
A presença digital deixou de ser apenas uma alternativa de divulgação e passou a fazer parte da rotina de empresas de diferentes tamanhos. Assim, criar conteúdos relevantes pode ajudar um negócio a ser encontrado, explicar seus produtos e serviços, estabelecer relacionamento com potenciais clientes e apoiar decisões de compra. No Brasil, aproximadamente 166 milhões de pessoas com 10 anos ou mais eram usuárias de internet em 2024, o equivalente a 89% desta população, segundo a TIC Domicílios.
A dimensão desse público ajuda a explicar por que estratégias de conteúdo ganharam espaço entre empresas que desejam ampliar sua presença online. Ao mesmo tempo, estar na internet não significa automaticamente conquistar clientes. É preciso entender quem se pretende alcançar, escolher os canais adequados e produzir materiais que tenham alguma utilidade para o público.
Por que criar conteúdos é importante para um negócio?
A internet reúne diferentes momentos da jornada de consumo. Uma pessoa pode descobrir uma empresa por uma publicação em uma rede social, pesquisar informações no Google, assistir a um vídeo sobre determinado produto e, posteriormente, entrar em contato pelo WhatsApp.
Os dados da TIC Domicílios 2024 mostram a força desses comportamentos. Entre os usuários de internet brasileiros, 81% afirmaram utilizar redes sociais, enquanto 77% disseram assistir a vídeos, programas, filmes ou séries pela internet. Além disso, 46% acompanharam transmissões de áudio ou vídeo em tempo real ou lives.
| Atividade realizada por usuários de internet no Brasil | Percentual |
| Uso de redes sociais | 81% |
| Assistir a vídeos, programas, filmes ou séries | 77% |
| Acompanhar lives | 46% |
| Ouvir podcasts | 34% |
| Ler jornais, revistas ou notícias | 55% |
Fonte: TIC Domicílios 2024, Cetic.br.
Os números mostram que o público está distribuído por diferentes formatos de informação. Por isso, uma estratégia de conteúdo não precisa depender exclusivamente de textos ou publicações promocionais. Vídeos, imagens, guias, perguntas frequentes, demonstrações e materiais educativos podem cumprir funções diferentes dentro da comunicação de uma marca.
O próprio Sebrae recomenda que pequenos negócios definam objetivos, conheçam as características de cada rede social e priorizem os canais nos quais seus clientes realmente estão. A orientação também destaca a importância de priorizar qualidade em vez de simplesmente aumentar o volume de publicações.
5 dicas para criar conteúdos que ajudam a alavancar um negócio
1. Conheça o público antes de escolher o que publicar
O primeiro passo para criar conteúdos é entender para quem a empresa está falando. Isso envolve mais do que identificar uma faixa etária. É importante observar dúvidas recorrentes, necessidades, hábitos de consumo, localização, interesses e dificuldades relacionadas ao produto ou serviço oferecido.
Uma loja de roupas, por exemplo, pode produzir conteúdos sobre combinação de peças, conservação das roupas e tendências. Já uma empresa de serviços pode responder dúvidas frequentes, explicar etapas do atendimento ou apresentar situações em que sua solução é útil.
O objetivo não é transformar cada publicação em uma oferta. O conteúdo também pode cumprir a função de esclarecer, orientar e ajudar o consumidor a tomar uma decisão.
Essa lógica é especialmente relevante porque os consumidores utilizam diferentes canais durante a jornada digital. Na TIC Domicílios 2024, 41% dos usuários que compraram produtos ou serviços pela internet disseram ter encontrado anúncios em posts de redes sociais, enquanto 49% foram expostos a vídeos na internet sobre produtos ou serviços.
2. Transforme dúvidas reais em pautas
Uma das maneiras mais simples de criar conteúdos relevantes é observar as perguntas que os clientes fazem todos os dias.
Comentários em redes sociais, mensagens recebidas pelo WhatsApp, perguntas durante o atendimento e dúvidas apresentadas antes de uma compra podem se transformar em pautas. Dessa forma, a empresa deixa de depender exclusivamente de ideias criativas e passa a produzir materiais baseados em situações reais.
Algumas perguntas podem gerar conteúdos como:
- Como escolher determinado produto?
- Qual é a diferença entre as duas opções?
- Como utilizar ou conservar um item?
- Quanto tempo leva determinado serviço?
- Quais cuidados devem ser tomados antes da compra?
- Quais erros são comuns nesse processo?
- O que o consumidor deve observar antes de contratar?
