
A Netflix anunciou nesta semana o corte de cerca de 6% de seu quadro de pessoal, o equivalente a aproximadamente 1.000 vagas. É o maior corte de pessoal da empresa desde 2022, segundo o Wall Street Journal.
Greg Peters e Ted Sarandos, copresidentes executivos da empresa, comunicaram a decisão aos funcionários em uma mensagem eletrônica na manhã da última quarta-feira (14). Os departamentos mais afetados serão produto, tecnologia, recursos humanos e jurídico.
No fim do ano anterior, a Netflix tinha aproximadamente 16 mil funcionários em tempo integral. O número mostra o peso do corte anunciado para a operação global.
Mudanças estratégicas da Netflix em um mercado concentrado
O enxugamento acontece em um contexto de competição feroz pela audiência em um setor de mídia cada vez mais concentrado. A empresa vem diversificando suas fontes de receita com investimentos em publicidade, transmissões ao vivo e plataformas de jogos, movimentos que ampliam seu modelo original de assinaturas.
O engajamento de assinantes cresceu apenas 2% no período mais recente, sinalizando desafios na retenção e atração de novos usuários. Além disso, a Netflix registrou seu menor número de vitórias no Emmy em uma década, indicadores que contextuam a necessidade de reestruturação operacional.
A disputa pelos ativos de estúdios e serviços de streaming se intensificou neste ano. No início do ano, a Netflix perdeu para a Paramount Skydance a disputa pelos ativos de estúdio e streaming da Warner Bros, e discovery.
A Paramount concluiu neste mês a compra da Warner Bros. por US$ 110 bilhões e criou um conglomerado que reúne estúdios cinematográficos e plataformas de conteúdo. A operação integra marcas como Warner Bros., Paramount Pictures, HBO Max, Paramount+, CNN e CBS sob o comando de David Ellison.
O grupo resultante carrega aproximadamente US$ 80 bilhões em dívidas e controla franquias como Harry Potter, Batman, Missão: Impossível e Top Gun, além de operações em cinema, televisão, streaming e jornalismo.
A nova entidade passou a ser negociada na Bolsa de Nova York sob o código “SKYD” na terça-feira (13), quando os papéis deixaram de ser negociados na Nasdaq.
A operação encerra uma das maiores disputas recentes pelo controle de ativos de Hollywood, que também atraiu o interesse da Comcast. O resultado reforça a consolidação que vem remodelando a indústria de mídia.
Por que a Netflix precisa cortar custos apesar de estar “forte e em crescimento”?
A empresa enfrenta um desafio duplo: embora o negócio permaneça sólido, o crescimento perdeu ritmo e a concorrência se intensificou.
O engajamento dos assinantes cresceu apenas 2% no período recente, sinalizando dificuldade para manter espectadores acompanhando séries além da primeira temporada. Ao mesmo tempo, a Netflix investe em novas frentes, como publicidade, eventos ao vivo e esportes.
Essas áreas exigem recursos, mas ainda não geram receita suficiente para compensar a desaceleração do modelo de assinaturas.
Os cortes servem para liberar recursos financeiros e humanos e realocá-los nas áreas de “alto impacto”, que a empresa considera capazes de acelerar o crescimento. Trata-se de um ajuste de prioridades, não de uma resposta a uma crise. A empresa precisa ser mais eficiente para sustentar sua estratégia de diversificação.