uma reunião com todos os gestores das unidades escolares e falei com eles, passei para eles quais seriam, mandei um ofício, para que pudesse ficar registrado também via e-mail, passando as orientações. Todas aquelas escolas que aderiram à paralisação, o diretor teria 24 horas para informar à Secretaria quantos professores aderiram, quantos não aderiram.”

O secretário frisou que a decisão do TJ pede tais esclarecimentos. “Nós não temos nenhum motivo nesse momento para a paralisação. Porque nós estamos em uma mesa de negociação com a APLB. Inclusive, nós vamos suspender as negociações caso ocorra mais um movimento da APLB, mais um descumprimento da decisão judicial da APLB e em insistir em ficar todos os dias suspendendo aula e prejudicando milhares de alunos.”

Diretores são cargo de confiança, confirma secretário

O gestor da pasta esclareceu ainda que, de acordo com a legislação atual, o cargo de diretor é de confiança e de livre escolha do chefe do Poder Executivo.  

Claro que nós adotamos critérios para isso, nós fizemos uma seleção e nós convocamos, já que a orientação do MEC determina, e no que diz respeito à condicionalidade, nós estamos fazendo as indicações normais. No meu entendimento, quando um gestor assume a responsabilidade, ele aceita um cargo de confiança, deve seguir as orientações da Secretaria. E a orientação da Secretaria é que, quando ocorrer paralisações, sinalização de paralisação no município, o gestor deve ser um elo de diálogo com os professores, conversar com gestores, ajudar a gestão, encontrar alternativas para manter a escola funcionando.”

Ele disse também que em relação à diretora que foi exonerada do cargo, houve razões da secretaria para isso.

“Eu não vou entrar mais nesse mérito, porque é caso superado, nós fizemos a exoneração porque nós tivemos motivo para isso. E outra, da mesma forma que nós convidamos o gestor aqui para ser diretor, nós apresentamos a realidade da escola, qual é a nossa proposta, o nosso objetivo, o que é que nós precisamos fazer juntos para, para melhorar a educação, e ele aceita. Se ele foge disso, não tem mais sentido ele continuar como diretor de escola. Ele volta para a sala de aula e vai fazer o movimento que ele quiser fazer.

Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade

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