Esse tipo de abordagem também pode contribuir para a busca orgânica, porque aproxima o conteúdo da linguagem utilizada pelas pessoas quando procuram respostas nos mecanismos de pesquisa.
Criar conteúdos para responder perguntas específicas também permite construir uma biblioteca de informações que pode continuar recebendo acessos depois da publicação. Isso não significa que todo conteúdo terá desempenho permanente, mas materiais úteis e bem estruturados podem ter vida útil maior do que uma publicação criada apenas para acompanhar uma tendência momentânea.
3. Use diferentes formatos, principalmente quando eles facilitarem a compreensão
Nem todo assunto precisa ser apresentado da mesma maneira. Uma explicação mais detalhada pode funcionar melhor em um artigo, enquanto uma demonstração pode ser mais clara em vídeo.
A produção audiovisual ganhou importância justamente porque o consumo desse formato é expressivo no país. Segundo a TIC Domicílios 2024, 77% dos usuários de internet assistiram a vídeos, programas, filmes ou séries pela internet. Entre os usuários que compraram produtos ou serviços online, 49% afirmaram ter encontrado vídeos na internet sobre produtos ou serviços.
Para pequenos negócios, isso não significa necessariamente investir em equipamentos profissionais ou em grandes produções. Um vídeo curto pode apresentar um produto, mostrar uma etapa do serviço, responder a uma pergunta ou demonstrar uma funcionalidade.
Ferramentas de inteligência artificial também podem fazer parte desse processo. Quem deseja gerar video com IA pode transformar descrições textuais ou imagens em vídeos e utilizá-los como ponto de partida para conteúdos de redes sociais, apresentações de produtos e materiais de marketing. O Adobe Firefly, por exemplo, oferece recursos de texto para vídeo e imagem para vídeo.
A tecnologia, porém, não substitui a definição do objetivo do conteúdo. Um vídeo produzido rapidamente ainda precisa ter uma mensagem compreensível, informações corretas e relação direta com o público da empresa.
4. Adapte o conteúdo para cada canal
Publicar exatamente o mesmo material em todas as plataformas pode reduzir a eficiência da estratégia. Cada canal possui características próprias e pode ser utilizado para uma etapa diferente da comunicação.
Um artigo no blog pode aprofundar um assunto e trabalhar termos pesquisados nos mecanismos de busca. Um vídeo curto pode resumir uma informação. Uma publicação em rede social pode estimular comentários. Já o WhatsApp pode ser utilizado para relacionamento e atendimento.
Os dados sobre vendas online reforçam a importância dessa combinação. Entre os usuários de internet que venderam produtos ou serviços pela internet nos 12 meses anteriores à pesquisa TIC Domicílios 2024, 73% utilizaram redes sociais como Facebook, Instagram ou TikTok, enquanto 55% utilizaram aplicativos de mensagens como WhatsApp ou Telegram.
Isso não significa que uma empresa precise estar presente em todas as plataformas. O Sebrae recomenda justamente identificar onde o público está e concentrar esforços nos canais mais adequados ao negócio.
Uma estratégia mais eficiente pode ser criar um conteúdo principal e adaptá-lo. Um artigo pode originar um roteiro para vídeo, uma sequência de stories, uma publicação com os principais pontos e uma resposta para uma dúvida frequente dos clientes.
5. Acompanhe os resultados e ajuste a estratégia
Criar conteúdos sem analisar os resultados torna difícil saber o que realmente está funcionando.
As métricas escolhidas devem estar relacionadas ao objetivo da publicação. Se a intenção é ampliar o alcance, visualizações e impressões podem ser relevantes. Se o objetivo é gerar relacionamento, comentários, compartilhamentos e respostas podem oferecer informações mais úteis. Para vendas, é necessário observar indicadores ligados a contatos, acessos às páginas de produto, solicitações de orçamento e conversões.
O Sebrae também destaca a utilização de métricas e indicadores para apoiar decisões relacionadas à presença digital dos pequenos negócios.
Não existe um número universal de curtidas, visualizações e compartilhamentos que determine o sucesso de um conteúdo. O desempenho precisa ser interpretado de acordo com o objetivo definido e com o contexto do negócio.
Por isso, uma publicação com muitas visualizações não deve ser considerada automaticamente mais importante do que outra que gerou poucos acessos, mas trouxe clientes qualificados.
Como criar conteúdos para vender mais sem transformar tudo em propaganda?
Um dos principais desafios do marketing de conteúdo é equilibrar informação e promoção.
