29 de August de 2026
Tabagismo e consumo excessivo de bebidas alcoolicas pode comprometer fertilidade masculina_Foto Freepik 01
Foto: Reprodução/ Freepik

Neste sábado (29), é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Fumo, data que reforça um alerta importante de que o tabagismo é uma doença crônica, mas possível de ser tratada por meio de apoio e acompanhamento especializado. Em Feira de Santana, a Prefeitura mantém um programa gratuito de tratamento e acompanhamento para quem quer abandonar o cigarro. 

A enfermeira Mariana Rios, coordenadora do Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e outras Drogas (Caps-AD), explicou, em entrevista ao Acorda Cidade, que o serviço da unidade acolhe usuários abusivos de qualquer substância, como o cigarro. 

O serviço aqui é do Sistema Único de Saúde, nós acolhemos usuários abusivos de qualquer substância psicoativa, seja ela lícita ou ilícita, e nós temos o cigarro, que é uma droga lícita. Então esse usuário que mora em Feira de Santana pode vir ao Caps-AD para iniciar esse atendimento.”

Sobre o Caps-AD

Segundo ela, o serviço do Caps-AD é oferecido para os moradores de Feira de Santana, tanto por demanda espontânea quanto por demanda encaminhada.

Esse serviço é oferecido para quem mora em Feira de Santana. O atendimento é demanda espontânea, qualquer munícipe de Feira de Santana pode vir ao CAPS-AD, então as portas são abertas, mas também pode vir por uma demanda encaminhada, seja da própria saúde, da educação, da assistência social, ou de um atendimento particular que esse munícipe de Feira de Santana possa ter.”

O Caps-AD funciona na Rua Paris, nº 41, no bairro Santa Mônica, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 7h às 18h. Para ser atendido, é necessário portar uma cópia da Carteira de Identidade, do cartão do Sistema Único de Saúde (SUS) e do comprovante de endereço.

Caps-AD
Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

Atualmente, em média 158 pessoas fazem tratamento contra o uso abusivo do cigarro na unidade. De acordo com Mariana, o Caps-AD realiza encontros semanais com um grupo de tabagismo, formado por pessoas que buscam reduzir ou parar totalmente com o uso do cigarro. 

“Temos essa equipe preparada para o programa de tabagismo, onde nós trabalhamos com aqueles que querem parar o uso ou que querem diminuir, até porque a gente acredita que o maior produtor desse cuidado seja o usuário. Então, temos um grupo realizado por profissionais qualificados, que ocorre toda semana. Nós também temos todo o suporte medicamentoso voltado para o adesivo e também para alguns medicamentos específicos que fazem parte deste programa.”

O primeiro passo é querer parar de fumar

A enfermeira destacou que o primeiro passo para largar o cigarro é justamente querer parar. Apesar de muitos familiares pedirem ajuda pelo usuário, é ele quem deve tomar a iniciativa. 

Às vezes nós recebemos a família com a demanda de que esse familiar pare o uso da substância psicoativa, que no caso aqui é o cigarro, mas o maior produtor desse cuidado, é importante trazer para a sociedade, que seja o próprio usuário quando ele deseja.” 

Mariana Rios
Mariana Rios | Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

Os principais problemas de saúde causados pelo uso excessivo do cigarro são câncer de garganta e de laringe, bem como a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC).

Tratamento na unidade

Ela também reforçou a importância de uma equipe especializada para auxiliar no processo. Mariana afirmou que o grupo de atendimento deve atuar sem preconceitos.

Aqui existe essa equipe especializada, onde não tem preconceito, não se tem estigma, não se tem um apontar de dedos. Existe sim um uso abusivo, existe sim um cuidado que deve ser particular, subjetivo, devido à demanda que é trazido por esse usuário.”

A coordenadora também explicou que o tratamento da equipe multidisciplinar inclui as chamadas Práticas Integrativas em Saúde (PIS), como acupuntura — técnica milenar é uma técnica milenar da Medicina Tradicional Chinesa que consiste na inserção de agulhas finas na pele em pontos específicos do corpo, auriculoterapia — também da Medicina Tradicional Chinesa que faz pressão em pontos específicos da orelha.

