29 de August de 2026
Conversa com Tia Má e Thalita Rebouças no Flifs 2026
Conversa com Tia Má e Thalita Rebouças no Flifs 2026 | Foto: Davi Cerqueira/ Acorda Cidade

A programação deste sábado (29) do Festival Literário e Cultural de Feira de Santana (Flifs) foi marcada por bate-papos com as escritoras Maíra Azevedo, conhecida como Tia Má, e Thalita Rebouças. O penúltimo dia do evento contou ainda com uma conversa com professor e escritor Luis Antonio Simas, do Rio de Janeiro.

Nascida em Salvador, Maíra Azevedo, de 45 anos, falou sobre o Flifs em entrevista ao Acorda Cidade. Segundo ela, que é filha de professora, o evento é muito importante e potente. Tia Má também disse que o festival é muito poderoso e afirmou que quer voltar outras vezes.

Tia Má
Tia Má | Foto: Kaio Vinícius/ Acorda Cidade

“Para mim é um evento muito importante, muito potente, que incentiva o livro e a leitura. Eu acho que toda atividade que tem o incentivo do livro e da leitura é potente, é fortalecedora e possibilita que os nossos jovens possam olhar de forma mais ampla para nossa sociedade. Então, para mim, é um evento muito poderoso e que eu quero, inclusive, voltar mais vezes. Porque, como filha de professora, eu sei a importância do livro e da literatura em nossas vidas. Que cada vez mais os jovens e as jovens possam participar de atividades como essa.”

Idealizador da roda

O professor Edson Oliveira, coordenador geral do programa Universidade Para Todos (UPT) da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), foi o idealizador da roda de conversa com a jornalista. 

Edson explicou que o sábado do Flifs é sempre marcado pela presença do programa. O professor destacou que o objetivo desses bate-papos é trazer escritores para dialogar com os estudantes. 

Edson Oliveira, coordenador geral Universidade Para Todos
Edson Oliveira, coordenador geral Universidade Para Todos | Foto: Davi Cerqueira/ Acorda Cidade

“O sábado dentro do Flifs, historicamente, tem sido um espaço ocupado pelo programa Universidade para Todos. É uma oportunidade de que nós possamos trazer escritores para que dialoguem com os nossos cursistas, com os nossos professores-monitores, também grupo de coordenadores de área, compartilhando experiências e trazendo relatos importantes para a formação dos nossos cursistas, no sentido de que consiga reunir informações, competências e habilidades e assim siga para a prova do Enem preparado para garantir sua vaga na universidade pública.”

De acordo com ele, Tia Má foi escolhida por tocar em pontos importantes para a formação dos alunos, principalmente sobre pautas raciais. Com isso, a presença da escritora contribui para a formação pessoal e intelectual dos cursistas do programa. 

O Universidade para Todos é uma política pública financiada pelo Fundo de Combate à Pobreza. Portanto, o nosso aluno é um aluno preto, é um aluno pobre, é um aluno marginalizado socialmente, e a Tia Má, direta ou indiretamente, toca nesses conteúdos, seja nos seus livros ou nos conteúdos publicados nas redes sociais.”

Participantes da conversa

Lincon Roberto disse ao Acorda Cidade que participou da mesa redonda por ser estudante do UPT. Além disso, ele, que sonha em ser jornalista como Tia Má, contou que também é um admirador da escritora. 

Lincon Roberto, estudante da Universidade Para Todos
Lincon Roberto, estudante da Universidade Para Todos | Foto: Kaio Vinícius/ Acorda Cidade

Ela sempre está incentivando a gente a não desistir dos nossos sonhos, a sempre persistir. Inclusive, ela até falou que já passou por dificuldade, isso nos incentiva, que a gente deve a cada dia persistir e não desistir.”

Suellem de Oliveira, de 16 anos, é do distrito de Humildes e estava passando pela mesa quando ouviu Maíra falar sobre pessoas pretas. O assunto chamou sua atenção e ela decidiu ouvir a conversa. 

