25 de September de 2026
Unhas em gel pode se tornar um problema
Foto: Gabriel Puyén/Pexels

Micoses, infecções bacterianas, mudanças na cor das unhas e maior exposição à radiação ultravioleta estão entre os problemas de saúde associados ao uso frequente de unhas em gel. 

A técnica é conhecida pelo resultado brilhante e duradouro, mas dermatologistas apontam que quanto mais vezes ela é repetida, maiores ficam os riscos à saúde.

Ao UOL, a dermatologista Nádia Barbosa Aires, do Hospital Sírio-Libanês de Brasília, afirmou que o risco de complicações cresce conforme a técnica é usada com mais regularidade, por isso defende que ela seja reservada a ocasiões pontuais, sem virar hábito.

Como a técnica enfraquece as unhas naturais

Primeiro, saiba qual o passo a passo para criar a unha em gel:

  1. Começa com o lixamento das unhas para garantir a aderência do gel;
  2. Depois, o profissional aplica uma camada de base;
  3. Em seguida, uma ou mais camadas de gel colorido e um top coat para dar brilho. 

O lixamento repetido afina progressivamente as unhas naturais, que ficam quebradiças e vulneráveis ao descolamento. 

A acetona usada na remoção danifica as camadas externas, enquanto a camada selante do gel impede a hidratação natural. 

Como resultado, as unhas ficam irregulares, descamam ou descascam, e manchas ou descoloração podem indicar infecções bacterianas ou fúngicas em desenvolvimento.

Foto: Diana ✨/Pexels

Micoses e infecções proliferam sob as unhas de gel

O ambiente que se forma sob as unhas de gel é propício à proliferação de fungos e bactérias. As unhas artificiais, geralmente mais longas e sem aderência completa à base natural, criam um espaço úmido e aquecido, condições ideais para infecções.

A dermatologista Tatiana Gabbi, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, disse ao UOL que as unhas em gel são geralmente longas e não aderem completamente às unhas naturais. 

Isso deixa a unha mais úmida e aquecida, criando um ambiente favorável a infecções fúngicas e bacterianas. 

Micoses são particularmente comuns nesse cenário porque os fungos se proliferam em locais úmidos e com higiene deficiente. Qualquer descuido nos salões de beleza aumenta o risco de transmissão de infecções fúngicas entre clientes.

Radiação ultravioleta e riscos à pele

A exposição às lâmpadas UV ou LED durante o endurecimento do gel representa outro risco documentado. Uma pesquisa publicada na revista Nature mostrou que a radiação ultravioleta dessas fontes pode ser cancerígena e que o risco é proporcional ao tempo de exposição. 

Gabbi disse ao UOL que, apesar de a cabine emitir luz intensa, a exposição é baixa em comparação com a solar e ocorre com menor frequência. Por isso, o risco de câncer de pele ou da unha é baixo.

Para reduzir os danos, recomenda-se evitar a aplicação em unhas com lesões ou problemas de saúde, manter as cutículas intactas como proteção contra infecções, não lixar excessivamente a superfície das unhas. 

Também vale dar um intervalo sem esmaltação entre uma aplicação e outra, além de proteger as mãos com filtro solar ou luvas antes de expô-las à luz UV da cabine.