23 de September de 2026
comercio compras mulheres
Foto: Jefferson Araújo / Acorda Cidade

Mais do que consumir, as mulheres brasileiras estão no centro da gestão do orçamento doméstico, realizando até 21,4% mais compras em categorias do dia a dia. Dados da Serasa Experian, primeira e maior datatech do país, mostram que elas lideram o volume em segmentos de rotina, ao mesmo tempo em que mantêm maior controle sobre o valor gasto nessas jornadas.

O levantamento, que integra o e-book “Retratos da Mulher Brasileira”, revela que as mulheres lideram a recorrência de consumo em categorias essenciais e administram os gastos de forma mais eficiente. Em “Vestuário”, por exemplo, as mulheres compram 21,4% mais que os homens, e gastam 9,2% a mais que eles por pedido. O padrão da diferença entre os percentuais de quantidade e valor da compra se repete em outras categorias como “Cosméticos” (+16,9% em volume de compras vs +9,2% em valor gasto, na comparação com os homens) e “Mercado” (+3,4% vs -2,7%, respectivamente). Os dados indicam uma consumidora mais presente na rotina, que compra com mais frequência sem elevar o gasto na mesma proporção, sinalizando maior controle e planejamento financeiro.

Confira o detalhamento da comparação no gráfico abaixo:

Fonte: Serasa

“Quando olhamos o comportamento de consumo da mulher, para além da renda e do score, fica mais claro o papel central dela nas decisões de compra. O levantamento mostra uma presença forte nas categorias que movimentam a rotina, além de maior adaptação ao ambiente digital e indicadores de crédito mais positivos”, afirma a CMO e Vice-Presidente de Marketing Solutions da Serasa Experian, Giovana Giroto. “Para as empresas que querem se relacionar com o público feminino, os dados indicam a necessidade de estratégias mais personalizadas, considerando uma consumidora mais frequente, digital e orientada à eficiência do gasto”, conclui.

Quem é a mulher por trás da consumidora

Embora a desigualdade salarial histórica ainda faça parte da realidade feminina no Brasil, os indicadores complementares do estudo ajudam a mostrar por que esse público ocupa um papel tão relevante no consumo. Quando o olhar se volta para a qualidade do crédito, as mulheres apresentam indicadores mais positivos: 57,6% estão nas faixas de score “bom” e “excelente”, acima dos 54% registrados entre os homens. Elas também têm menor presença na faixa de score baixo, com 8,4%, frente a 9,3%, reforçando o retrato de uma consumidora que alia participação ativa no mercado a uma relação mais equilibrada com o orçamento.

A força feminina também se destaca no ambiente digital. Entre as mulheres, 9,8% apresentam alta presença digital e médio ou alto nível de compras online, quase o dobro do índice observado entre os homens (5,6%). Esse comportamento reforça uma relação mais ativa e consistente com o consumo digital.

Para a CMO da datatech, esse conjunto de dados mostra uma consumidora que alia participação ativa no mercado a uma relação equilibrada com sua vida financeira. Isso é reforçado pelo fato de as mulheres também aparecerem ligeiramente à frente no grupo das “caçadoras de desconto”, com 19,8%, puxando a média geral de 19,1%. “Esse é um dado que fala sobre atenção, planejamento e capacidade de decisão. É uma consumidora que pesquisa, compara e busca o melhor uso possível do orçamento, sem perder protagonismo nas escolhas de compra”, afirma a executiva.

Esse retrato ganha ainda mais relevância quando comparado à renda. Apesar do protagonismo no consumo e dos indicadores mais positivos em crédito e presença digital, as mulheres seguem mais concentradas nas faixas de renda mais baixas. Ao todo, 50,1% ganham até 1 salário-mínimo, ante 45,3% dos homens. Nas faixas mais altas, a presença feminina diminui, revelando uma disparidade estrutural: entre quem recebe de 5 a 10 salários-mínimos, elas representam 5,32%, frente a 6,38% dos homens; acima de 10 salários-mínimos, somam 2,54%, ante 4,44%. Confira no gráfico abaixo o detalhamento completo:

Mesmo com menor renda, mulheres compram mais e têm melhor controle financeiro, mostra Serasa Experian
Fonte: Serasa

“Estudos como esse nos esclarecem quem é o público por trás de uma segmentação. Para atrair a atenção das mulheres brasileiras, é preciso entender quem elas são – e isso não se define somente com gênero, renda e localização, mas sim com uma leitura comportamental que, nesse caso, nos revela uma consumidora mais frequente, digital e orientada à eficiência do gasto”, explica a CMO da Serasa Experian. “O que o e-book ‘Retratos da mulher brasileira’ revela é que, mesmo em um cenário de renda menos favorável, somos nós que sustentamos categorias essenciais e ocupamos um papel decisivo nas escolhas de consumo do país”, conclui.

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