20 de August de 2026
Presidente de instituto social pede apoio na Câmara de Feira de Santana para custear viagens de bailarinas
Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

A professora Cleide Santos, presidente do instituto social “A Dança Salva Vidas”, esteve, nesta quinta-feira (20), na Câmara Municipal de Feira de Santana para pedir apoio aos vereadores e da sociedade civil para custear as despesas das viagens das bailarinas. 

Ao Acorda Cidade, Cleide explicou que as bailarinas do instituto já foram para Santa Catarina, Ceará, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Argentina e, mais recentemente, Portugal. 

Segundo ela, a bailarina Manuela Sampaio, que estava em Portugal e conquistou sete bolsas internacionais, está com mais duas viagens marcadas: no dia 28 de agosto, para o Rio de Janeiro, e no dia 3 de novembro, para os Estados Unidos. 

“A gente veio pedir ajuda, porque recentemente a gente chegou de Portugal com a nossa bailarina Manuela. Agora ela foi selecionada para participar do maior festival no Rio. A gente está indo agora dia 28 de agosto, retornando dia 2 de setembro, mas dia 3 de novembro, a gente tem o maior desafio, que é ir para os Estados Unidos, onde elas também conquistaram uma bolsa internacional.”

Cleide Santos
Cleide Santos | Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

A equipe retorna no dia 23 de novembro. Com isso, a professora explicou que estão precisando de cerca de R$ 42 mil para custear todo o processo. Cleide então buscou ajuda na Câmara, tentando apoio dos vereadores. 

Manuela chegou de Portugal há uns 15 dias, onde conquistou sete bolsas internacionais e participou da maior seleção de uma renomada companhia, a Ópera de Paris, na qual obteve o primeiro lugar. E, para que ela complete esse cronograma e chegue ao seu destino final, a gente precisa muito do apoio de vocês. A gente não tem verba, não tem emenda parlamentar. A gente luta. E, se Deus assim permitir, vamos completar todo o nosso cronograma e, quando for em dezembro do ano que vem, Manuela Sampaio fica no destino dela final, que é em Miami, na Ópera de Paris.”

Cleide contou que a viagem do Rio de Janeiro está sendo custeada por meio de uma rifa, bem como com o apoio de empresários do município de Itatim. 

“Rio de Janeiro, a gente tá com quase tudo já pago, faltando só a hospedagem. Mas a nossa maior preocupação está sendo agora em novembro, os Estados Unidos, que está em torno de R$ 42 mil para a gente chegar.”

Presidente de instituto social pede apoio na Câmara de Feira de Santana para custear viagens de bailarinas
Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

O “A Dança Salva Vidas” é composto por cerca de 60 crianças em Feira de Santana. No entanto, a presidente destacou que o instituto cresceu e conta atualmente com sedes em Conceição do Jacuípe, Tiquaruçu, Conceição da Feira, Irará, Água Fria e Itatim, que começou as atividades no ano passado com 30 crianças e hoje tem 200 inscritos.

Eu sei que Deus não vai deixar que esse projeto feche a porta. Eu quero convidar todos vocês a visitarem a nossa sede. Fica na Rua da Concórdia, número 2033, no Caseb. E não só escutar essa pró, que sonha que esse projeto se torne referência, escutar cada família e ver a importância dele. Quando eu escolhi o nome ‘A Dança Salva Vidas’, é porque eu acreditava e acredito que ela transforma realmente a vida, como tá transformando a vida de Manuela, de Ivana, de tantas outras, e da Melissa Kelly, que já se encontra no Rio de Janeiro, sendo preparada para ir para a França agora em setembro.”

Os interessados em ajudar o “A Dança Salva Vidas” podem entrar em contato por meio do WhatsApp, no número (75) 9 8332-3848, ou pelo Instagram, no @stcleidesantos.

Bailarina destaca a importância da dança

A bailarina Manuela Sampaio também esteve na Câmara. Ao Acorda Cidade, ela contou que faz ballet desde os dois anos. Aos cinco anos, a mãe de Manuela faleceu e ela encontrou um refúgio na dança.

Desde os dois anos eu faço ballet com a pró Cleide, e, com cinco anos, quando a criança começa a ter entendimento do mundo mais ou menos, eu comecei a dizer que eu queria sempre fazer ginástica, sempre, e eu não sabia ainda que isso poderia se tornar uma profissão. Quando eu fui crescendo, eu fui entendendo que, além da profissão, ser ginasta vai como profissão, como arte, como forma de se expressar, de dizer os seus sentimentos.”

De acordo com Manuela, a perda da mãe, que era seu apoio, foi muito grande, e a dança a fez mostrar o que ela não conseguia expressar com palavras. 

“Eu consegui mostrar o que eu não conseguia falar com palavras; eu consegui mostrar com a dança. Depois disso, eu nunca mais parei de dançar, porque parece que são só passos, mas para as bailarinas é algo muito grandioso. Ser preparada para ir para o Rio de Janeiro é o meu maior sonho, porque eu sempre quis ser isso que eu sou hoje.”

Manuela Sampaio
Manuela Sampaio | Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

Manuela também falou sobre as dificuldades com a rotina pesada e intensa, com treinos de segunda a sábado. Mas, apesar do cansaço e das dores, ela destacou como é prazeroso ver o resultado. 

A gente sempre está numa rotina pesada, intensa. Só sabe quem acompanha de perto. Por exemplo, eu faço hoje de segunda a sábado, mas antes eu tinha etapas mais leves, e agora a gente está numa das últimas etapas, chegando nas viagens mais distantes. Então, eu posso dizer que não é fácil. Nada é fácil. Dá muita vontade de desistir, mas quem tem foco e força vai até o final. E eu não pretendo desistir tão facilmente. Não desisti até hoje. Não é agora que eu vou. São etapas grandes, dolorosas às vezes a gente machuca os pés quando é sapatilha de ponta, mas é algo prazeroso quando você vê o resultado.”

A bailarina também disse que as aulas de ballet a ajudaram não apenas com a saúde física, a disposição, as notas da escola e a melhorar sua autoestima, mas também psicologicamente, principalmente após a perda da mãe. 

Trazendo para a parte sentimental, melhorou muito o meu controle emocional, o meu psicológico. Depois da minha perda, eu estava muito abalada, mas, depois da dança, meu pai mesmo me falou que, depois da dança, eu melhorei muito. Os meus parentes ficaram muito surpresos com a minha melhora, porque eu praticamente não fiz apoio psicológico, porque a dança me refugiou muito, a dança me ajudou muito.”

Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade

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