14 de October de 2026
Pulmão
Foto: Magnific

Como já foi divulgado pelo Acorda Cidade, o Santo Padre Leão XIV foi submetido hoje a uma cirurgia torácica no Hospital Policlínico Gemelli, em Roma. Para remover completamente o tumor, os cirurgiões retiraram o lobo inferior do pulmão direito, utilizando uma técnica videoassistida. O exame histológico realizado durante a operação confirmou o diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar, já suspeitado com base nos exames pré-operatórios.

A intervenção durou cerca de 90 minutos, enquanto a permanência total do Papa na sala de cirurgia foi de aproximadamente três horas. A operação foi bem-sucedida e transcorreu sem complicações. Leão XIV despertou normalmente da anestesia e, após um breve período de observação, retornou ao seu quarto, no décimo andar. A equipe cirúrgica foi chefiada pelo professor Stefano Margaritora.

Papa Leão XIV passará por cirurgia para retirar nódulo no pulmão
Foto: Reprodução/Vaticano

O que é o adenocarcinoma pulmonar?

Adenocarcinoma pulmonar é um tipo de câncer de pulmão. O nome indica um tumor maligno cujas células apresentam características glandulares — relacionadas à produção de substâncias, como muco. Ele pertence ao grupo dos chamados cânceres de pulmão de células não pequenas. A palavra identifica o tipo de tumor, mas, sozinha, não revela sua extensão nem sua agressividade específica.

É uma doença séria, mas pode ser curável quando descoberta em estágio inicial e completamente tratada. Em determinados casos iniciais, a cirurgia pode ser suficiente; em outros, é necessário tratamento complementar.

No anúncio de 11 de outubro, o Papa informou que o nódulo havia sido encontrado numa fase muito inicial e estava bem localizado. Isso é um dado favorável, embora ainda não substitua o estadiamento definitivo.

O que falta saber sobre a gravidade da doença?

Para avaliar melhor a gravidade neste caso, precisamos conhecer principalmente:

  • O tamanho e a extensão do tumor: até onde ele invadiu os tecidos.
  • A situação dos linfonodos: se os gânglios linfáticos examinados contêm células cancerosas.
  • As margens cirúrgicas: se as bordas do tecido retirado estão livres de câncer.
  • O estadiamento completo: incluindo a investigação de eventual disseminação para outros órgãos.

O exame realizado durante a operação confirmou o tipo de câncer. O estudo anatomopatológico definitivo, combinado com os demais exames, fornecerá informações mais completas para estimar o prognóstico e decidir os próximos passos.

O boletim citado ainda não permite atribuir ao Papa uma porcentagem individual de cura.

Qual parte do pulmão foi retirada?

Quanto à parte retirada, a operação se chama lobectomia inferior direita. O pulmão direito tem três lobos: superior, médio e inferior. Foi retirado o inferior inteiro, preservando-se os outros dois e o pulmão esquerdo.

Essa operação pode ser indicada mesmo quando o tumor é pequeno: retirar um lobo não significa que todo ele estivesse tomado pelo câncer.

No desenho, vemos os pulmões de frente, por isso o pulmão direito aparece à esquerda de quem olha. A área destacada representa o lobo retirado; não representa o tamanho nem a posição exata do tumor.

Entenda o que é adenocarcinoma pulmonar, câncer que atinge o papa
Foto: Divulgação

A técnica videoassistida permite operar por incisões menores, com auxílio de uma câmera. Em geral, proporciona recuperação mais rápida que a cirurgia aberta, embora a retirada de um lobo continue sendo uma intervenção importante.

Pessoas com boa função pulmonar podem retomar suas atividades após a recuperação; a repercussão respiratória depende da condição dos pulmões e da saúde geral.

Recuperação e controle da doença

A expressão “retirar completamente” descreve a finalidade da operação. O bom resultado cirúrgico é uma notícia favorável; a confirmação do controle da doença dependerá também do laudo definitivo e do acompanhamento posterior.

A recuperação de uma cirurgia desse porte exige algumas semanas. Embora a técnica videoassistida geralmente permita uma recuperação mais rápida, a retirada de um lobo pulmonar continua sendo uma intervenção importante.

A internação costuma durar alguns dias, enquanto a recuperação da disposição e da tolerância ao esforço frequentemente requer de quatro a seis semanas, podendo prolongar-se conforme a evolução de cada paciente.

Viagem apostólica pode ser afetada?

Isso merece atenção em relação à viagem apostólica ao Uruguai, à Argentina e ao Peru, prevista para 6 a 17 de novembro. A partida ocorreria apenas 24 dias após a cirurgia, com um primeiro voo de mais de quatorze horas e uma programação que inclui diversos deslocamentos e compromissos públicos.

A realização da viagem dependerá, portanto, da avaliação da equipe médica. Será necessário verificar a função respiratória, a cicatrização, a ausência de complicações e a capacidade de suportar os esforços previstos.

O resultado definitivo da análise do tumor também ajudará a determinar se haverá necessidade de tratamento complementar.

É possível que a programação precise ser reduzida, adaptada ou adiada, mas ainda não há elementos para afirmar que isso acontecerá.

O bom resultado da operação é um dado favorável; a evolução nas próximas semanas permitirá avaliar com maior segurança as condições do Santo Padre para retomar uma agenda tão exigente.

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