
O vereador Galeguinho SPA (União Brasil) afirmou que os benefícios sociais do governo federal têm impactado negativamente na empregabilidade no Brasil. Segundo ele, muitos beneficiários não precisam do valor, e ainda assim recebem. Com isso, muitas pessoas preferem receber apenas o benefício, e deixam de trabalhar.
Eu não sou contra a quem recebe o benefício, desde que comprove que realmente de fato precisa. Agora o que a gente tem observado em nosso país é que muitas pessoas que não precisam, recebem. Isso é nítido.”
Galeguinho disse ao Acorda Cidade que setores como de construção e estabelecimentos como restaurantes, têm tido dificuldades em contratar funcionários novos. De acordo com o parlamentar, muitas empresas estão fechando por conta desse problema.
“O que tem de construtora precisando de pedreiro, pintor, de todos os mecanismos necessários para executar uma obra, não tem. Você procura uma pessoa para trabalhar em um restaurante e não acha. Você procura uma pessoa para fazer qualquer tipo de serviço essencial e não encontra. Porque essa pessoa recebe Bolsa Família. Ela não quer deixar de receber esse benefício, que na maioria das vezes, somando tudo, dá muito mais do que o salário. Então ela fala: ‘não vou me desgastar, não vou tomar sol quente, porque o governo me dá muito mais do que o empresário vai me pagar’.”

Galeguinho acredita que as pessoas têm ficado acomodadas e que “o país vai quebrar”, com o aumento no número de beneficiários.
“Está chegando a 50% da população brasileira recebendo Bolsa Família, o país vai quebrar, porque nenhum governo produz, quem produz são os empresários. O que tem de empresa fechando por falta de mão de obra, por cobrança de impostos abusivos. Então isso está dentro de uma realidade totalmente incoerente comparada ao progresso de um país. O país está indo a ladeira abaixo.”
O Acorda Cidade apurou a informação de que cerca de 50% da população brasileira recebe Bolsa Família. O número, no entanto, não é real. Conforme o Visualizador de Indicadores de Cidadania (VIS Data), plataforma oficial da Secretaria de Avaliação, Gestão da Informação e Cadastro Único (Sagicad), em agosto de 2026, existiam 19.289.215 famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família, o que seriam entre 49 a 50 milhões de pessoas beneficiadas individualmente. O número representa cerca de 23,1% da população brasileira.
Questionado sobre o que pode ser feito para amenizar a situação, o vereador disse que o governo federal deve identificar aqueles que realmente precisam do Bolsa Família. Além disso, ele criticou o programa Pé-de-Meia, que prevê o pagamento de R$ 200 para incentivar os estudantes de escolas públicas a permanecerem nas instituições e continuarem os estudos.
“O que precisa de fato é o governo federal trabalhar de maneira correta, identificar as pessoas que precisam e aquelas que não precisam. Eu sou de uma geração que não existia Pé-de-Meia nem Bolsa Família e eu estou vivo aqui para poder contar história. Ir para escola é uma obrigação. Era uma obrigação que nossos pais impunham para a gente poder aprender, porque através da educação que a gente poderia garantir o nosso futuro. Mas está tudo ao inverso em nosso país.”
Posicionamento de Ivambeg Lima
No mesmo tópico, o vereador Ivamberg Lima (PT) afirmou que os programas sociais do governo federal ajudaram a tirar a população da pobreza extrema e da fome. Ao Acorda Cidade, ele disse que acredita que o correto seria ter mais oportunidades para qualificar a mão de obra.
“Os programas sociais do governo Lula ajudaram a tirar a população da pobreza extrema e da fome. Talvez quem nunca tenha passado fome faça essas colocações. Eu acho que o que a gente tem que trabalhar é para qualificar cada vez mais a mão de obra, para que as pessoas possam trabalhar de forma que tenham um sustento e ganhem mais. É isso que a educação traz para as pessoas, e a gente tem lutado muito nesse sentido.”

De acordo com Ivamberg, a fala do vereador Galeguinho não é verdade, pois houve um crescimento no número de empregos formais. Além disso, ele reforçou a importância da educação para a formação e qualificação das pessoas que entram no mercado de trabalho.
“A gente não pode estar desqualificando os programas sociais dizendo que as pessoas não estão trabalhando porque estão recebendo Bolsa Família. Não é verdade isso. No governo Lula houve um crescimento de empregos formais substancial. Se isso fosse verdade, o crescimento de empregos com carteira assinada teria diminuído e, pelo contrário, tem aumentado.”
Por fim, ele salientou que o problema na questão da empregabilidade seria o valor do pagamento, e não o recebimento dos benefícios.
“Agora, não querem pagar como deve ser pago ao profissional, e aí realmente as pessoas não querem trabalhar porque não vai dar para sustentar a sua família. Mas eu sou contra isso e acho que as pessoas que nunca passaram fome nem necessidade, é que falam isso.”
Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade.
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