Suellem de Oliveira Sousa, 16 anos
Suellem de Oliveira Sousa, 16 anos | Foto: Davi Cerqueira/ Acorda Cidade

“Ela estava falando sobre o passado, que as pessoas sofreram tanto, e sobre como hoje em dia ela consegue se sentir melhor por falar e ter a voz das pessoas que não tiveram antigamente. Essa pauta interessa muito a gente porque é muito necessária hoje em dia. Por mais que muita coisa já tenha sido combatida, como a escravidão, ainda existe muito racismo. E hoje em dia não é mais suficiente você não praticar o racismo, você precisa ser antirracista. Então, além de ouvir essas pautas, a gente tem que alimentar, participar e falar também.”

Conversa com Thalita Rebouças

Às 11h, o Flifs recebeu a carioca Thalita Rebouças. Aos 51 anos, a autora acumula sucessos literários que continuam atravessando gerações. Ao Acorda Cidade, Thalita descreveu a sensação de ver que os jovens que leram seus livros na adolescência, hoje trazem seus filhos a prestigiarem no evento. 

Thalita Rebouças
Thalita Rebouças | Foto: Kaio Vinícius/ Acorda Cidade

A sensação é a melhor do mundo, é muito lindo. Eu acho que nem no meu melhor sonho eu imaginei que ia passar de mãe para filha. E eu tenho passado de mães para filhas. É lindo ver gente que quando começou a me ler tinha 15 e hoje tá com 40, com uma filha de 10, de 11, e se emociona de me passar para a filha. Então, isso tem sido das coisas mais emocionantes da minha vida.”

Ela também chamou atenção para os livros físicos, que mesmo perdendo espaço para os celulares, segue sendo muito amado e procurado. Thalita lembrou de outros festivais literários, como a Bienal do Livro em Salvador. Segundo ela, esses eventos mostram que o interesse do público pelo livro de papel continua forte. 

Apesar da gente não ter o hábito da leitura tão difundido como em outros países, eu vendo muito livro de papel. Eu tenho muito orgulho disso. E eu acho que nessas feiras de livro, na Bienal em Salvador, é tão lindo ver as pessoas com malinha de rodinha para comprar livros, que eu acho que o livro físico nunca vai morrer. Elas gostam de cheirar o livro, de pegar o livro, graças a Deus!”

Ao fim da conversa, a autora realizou uma sessão de autógrafos, que reuniu uma grande fila com os fãs dela. No aguardo pelo autógrafo estavam as primas Mariana de Melo Pereira e Maria Eduarda Melo da Silva, ambas de 11 anos.

Maria Eduarda levou o livro “Diário de uma Garota Esquisita” que, segundo ela, ensina o leitor a se expressar. Já Mariana estava com um exemplar de “Confissões de Uma Garota Excluída, Mal-Amada E (Um Pouco) Dramática”, que conta a história de uma jovem com a qual Mariana se identificou. 

Mariana de Melo Pereira, 11 anos e Maria Eduarda Melo da Silva, 11 anos
Mariana de Melo Pereira, 11 anos e Maria Eduarda Melo da Silva, 11 anos | Foto: Davi Cerqueira/ Acorda Cidade

Eu gosto muito do livro porque ele ensina você a se expressar, deixa você contar um pouco do que você passa. Eu acho incrível, muito legal”, afirmou Maria Eduarda. 

Eu amei esse livro muito porque tem uma personagem que eu me identifiquei bastante. A família dela critica ela por conta de algumas condições, sobre coisas do corpo dela. Ela não tem amigos. Mas depois ela consegue se identificar na escola com os amigos e com muitas outras pessoas que ela conheceu na vida dela”, explicou Mariana.

O Flifs termina neste domingo (30), com uma programação para todos os públicos.

Com informações do estagiário Davi Cerqueira e do jornalista Kaio Vinícius, ambos do Acorda Cidade.

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