8 de October de 2026
Imagem: Pixabay

Lavar frutas e verduras com vinagre ou bicarbonato de sódio elimina uma quantidade maior de resíduos de pesticidas do que apenas enxaguá-las em água, aponta uma revisão de estudos divulgada na revista científica Frontiers in Environmental Health. 

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores cruzaram informações de 47 estudos anteriores, que juntos avaliaram 23 tipos de frutas e verduras, 79 pesticidas ou metabólitos e quatro formas distintas de lavagem.

A exposição a esses compostos químicos no dia a dia preocupa consumidores que buscam alimentos mais seguros. Um levantamento anterior já havia apontado que três em cada quatro amostras de frutas e vegetais não orgânicos continuavam com resíduos químicos mesmo depois de lavadas e preparadas para consumo. 

Esse mesmo levantamento identificou o clorprofam em cerca de nove em cada dez batatas analisadas, substância que a União Europeia já baniu diante de suspeitas de dano à saúde.

Vinagre ou ácido acético: maior eficácia na limpeza de frutas e verduras

Entre as quatro formas de lavagem comparadas, deixar o alimento de molho em vinagre ou ácido acético foi a que mais reduziu os resíduos, com uma mediana de 54,2%. Essa técnica superou alternativas mais populares, como simplesmente passar o alimento embaixo da torneira, e ficou significativamente acima da imersão em água pura.

O desempenho variou bastante conforme o tipo de pesticida e alimento: em alguns experimentos a eliminação foi de apenas 8,6%, enquanto em outros ultrapassou 99%.

Os estudos utilizaram concentrações de vinagre entre 0,15% e 10% e períodos de imersão de 1 a 60 minutos. Essa variação explica por que não existe garantia de resultado fixo para cada fruta ou verdura específica.

A solução de bicarbonato de sódio ficou em segundo lugar, com redução mediana de 50,9% dos resíduos. A diferença em relação ao vinagre foi pequena, mas ambos superaram claramente os métodos que usaram apenas água, com margem superior a 15 pontos percentuais.

Também aqui a oscilação foi grande: a faixa de eficácia encontrada foi de 0,2% a mais de 99%, dependendo do composto químico e de como o procedimento foi realizado. As soluções utilizadas nos estudos tiveram concentrações entre 1,25% e 10%, com períodos de imersão que variaram de 1 a 60 minutos conforme cada protocolo experimental.

Deixar o alimento de molho só em água trouxe redução mediana de 33,7%, e o enxágue em água corrente rendeu 30,2%, os números mais baixos entre as quatro técnicas. A explicação não está apenas no líquido usado, mas nas propriedades físico-químicas de cada pesticida e nas características do próprio alimento.

A superfície mais porosa de certas verduras, por exemplo, retém resíduos com mais facilidade do que a casca lisa de outras frutas. No enxágue sob a torneira, o tempo de lavagem variou de 15 segundos a dois minutos nos diferentes estudos analisados. Essa diversidade também contribuiu para as diferenças nos resultados observados.

O que esperar na prática cotidiana

Os números da revisão são medianas calculadas a partir de dezenas de estudos distintos, e não uma taxa garantida para qualquer fruta ou verdura lavada em casa. Um mesmo pesticida pode responder de forma diferente dependendo do alimento em que está presente, tornando difícil prever o resultado exato em sua cozinha.

Vale notar que muitos estudos utilizaram concentrações de soluções relativamente altas em comparação com as normalmente empregadas em uma cozinha doméstica. O que dificulta a aplicação direta desses resultados à rotina dos consumidores.

Nenhum dos métodos avaliados deve ser entendido como uma forma de eliminar completamente os resíduos de pesticidas. Além disso, lavar o alimento não significa necessariamente remover pesticidas que tenham penetrado em partes mais internas do produto.

Mesmo assim, substituir a água pura por vinagre, ácido acético ou bicarbonato de sódio aumenta as chances de retirar mais resíduos da superfície dos alimentos. O cuidado com a lavagem, portanto, funciona como um reforço para diminuir a presença de pesticidas, não como uma garantia de que eles desaparecerão por completo.