
Em alusão ao Setembro Amarelo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), que trazem números de atenção sobre a saúde mental dos adolescentes baianos.
De acordo com o levantamento, em 2024, 31,9% dos adolescentes de 13 a 17 anos relataram ter sentido vontade de se machucar de propósito. O percentual corresponde a aproximadamente três em cada dez adolescentes baianos.
O levantamento também mostra diferenças significativas entre adolescentes do sexo feminino e masculino. Entre as meninas baianas de 13 a 17 anos, 42,5% disseram ter sentido vontade de se machucar de propósito, enquanto entre os meninos o percentual foi de 20,3%.
Quase 2 em cada 10 adolescentes dizem que a vida não vale a pena ser vivida
Outro indicador apresentado pelo IBGE mostra que 19,9% dos adolescentes baianos de 13 a 17 anos sentiam que a vida não valia a pena ser vivida na maior parte do tempo ou sempre, em 2024.
O percentual apresentou uma redução pequena em relação a 2019, quando era de 21,1%.
Mais uma vez, a diferença entre meninas e meninos aparece nos resultados. Entre as adolescentes, 27,1% relataram esse sentimento, enquanto entre os adolescentes homens o percentual foi de 12%.
3 em cada 10 adolescentes se sentem tristes na maior parte do tempo
A tristeza também aparece entre os indicadores pesquisados.
Em 2024, 29,4% dos adolescentes baianos de 13 a 17 anos disseram se sentir tristes a maior parte do tempo ou sempre. O percentual praticamente não mudou em relação a 2019, quando era de 29,6%.
Entre as meninas, o percentual chegou a 41,9%, enquanto entre os meninos foi de 15,6%.
Os três indicadores relacionados aos adolescentes (tristeza, vontade de se machucar e sentimento de que a vida não vale a pena ser vivida) apresentam percentuais maiores entre as meninas baianas.
Saúde mental dos adolescentes na Bahia
2024 — adolescentes de 13 a 17 anos
- 29,4% se sentiam tristes a maior parte do tempo ou sempre;
- 31,9% sentiram vontade de se machucar de propósito;
- 19,9% sentiam que a vida não valia a pena ser vivida.
Entre as meninas:
- 41,9% se sentiam tristes;
- 42,5% sentiram vontade de se machucar de propósito;
- 27,1% sentiam que a vida não valia a pena ser vivida.
Entre os meninos:
- 15,6% se sentiam tristes;
- 20,3% sentiram vontade de se machucar de propósito;
- 12% sentiam que a vida não valia a pena ser vivida.
Diagnósticos de depressão entre adultos cresceram 78,2%
Os dados do IBGE também mostram o cenário da saúde mental entre a população adulta da Bahia. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), entre 2013 e 2019, o número de adultos baianos que informaram ter recebido diagnóstico de depressão por profissional de saúde mental aumentou 78,2%.
O número passou de 396,8 mil pessoas, em 2013, para 707,1 mil, em 2019.
No Brasil, no mesmo período, o número de pessoas com diagnóstico de depressão cresceu 47,3%, chegando a 16,293 milhões em 2019.
Apesar do aumento no número absoluto, a Bahia apresentava, em 2019, a 8ª menor proporção de adultos com diagnóstico de depressão entre os estados brasileiros. O índice baiano era de 6,3%, enquanto o percentual nacional chegava a 10,2%.
Mulheres representam 83,6% dos adultos baianos com diagnóstico de depressão
O levantamento também evidencia uma diferença entre homens e mulheres.
Em 2019, as mulheres representavam 83,6% dos adultos baianos com diagnóstico de depressão, o equivalente a 590,9 mil mulheres. O número correspondia a 10% da população adulta feminina do estado.
Entre os homens adultos, 2,2% tinham diagnóstico de depressão, o equivalente a 116,2 mil pessoas.
Pessoas brancas tinham maior taxa de diagnóstico de depressão
De acordo com os dados da PNS, em 2019, a proporção de pessoas com diagnóstico de depressão era de 8,1% entre as pessoas brancas, acima dos percentuais registrados entre pessoas pardas, de 6,2%, e pretas, de 5,5%.
O levantamento também aponta diferença entre as faixas etárias. Na Bahia, a maior proporção de pessoas com diagnóstico de depressão estava entre aquelas de 65 a 74 anos, com 10,2%.
Depressão limitava atividades habituais de 136,5 mil adultos
A pesquisa mostra ainda que, em 2019, 136,5 mil adultos baianos apresentavam grau intenso ou muito intenso de limitações nas atividades habituais por conta da depressão.
Desse total, 84,3% eram mulheres, correspondendo a 115,1 mil pessoas.
Os números apresentados pelo IBGE mostram diferentes dimensões da saúde mental na Bahia, desde os relatos entre adolescentes até os diagnósticos de depressão e as limitações provocadas pela doença entre adultos.
No caso dos adolescentes, os dados mais recentes disponíveis no levantamento são de 2024 e mostram que sentimentos relacionados à tristeza, à vontade de se machucar e à percepção de que a vida não vale a pena ainda fazem parte da realidade de uma parcela expressiva dos estudantes baianos de 13 a 17 anos. Entre os adultos, os dados da PNS disponíveis no documento são de 2019 e apontam crescimento no número de diagnósticos de depressão no estado.
Fontes: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) e Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE).
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