“Nós temos os médicos que atuam na psiquiatria, assistente social, enfermeira, psicóloga, técnica de enfermagem. Nós temos atividades voltadas para a oficina terapêutica. Então esse paciente é olhado no cuidado integral como sujeito que tem demandas específicas no âmbito social, emocional, biológico e espiritual. Esse olhar de enxergar o sujeito de forma integral é importantíssimo e praticado aqui no Caps-AD.”

Principais desafios

No entanto, Mariana também chamou atenção para os desafios enfrentados por aqueles que querem deixar de fumar. Segundo ela, a própria família é o maior desafio, pois muitos ainda não entendem que se trata de uma doença crônica.

O maior desafio eu acredito que seja até a própria família. Às vezes essa família acha que o uso do cigarro é porque a pessoa quer, às vezes usa até palavras de estereótipo, de que não quer, que não tem desejo, e as coisas não são bem assim.”

A enfermeira salienta que o uso abusivo das substâncias cria o desejo de seguir usando. Sem o apoio e uma equipe qualificada, os usuários podem entrar em síndrome de abstinência. 

Eu acho que o maior desafio é a família entender que é, sim, um cuidado que precisa ter atenção, procurar um serviço especializado, um serviço de saúde, mas estar ali ao lado também mostrando para esse usuário que eles acreditam nesse processo de tratamento.”

Além da falta de apoio familiar, Mariana ressalta as recaídas como um grande desafio. Alguns pacientes começam o tratamento, melhoram e, às vezes, param de utilizar a medicação, o que pode causar essa recaída. 

Está tudo bem ter recaída, porque nós somos seres humanos suscetíveis, sim, a recaída, mas que mesmo no processo de recaída, ele pode procurar o Caps-AD e voltar a esse tratamento novamente.”

Perfil dos pacientes e mais sobre o tratamento

O perfil das pessoas que buscam tratamento para combater o tabagismo é de mulheres em uma faixa etária de 45 a 60 anos de idade, afirmou a coordenadora. Mariana disse que, em muitos casos, essas mulheres buscam o tratamento após serem alertadas por familiares. 

“Nós temos aqui as mulheres que procuram a gente mais especificamente devido ao uso abusivo do cigarro, numa faixa etária entre 45 anos até 60 anos, e é pertinente trazer que esse desejo começa a existir quando um familiar que está ali por perto expressa e chama essa usuária para falar ‘minha avó, pare de fumar’, ‘minha mãe, pare de fumar’, então, esse âmbito emocional da família faz com que essa usuária procure o serviço para o tratamento dos abusivos do cigarro.”

Porém, ela também destacou que pessoas mais jovens também fazem uso do cigarro, principalmente combinado com o uso do álcool.

Existe uma combinação muito frequente na juventude, que é o uso do álcool associado ao uso do cigarro, então isso é muito específico, mas nós temos sim alguns jovens que, por exemplo, fazem uso abusivo do álcool, mas que também fazem combinado o uso do cigarro, e nós, enquanto equipe, também trazemos para esse sujeito a importância desse cuidado, desse uso abusivo do cigarro.

Questionada sobre o período do tratamento, a enfermeira afirmou que depende de cada paciente e da necessidade de cada um, já que existem usuários que buscam reduzir o uso ou que parar totalmente. 

Tratamento para cigarro eletrônico

Quanto ao tratamento para largar os cigarros eletrônicos, também conhecidos como vapes, Mariana contou ao Acorda Cidade que a demanda na unidade é baixa, mas existe um serviço disponível no Caps-AD. 

“O mais importante é reconhecer, trazer a consciência que precisa de ajuda. Por exemplo, quando eu quero diminuir e não consigo, quando eu quero parar e não consigo, quando eu identifico que eu tenho um quadro de ansiedade generalizada e eu uso esse cigarro para diminuir essa ansiedade. Então são várias situações que precisam ser avaliadas. E nada como uma equipe multidisciplinar preparada para acolher, atender sem julgamento esse munícipe de Feira de Santana.”

Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade.

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