
Jhonatas Monteiro (PSOL) foi o candidato a deputado estadual mais votado em Feira de Santana nas eleições deste ano. O político teve exatos 42.152 votos em toda a Bahia, dos quais cerca de 75% foram conquistados na cidade princesa.
Em entrevista ao Acorda Cidade nesta terça-feira (6), dois dias após o primeiro turno das eleições gerais de 2026, o popular “Rasta” agradeceu aos eleitores e afirmou que o resultado representa o reconhecimento ao trabalho desenvolvido pelo partido e por sua atuação política no município.
“Foi uma campanha que não negocia o que é direito do povo como se fosse favor, não compra votos e, apesar disso tudo, que é muito mais difícil fazer dessa forma, ainda assim tivemos um resultado como esse. Então é um agradecimento e, ao mesmo tempo, uma forma de reconhecimento daquilo que tem sido feito”, afirmou.
Trabalho de base
Apesar da votação expressiva, Jhonatas não conquistou uma das 39 vagas na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). O político, que também é ex-vereador de Feira de Santana, ponderou que a disputa ocorre em nível estadual e que o resultado individual precisa ser considerado junto com a votação das demais candidaturas da mesma chapa.
“Quando analisamos Salvador, há uma diferença aí de quase 1.400.000 votos em relação ao tamanho de Feira. Então, esbarramos um pouco nisso como dificuldade. É uma disputa, como eu disse, que é estadual, então conta a nossa votação, mas conta também a das outras candidaturas pelo estado da Bahia”, explicou Jhonatas ao se referir a Kleber Rosa, colega de partido que foi eleito com auxílio dos votos da capital.
O agora ex-candidato afirmou que a própria campanha também alcançou outros municípios baianos. Para a reportagem do Acorda Cidade, ele disse que, em 2022, houve votação em mais de 300 cidades e, neste ano, a tendência deve ter se mantido após a análise dos dados.

“Tivemos campanha em alguns territórios aqui da Bahia, assim, de modo bem presente, organizado. Isso implicou aí em cerca de mais de 10.000 votos fora do município também. Então, embora a nossa força, sem dúvida nenhuma, se deva ao povo feirense, nós também temos uma acolhida muito boa em alguns outros territórios aqui da Bahia”, disse Jhonatas, citando municípios e regiões da Chapada, do Sudoeste, do território de Irecê.
Sistema injusto?
Questionado sobre o sistema proporcional, o político feirense afirmou que considera o modelo importante para garantir a presença de minorias sociais nos espaços políticos. Para ele, porém, existem distorções que precisam ser corrigidas.
“O sistema majoritário ou voto distrital tende a favorecer o poder do dinheiro e dificultar para que certos grupos mais marginalizados ocupem a política. Então, nesse sentido, eu não tenho problema com a proporcionalidade. O que existe, na verdade, são distorções que se agravaram com algumas cláusulas que foram introduzidas pelo chamado centrão no Congresso nesses últimos anos”.

Jhonatas também citou sua experiência na eleição municipal, quando foi novamente o candidato mais votado da história de Feira de Santana, mas não conseguiu a reeleição para a Câmara Municipal. Segundo ele, as regras para distribuição das vagas podem gerar situações em que candidatos com votações expressivas não sejam eleitos.
“Essas vagas com as maiores votações são ocupadas primeiro pelos primeiros partidos e só depois chegam para todos os partidos disputam. É confuso mesmo até mesmo pra gente que disputa. Então o sistema proporcional é importante, mas ele precisa ser aperfeiçoado para evitar distorções”, declarou.
Vamos falar de futuro
Questionado sobre uma possível candidatura em 2028 ou 2030, Jhonatas afirmou que ainda não há uma decisão. Neste momento, segundo ele, a prioridade é a disputa do segundo turno para a Presidência da República.
“Mas evidentemente que você ter, só aqui no município, cerca de 32 mil votos, ter a maior votação para deputado entre todas as candidaturas, maior até do que aquelas apoiadas pelo grupo na prefeitura, traz uma responsabilidade. Evidente. Eu não vou poder dizer assim: ‘Ah, agora eu não quero mais conta com a política’. E teremos que responder essa responsabilidade que foi colocada na nossa mão”, finalizou Monteiro.
Com informações do repórter Paulo José, do Acorda Cidade.
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