4 de September de 2026
Oncopediatra do Martagão alerta para a importância do diagnóstico precoce do câncer infantojuvenil
Foto: Luan Viana

O câncer infantojuvenil não apresenta, em geral, fatores de risco que possam ser modificados por medidas de prevenção, como ocorre com diversos tipos de câncer em adultos. Por isso, a identificação precoce dos sinais e sintomas é fundamental para aumentar as chances de cura e oferecer melhores condições de tratamento às crianças e adolescentes. O alerta é da oncopediatra Natália Borges, que está à frente do serviço de transplante de medula óssea do Hospital Martagão Gesteira, durante o Setembro Dourado, mês de conscientização sobre o câncer infantojuvenil.

Em 2026, o Ministério da Saúde definiu como tema norteador da campanha a mensagem: “O câncer infantojuvenil tem desafios, mas também tem cura: fique atento aos sinais.” A proposta reforça a importância da informação e da atenção aos possíveis sinais da doença para que o cuidado aconteça no momento certo, especialmente diante da dificuldade de identificar o câncer em crianças, já que muitos sintomas podem ser confundidos com doenças comuns da infância.

Segundo a especialista, diferentemente dos adultos, em que medidas como o combate ao tabagismo, a redução do consumo de carne e a vacinação contra o HPV podem contribuir para a prevenção de determinados tipos de câncer, no câncer pediátrico não há fatores de risco intrínsecos que possam ser amplamente evitados. A exceção apontada é a exposição à radiação durante a gravidez. Nesse cenário, a detecção precoce ganha ainda mais importância.

“A prevenção secundária, que é a detecção precoce, é a única forma de fazer com que a gente tenha uma possível melhoria nas taxas de sobrevida e de cura”, explica Natália. De acordo com ela, quando o tumor é identificado em uma fase inicial e ainda apresenta menor tamanho, é possível encontrar um perfil tumoral menos agressivo e oferecer melhores chances de tratamento e cura.

Oncopediatra do Martagão alerta para a importância do diagnóstico precoce do câncer infantojuvenil
Foto: Luan Viana

Um dos principais desafios para o diagnóstico está justamente no fato de que os sintomas do câncer em crianças podem se confundir com manifestações comuns da infância. Febre prolongada, perda de peso intensa, dores de cabeça que acordam a criança durante a noite, dores nos braços ou pernas que persistem e não melhoram com analgésicos simples e aumento do volume abdominal são alguns dos sinais que merecem atenção.

“O câncer da criança se parece muito com as doenças comuns da infância”, ressalta a médica. Por isso, ela destaca a importância do acompanhamento pediátrico regular. A observação, porém, não deve ficar restrita ao consultório. Família, cuidadores, professores e outros profissionais que convivem com a criança também podem perceber mudanças importantes. Dificuldade repentina para enxergar identificada pela escola, alterações na marcha, irritabilidade, perda de marcos do desenvolvimento ou mudanças no comportamento são exemplos de alterações que devem ser comunicadas ao pediatra.

Quando existe suspeita, o encaminhamento para um oncologista pediátrico é fundamental. Entre os principais tipos de câncer da infância estão as leucemias, os tumores do sistema nervoso central, o neuroblastoma, o tumor de Wilms, além dos tumores ósseos e musculares. A ocorrência também varia de acordo com a faixa etária. Entre crianças de zero a quatro anos, são mais frequentes as leucemias e, entre os tumores sólidos, o neuroblastoma e o tumor de Wilms, que pode se apresentar como uma massa abdominal. Já entre adolescentes, os tumores ósseos ganham maior relevância e podem ocorrer durante o período de crescimento.

Para Natália, o diagnóstico tardio também pode estar relacionado à dificuldade de acesso a especialistas e exames diagnósticos, além da semelhança dos sintomas com doenças comuns. Por isso, ela defende a capacitação dos pediatras para reconhecer os principais sinais e sintomas relacionados ao câncer e o acesso da população à atenção básica e a exames que possam contribuir para a investigação.

No Hospital Martagão Gesteira, crianças de Salvador e de outras regiões da Bahia podem ser encaminhadas para avaliação diante de uma suspeita. O hospital conta com um sistema de triagem, no qual o paciente é inicialmente avaliado pela equipe de enfermagem e pelo médico, com abertura de ficha para que a investigação possa ocorrer de maneira mais precoce.

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