28 de August de 2026
Do cigarro ao vape: nova geração mantém alerta sobre dependência de nicotina
Foto: Magnific

O combate ao tabagismo no Brasil produziu resultados importantes nas últimas décadas, mas uma mudança no perfil de consumo coloca um novo desafio para a saúde pública: a popularização dos cigarros eletrônicos entre adolescentes. Na Bahia, a proporção de estudantes de 13 a 17 anos que já experimentaram esses dispositivos mais que dobrou entre 2019 e 2024, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), do IBGE.

Para Alina Farias Franca, pneumologista da Clínica SiM, o crescimento exige atenção porque a mudança na aparência e no funcionamento do produto pode criar uma falsa sensação de segurança. “O cigarro eletrônico não deve ser encarado simplesmente como uma versão moderna ou menos prejudicial do cigarro. O ponto central é que muitos desses dispositivos fornecem nicotina, uma substância com alto potencial de dependência. Quando o contato começa na adolescência, existe uma preocupação ainda maior com a manutenção desse consumo ao longo do tempo”, explica.

No estado, o percentual passou de 9,6% em 2019 para 21,2% em 2024. Em Salvador, o indicador chegou a 17,7% em 2024, contra 14,6% cinco anos antes. O movimento acompanha uma tendência nacional. No Brasil, a proporção de adolescentes de 13 a 17 anos que já experimentaram cigarro eletrônico saltou de 16,8% para 29,6% entre 2019 e 2024. No Nordeste, chegou a 22,5%.

Ao mesmo tempo em que os dispositivos eletrônicos avançam entre os jovens, o cigarro convencional vem perdendo espaço. No Brasil, a proporção de estudantes de 13 a 17 anos que já experimentaram cigarro caiu de 22,6% em 2019 para 18,5% em 2024.

Entre adultos, o Vigitel (Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) também mostra uma redução histórica: a prevalência de fumantes nas capitais e no Distrito Federal passou de 15,7% em 2006 para 11,5% em 2024. Em Salvador, o Vigitel 2023 registrou 7,1% de adultos fumantes.

Para a especialista, os números mostram que as políticas de controle do tabaco funcionaram, mas precisam acompanhar as mudanças no mercado de produtos de nicotina.

“A queda do cigarro convencional é uma conquista importante. O desafio agora é não permitir que essa redução seja acompanhada pela entrada de novos consumidores por outros produtos. A prevenção precisa considerar as formas atuais de exposição à nicotina”, afirma Franca.

A especialista alerta que não existe um momento exato em que o adolescente “vira fumante”. A dependência pode ser construída gradualmente, a partir da repetição do consumo. Entre os sinais que merecem atenção estão a necessidade frequente de utilizar o produto, irritabilidade ou ansiedade quando não é possível consumi-lo, dificuldade para passar períodos sem nicotina e tentativas frustradas de parar.

“Pais e responsáveis precisam prestar atenção não apenas ao cigarro convencional, mas também a dispositivos eletrônicos, acessórios e mudanças de comportamento. O diálogo é mais efetivo quando acontece sem julgamento, porque o objetivo é identificar o problema cedo e facilitar a busca por ajuda”, orienta a pneumologista.

Procurar ajuda faz parte do tratamento

O acompanhamento especializado pode avaliar o histórico de consumo, o grau de dependência, sintomas respiratórios e outros fatores de risco. Quando necessário, o tratamento pode combinar estratégias comportamentais e medicamentosas.

“O paciente não precisa esperar desenvolver uma doença respiratória para procurar um pneumologista. O acompanhamento também pode ser preventivo e ajudar a interromper o consumo antes que as consequências se tornem mais graves”, destaca.

No Dia Nacional de Combate ao Fumo, 29 de agosto, o alerta ganha uma nova dimensão: combater o tabagismo significa não apenas estimular quem fuma a parar, mas também evitar que adolescentes desenvolvam dependência de nicotina por meio de produtos que podem parecer menos nocivos.

Serviço:

Para mais informações sobre a Clínica SiM e seus serviços, acesse o site www.clinicasim.com ou entre em contato pelo telefone 0800 357 6060.

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