Se todas as publicações apresentam apenas produtos, preços ou descontos, o público pode ter poucos motivos para acompanhar o perfil ou acessar o blog regularmente. Por outro lado, uma estratégia que nunca apresenta a empresa ou seus produtos pode ter dificuldade para contribuir diretamente com as vendas.
Uma alternativa é trabalhar diferentes etapas da jornada do consumidor.
No início, os conteúdos podem apresentar informações educativas e ajudar o público a reconhecer uma necessidade. Em uma etapa intermediária, comparativos, tutoriais, demonstrações e perguntas frequentes podem ajudar na avaliação das alternativas. Mais perto da decisão, conteúdos sobre diferenciais, condições comerciais, depoimentos e formas de contratação podem apoiar a conversão.
A própria dinâmica das compras online mostra que diferentes pontos de contato podem participar desse processo. Entre os brasileiros que compraram produtos ou serviços pela internet, 49% relataram exposição a anúncios em sites ou aplicativos e outros 49% a vídeos na internet sobre produtos ou serviços.
O conteúdo, portanto, pode funcionar como uma ponte entre descoberta, consideração e decisão, mas não há evidência de que uma única publicação seja responsável por toda a venda.
Quais conteúdos uma pequena empresa pode produzir?
Não é necessário começar com um calendário complexo. Uma empresa pode organizar sua produção a partir de cinco categorias:
| Tipo de conteúdo | Objetivo principal | Exemplo |
| Educativo | Ensinar ou esclarecer | Guia para escolher um produto |
| Demonstrativo | Mostrar como algo funciona | Vídeo de uso de um serviço |
| Institucional | Apresentar a empresa | História e bastidores do negócio |
| Comparativo | Apoiar uma decisão | Diferenças entre duas soluções |
| Relacionamento | Estimular interação | Perguntas e respostas |
A combinação desses formatos permite trabalhar diferentes necessidades sem transformar toda a comunicação em publicidade direta. O importante é adaptar os exemplos à realidade da empresa e verificar quais temas despertam maior interesse do público.
O Sebrae também aponta que a rotina dos próprios negócios pode se transformar em matéria-prima para conteúdos digitais, especialmente para empreendedores que precisam produzir com recursos limitados.
Conteúdo precisa estar ligado a uma estratégia maior
Criar conteúdos pode aumentar a visibilidade de uma empresa, mas não resolve sozinho problemas de preço, atendimento, logística, produto ou experiência do consumidor.
A presença digital funciona melhor quando está conectada às demais áreas do negócio. Um conteúdo pode gerar interesse, mas o consumidor ainda precisará encontrar informações claras, conseguir contato com a empresa e receber um atendimento compatível com a expectativa criada pela comunicação.
O cenário brasileiro também mostra que os canais digitais já participam diretamente das atividades comerciais. Entre os usuários que venderam produtos ou serviços pela internet em 2024, 73% utilizaram redes sociais e 55% recorreram a aplicativos de mensagens.
Para o pequeno empreendedor, isso reforça a necessidade de pensar na presença digital como um conjunto. Conteúdo, atendimento, canais de venda e relacionamento precisam funcionar de maneira coerente.
Criar conteúdos para alavancar um negócio na internet não significa publicar todos os dias ou tentar acompanhar cada tendência das redes sociais. Uma estratégia mais consistente começa pelo conhecimento do público, transforma dúvidas reais em pautas, utiliza formatos adequados, adapta a comunicação aos canais e acompanha os resultados.
Os dados da TIC Domicílios 2024 mostram um ambiente digital amplo, com 89% da população de 10 anos ou mais utilizando a internet e 81% dos usuários presentes nas redes sociais. Vídeos também ocupam espaço relevante nesse comportamento, sendo consumidos por 77% dos usuários de internet pesquisados.
Esses números ajudam a dimensionar a oportunidade, mas não permitem afirmar que determinado formato ou frequência de publicação funcionará para todas as empresas. Os resultados dependem do setor, do público, da qualidade da comunicação, da oferta e da capacidade de transformar atenção em relacionamento e, posteriormente, em negócio.
Por isso, o caminho mais seguro é começar com objetivos claros, testar formatos, analisar dados e aprimorar a estratégia ao longo do tempo. A internet oferece alcance, mas é a relevância do conteúdo, combinada a uma operação preparada para atender o público, que pode transformar a presença digital em resultado para a empresa.
Siga o Acorda Cidade no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Participe também dos nossos canais no WhatsApp e YouTube e grupo de Telegram.