
A mãe de uma das adolescentes citadas na lista de garotas consideradas ‘estupráveis’, criada por estudantes do ensino fundamental do Colégio Anísio Teixeira (CAT), desabafou nesta sexta-feira (9), ao Acorda Cidade, que ainda está em choque e cheia de indignação pelas ameaças e o grave abuso psicológico enfrentado não apenas pela sua filha, mas também pelas outras meninas. Ela também teme pela segurança das estudantes.
De acordo com as denúncias, feitas por alunos da instituição nas redes sociais, além de divulgarem a lista e a colarem em uma das paredes da escola, o grupo dos estudantes também se fantasiou de homens acusados de crimes de estupro e feminicídio, como o goleiro Bruno, condenado pela morte da modelo Eliza Samúdio; o goleiro Daniel Alves, acusado de violência sexual e Lázaro Barbosa, autor de diversos homicídios e abusos sexuais.

Sentimento de angústia e revolta
A mãe da adolescente ouvida pelo Acorda Cidade relatou diante da gravidade do ato praticado pelos alunos, ela está cheia de angústia, revolta e insegurança.
“Fiquei sabendo através da minha filha, que estuda no colégio e presenciou tudo. Foi um choque tomar conhecimento dessa situação. Elas estão na escola para estudar, conviver e construir coisas boas. Minha filha está entre as alunas citadas, então não é algo distante da minha realidade. É uma situação que atinge diretamente, infelizmente”, relatou a mãe da aluna, que preferiu não se identificar.
Ela contou que ao saber da situação foi tomada por uma grande indignação, mas também forte preocupação pela segurança da filha.
“Como mãe, é muito difícil saber que sua filha está envolvida em uma situação dessa gravidade e não ter, de imediato, respostas claras sobre o que aconteceu, quem são os responsáveis e quais providências estão sendo adotadas. Minha preocupação é principalmente com a segurança dela, sem contar o emocional que não tem como não afetar”, disse.
Pais pedem posicionamento da escola
A mãe da adolescente informou ainda que após saber das ameaças feitas pelos estudantes, ela foi até a escola por duas vezes em busca de esclarecimentos. No entanto, ao se reunir com a coordenação, foi informada de que a instituição só vai se posicionar oficialmente aos pais a partir da próxima terça-feira (13).
“Segundo a coordenação, a direção estava reunida com representantes da polícia, do Conselho Tutelar e de outros órgãos para discutir quais medidas seriam adotadas. Também me foi informado que os alunos envolvidos já teriam sido convidados a se retirar da escola e que os pais deles participaram de uma reunião antes desse convite. Entendo que uma situação dessa gravidade exige apuração e que a escola precisa ter cuidado antes de emitir um posicionamento oficial.”
A mãe ressaltou que espera que todos os pais e responsáveis pelas meninas citadas na lista sejam acolhidos e recebam um posicionamento claro todas as medidas de segurança que serão adotadas.
“O que espero é que, até terça-feira, a escola tenha não apenas um posicionamento, mas esclarecimentos concretos sobre as providências adotadas, as medidas de proteção às alunas e como será garantido um ambiente seguro para elas, que tem sido minha maior prioridade. Eu estou preocupada com o impacto emocional que tudo isso pode causar nela. Minha filha está assustada e insegura. Quero que ela possa voltar a estudar sem qualquer constrangimento, exposição ou medo. Por isso, hoje ela não foi à escola. Minha prioridade neste momento é protegê-la e entender como a escola pretende garantir que ela e as demais alunas possam retornar às suas atividades com segurança e tranquilidade.
O que diz o CAT
Através de nota publicada na página oficial do colégio no Instagram, a instituição de ensino afirmou que está acompanhando de perto a situação e adotando todas as medidas cabíveis. Veja a seguir o esclarecimento na íntegra:
NOTA DE ESCLARECIMENTO
Diante da publicação que circula nas redes sociais, o Colégio Anísio Teixeira esclarece que está acompanhando as situações mencionadas e adotando as medidas cabíveis, com responsabilidade, acolhimento e respeito à legislação vigente.
Todas as situações que chegaram ao conhecimento da escola vêm sendo acompanhadas com a devida atenção, por meio de medidas pedagógicas respaldadas pela legislação vigente, respeitando os regimentos institucionais, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e os direitos de todos os envolvidos.
Reafirmamos nosso compromisso com um ambiente escolar seguro e respeitoso, livre de violência, discriminação e constrangimento.
Por envolver menores de idade, os casos são conduzidos com a devida cautela, preservando a privacidade dos envolvidos, o que limita a divulgação pública de informações.
O Colégio Anísio Teixeira seguirá atuando com seriedade e responsabilidade na proteção dos estudantes e na promoção do respeito em nossa comunidade escolar.
Com informações da produtora Daniela Cardoso, do Acorda Cidade.
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