
Em oitiva concedida a um juiz auxiliar no gabinete do ministro André Mendonça, no Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-banqueiro Daniel Vorcaro declarou que sua proposta de delação premiada mirava unicamente integrantes do “núcleo do atual governo”. De acordo com informações divulgadas nesta quinta-feira (3) o empresário omitiu do relato menções a outras autoridades políticas ou ao seu eventual envolvimento no custeio de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Como o Acorda Cidade já mostrou, em maio desde ano foi divulgado um áudio que revela o agradecimento do deputado Mário Frias (PL), ao ex-banqueiro pelo apoio ao filme “Dark Horse”. Na época, a mensagem foi revelada pelo Intercept.
Preso em Brasília sob a acusação de liderar um esquema financeiro fraudulento, o antigo proprietário do Banco Master é investigado pela Polícia Federal por desvios expressivos. As estimativas da corporação apontam prejuízos de pelo menos R$ 12 bilhões no BRB, mais de R$ 40 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), além de cifras milionárias em regimes de previdência estaduais e municipais.
Durante o depoimento, divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo e pelo portal g1, Vorcaro justificou a busca por uma colaboração premiada como uma tentativa de defesa.
“Toda a minha colaboração, ela, no que tange a pessoas, são pessoas do núcleo do atual governo, que eu acabei fazendo relação para me proteger dos ataques que eu estava sofrendo. E aí, nesses momentos, teve uns casos que foram cruzadas linhas de moralidade, linhas de ilicitude, que esses eu pretendia relatar.”
O gabinete do relator no STF informou que a audição atendeu a uma solicitação urgente do próprio investigado. Segundo seus advogados, ele estaria sob fortes intimidações, o que motivou a realização do ato processual conduzi-lo por um magistrado auxiliar.
Apesar das alegações, Vorcaro afirmou ter recuado da delação por medo de retaliações vindas do que definiu como “pessoas do poder”, que atuariam para mantê-lo preso. O ex-banqueiro apresentou avaliações pessoais sobre os fatos e até mesmo sobre sua prisão preventiva, sem correlação formal com o andamento legal da ação.
Diante do conteúdo apresentado, a Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se na quarta-feira (2) pelo arquivamento das declarações. A instituição destacou a total ausência de provas ou indícios concretos nas acusações do empresário:
“[…] constata-se que o declarante não noticiou fato concreto ou juridicamente delimitado capaz de impulsionar providências investigativas próprias, tampouco conferiu o mínimo elemento de verossimilhança às assertivas ali formuladas”, informou a PGR.
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