17 de October de 2026
Imagem: Pixabay

Exercícios de respiração intensiva reduzem o fluxo de sangue para o cérebro em até 45%, e alteram a comunicação entre redes neurais, segundo um estudo apresentado por pesquisadores com base em imagens de ressonância magnética. 

Os participantes descreveram experiências semelhantes às provocadas por drogas alucinógenas, com percepção alterada, imagens mentais vívidas, sensação de conexão universal e mudanças na autopercepção.

Mudanças no cérebro provocadas por técnicas de respiração

Pesquisadores apresentaram o estudo no ECNP Congress, em Munique, e o trabalho envolveu 30 indivíduos saudáveis com experiência em técnicas de respiração, que praticaram exercícios de alta ventilação durante a ressonância magnética. 

Os participantes relataram estados alterados intensos de consciência e descreveram principalmente uma sensação profunda de conexão com o universo, comparável ao que experimentariam com doses moderadas a altas de LSD ou psilocibina, embora com efeitos visuais menos pronunciados.

As imagens cerebrais revelaram que o fluxo sanguíneo na substância cinzenta caiu cerca de 45% durante a sessão, passando, em média, de 16,24 para 9,81 ml/100g/min. Os participantes que relataram estados alterados mais intensos também apresentaram maiores mudanças na rede neuronal padrão, estrutura cerebral envolvida na autorreflexão e no pensamento autorreferente.

Os pesquisadores do Instituto Central de Saúde Mental apontam que a intensidade da experiência não se explica apenas pela redução do fluxo sanguíneo. A vivência parece estar mais associada às alterações na comunicação dentro da rede neuronal padrão, sistema cerebral ligado à reflexão sobre si mesmo.

Possibilidades para a pesquisa em saúde mental

Por ser permitida por lei, acessível e não envolver medicamentos, a respiração intensiva oferece um caminho viável para estudar estados alterados de consciência.

Em um comentário adicional, a Brighton and Sussex Medical School afirma que entender os mecanismos envolvidos pode orientar futuras pesquisas sobre abordagens para tratar problemas de saúde mental.

Os pesquisadores ressaltam que o estudo foi pequeno e que os achados são preliminares. Estudos maiores serão necessários para verificar a relevância clínica das mudanças cerebrais. 

Pesquisas futuras com participantes sem experiência prévia e desenho randomizado ajudarão a determinar se os resultados podem ser replicados e se podem gerar benefícios terapêuticos mais amplos.