
Eleitores que compareceram aos locais de votação nos distritos de Matinha, Jaíba e Maria Quitéria, em Feira de Santana, encontraram filas extensas, calor e dificuldades relacionadas ao transporte público, neste domingo, 4 de outubro. Os relatos também apontam problemas na organização das filas e demora para conseguir acessar as seções eleitorais.
Matinha
Na Matinha, a Escola Municipal Rosa Maria Esperidião Leite reúne nove seções e cerca de 3 mil eleitores. Uma moradora do distrito, que preferiu não se identificar, chegou ao colégio por volta das 9h15 e já encontrou uma fila extensa.
Apesar da espera, ela afirmou ao Acorda Cidade que a movimentação não foi uma surpresa, já que situações semelhantes costumam ocorrer durante as eleições. “Já sabia, é normal, mas eu moro perto e trouxe a colinha”, disse.
A coordenadora da escola explicou que o fluxo de eleitores está dentro do previsto para o pleito deste ano, que exige a escolha de seis candidatos. Ela, que trabalha no local durante as eleições, também explicou que sua função é acompanhar o andamento da votação e auxiliar na resolução de eventuais problemas.
“Eu estou a serviço da Justiça Eleitoral. Trabalho entregando as urnas, resolvendo os problemas que acontecem na hora.”

Nilza, outra moradora do distrito, explicou que votou na Escola Municipal Anizio Pereira Bernardes e que o fluxo de pessoas no local estava tranquilo, entretanto, como uma boa baiana, deu uma passadinha na Escola Rosa Maria para ver o movimento e se surpreendeu com a agitação dos eleitores.
“Aqui não está normal não. Lá no Anizio Pereira eu não levei 10 minutos para votar. Eu vim pra cá só para olhar o movimento. Gosto dessa muvuca. É o maior colégio eleitoral do Distrito da Matinha aqui”, contou.
Marilene Araújo, que está trabalhando na Escola Municipal Rosa Maria, relatou que, a cada eleição, o espaço se torna insuficiente e, mesmo assim, recebe cada vez mais eleitores.
“Nós estamos trabalhando aqui sem apoio nenhum. O negócio aqui está complicado, muita gente, a escola está pequena, a cada dia que passa está ficando menor o espaço de votação. O povo está sofrendo muito com a quentura. Aqui tem mulher grávida, mulher com bebê no colo”, desabafou.
Jaíba
No distrito de Jaíba, a situação não é diferente. Marineia dos Santos, coordenadora de sala no Colégio Municipal Ambrósio Araújo, contou ao Acorda Cidade que chegou ao local às 5h50 e já havia eleitores aguardando.
Marineia explicou que, por ser uma eleição mais extensa, com seis candidatos a serem votados, o tempo de espera se torna maior, além de que na zona 155 só há três urnas. “Por conta da quantidade de candidatos, a eleição é mais demorada”.
Segundo Marineia, alguns eleitores têm dificuldade na hora de votar e também ficam com dúvidas, como, por exemplo, sobre o local de votação.
Na Escola Municipal 15 de Novembro, o movimento também é grande. Joilda Rabello, diretora geral da escola, contou que as urnas chegaram pela manhã do último sábado (3).
“Nós temos uma equipe muito comprometida, fez o trabalho fluir e, graças a Deus, tudo caminhou muito bem. O que eu tenho observado é que algumas seções estão travando, mas as demais estão caminhando bem”, contou.
Localizada na zona rural do distrito, a escola concentra muitos eleitores idosos e conta com o apoio da Polícia Militar e da Guarda Municipal.
Maria Quitéria
No distrito de Maria Quitéria, o Colégio Estadual Maria Quitéria conta com 13 seções e aproximadamente 5 mil eleitores. Segundo os coordenadores do colégio, a eleição deve se estender até as 20h.
Populares que estavam nas proximidades do local relataram à reportagem do Acorda Cidade que estavam aguardando o final da tarde para ir à cabine votar, na esperança de encontrar um fluxo mais tranquilo.
A eleitora Edna Jesus explicou que trabalha na Matinha, mas se deslocou até a Escola Municipal José Tavares Carneiro, em Maria Quitéria, para votar.
“Toda eleição eu voto aqui. Eu votava no Novo Horizonte, mas me transferiram para cá, porque realmente lá não tinha transporte.”

Segundo Edna, um dos pontos que precisam melhorar é a organização das filas. “A fiscalização deveria organizar os eleitores, organizar as filas, porque, a essa altura, ninguém sabe se a fila vai para o norte, para o sul ou para o leste. Está tudo misturado.”
Outra reclamação dos eleitores foi a falta de ônibus para o transporte durante a eleição.
“Não teve ônibus nessa eleição, a gente veio de carona. Não teve ônibus rodando de jeito nenhum, só teve a promessa. E aqui na fila para votar demorou cerca de duas horas. Tem muito tempo que a gente está aqui.”

Outra eleitora também reclamou da situação e classificou o processo como um sofrimento. “É um sofrimento votar, tem que se humilhar. Se eu soubesse, eu não tinha vindo”, lamentou.

As situações relatadas pelos eleitores nos três distritos mostram dificuldades semelhantes durante a votação, principalmente em relação às longas filas, ao calor, à organização dos locais e ao transporte público. Apesar dos problemas, o movimento seguiu ao longo do dia, com eleitores aguardando para conseguir exercer o direito ao voto.
Com informações dos repórteres Paulo José e Ney Silva, ambos do Acorda Cidade.
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