17 de October de 2026
Encontro de moda circular no Cuca
Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

O Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca), em Feira de Santana, recebe neste sábado (17), das 10h às 17h, o Encontro de Moda Circular, que reúne brechós, marcas autorais, acessórios, sebo e produtos artesanais, além de experiências como culinária, tatuagem e massoterapia. O evento busca incentivar o consumo consciente e valorizar a economia criativa e os pequenos empreendedores locais.

Em entrevista ao Acorda Cidade, Mikaelly Oliveira, uma das organizadoras do encontro, explicou que o evento surgiu a partir da necessidade de criar um espaço para dar visibilidade aos brechós locais, que em sua maioria operam de forma online. 

Segundo ela, o objetivo inicial foi tirar as marcas do ambiente digital e levar a experiência para o público, que pôde ver e experimentar as peças de perto. Com o tempo, a feira cresceu e passou a abrigar também artesãos e produtores de gastronomia artesanal. 

Mikaelly Oliveira
Mikaelly Oliveira | Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

Além de feirenses, que formam a maioria dos expositores, o Encontro de Moda Circular também contou com produtores e artesãos de Salvador. 

“A gente se reuniu para poder trazer a exposição para as pessoas conseguirem experimentar as peças. E foi crescendo, começamos a agregar artesanato, culinária. Hoje em dia o encontro tem vários segmentos. A gente tem oficinas gratuitas também, que a gente faz com parceria a um projeto social. Então as pessoas contribuem com quilo de alimento para poder ser destinado a famílias que precisam, e conseguem fazer as oficinas.”

Mikaelly afirmou que o objetivo do encontro também é agregar cultura à cidade. Por isso, a programação vai muito além das vendas, contando com rodas de conversa e oficinas gratuitas. Futuramente, a organização pretende incluir palestras também.

“A gente quer trazer também algo cultural para a cidade, que é carente desse tipo de evento, principalmente voltado para os brechós. Como é algo que eu acho que carece, a gente traz a proposta de mostrar o nosso trabalho para todo mundo. As pessoas que gostam e às vezes não têm muito o que fazer no final de semana, às vezes colam aqui e passam o dia todo, porque tem um monte de coisa para fazer.”

Crescimento da moda circular

De acordo com a organizadora, o nicho de brechó tem crescido e ganhado espaço cada vez mais. Com isso, o setor tem se tornado uma alternativa popularizada, superando preconceitos que antes existiam e fazendo com que as pessoas consumam mais de forma consciente. 

“Antes as pessoas tinham um pouco mais de preconceito. Hoje vem tomando força, as pessoas têm consumido mais, e se conscientizado mais, porque a indústria da moda é uma das que mais polui. Então, essa questão do brechó tem essa pegada de conscientização ambiental também, e eu sinto que isso tem crescido bastante, principalmente aqui.”

Em Feira de Santana, esse crescimento também tem se tornado uma realidade. Segundo Mikaelly, o movimento de brechós e moda sustentável ganhou mais força a partir da pandemia do Covid-19, que teve início, no Brasil, em 2020. 

“Desde a pandemia, eu sinto que vem crescendo mais e mais, vem se popularizando bastante, e vem também surgindo novos brechós, inclusive aqui no evento. A gente também incentiva que as pessoas comecem, além de participar, a estar aqui expondo. Muitas pessoas que expõem já são pessoas que, às vezes, vieram como clientes e decidiram trazer seus materiais para cá”, destacou. 

Cultura, impacto ambiental e economia

A iniciativa também busca aproximar o público dos espaços culturais da cidade, como o Cuca, permitindo que mais pessoas conheçam o local. 

Apesar do preconceito com objetos seminovos ainda existir, Mikaelly ressaltou que o encontro conta com produtos novos e artesanais. No entanto, ela afirma que essa resistência tem ficado para trás e dado lugar a um público cada vez mais aberto à moda sustentável. 

“No encontro você consegue encontrar coisas únicas, que não produz mais, por exemplo, peças vintage, com estampas diferentes, peças que a gente não encontra hoje em dia em fast fashion, em lojas comuns. Então a gente tem o diferencial do brechó de ter peças realmente exclusivas.”

Questionada sobre o impacto ambiental do fast fashion, que é caracterizado pela produção em larga escala e pelo descarte rápido de roupas, Mikaelly explicou que essas peças nem sempre possuem a mesma durabilidade e qualidade encontradas em itens vintage. 

“Quando a gente reaproveita e dá um novo sentido para aquela peça, ela não vira descarte, ela não vira lixo. A gente está ressignificando. Hoje mesmo na oficina que a gente vai ter de styling, vai ensinar como é que a gente consegue usar uma peça de diversas formas. Então, a gente consegue fazer vários looks com uma peça só. Tudo isso é uma forma de aproveitar aquilo e não sair só consumindo.”

Mikaelly também acredita que o Encontro de Moda Circular fortalece a economia criativa em Feira de Santana, pois dá visibilidade aos produtores e oferece ao público a oportunidade de ter contato direto com os produtos. 

“Dá um gás para as pessoas que fazem o seu próprio material, artesanatos, para as pessoas que expõem aqui, que são os artesanatos locais mesmo, porque às vezes as pessoas produzem, mas só na internet, fica mais difícil de mostrar e tudo mais. Então, tendo a feira aqui para a pessoa vir,  conseguir tocar, escolher, ver as peças, é bem diferente. Então, eu sinto que é até para um incentivo para as pessoas continuarem produzindo, fazendo arte e trazendo para os espaços.”

Hobby que virou renda

A artesã Lilian Costa, que produz sabonetes, aromatizadores, velas aromáticas e decorativas, entre outros produtos, contou que começou a confeccionar os materiais há três anos por hobby. 

“Tem três anos que eu comecei e eu comecei por hobby, para distrair a mente, aí eu peguei amor pelo que eu faço e comecei a comercializar também. Eu trabalho com velas aromáticas, difusor de varetas, home spray, velas decorativas, inclusive para o Halloween e Natal, e também pastilhas aromáticas, essências concentradas.”

Lilian contou que é a primeira vez que participa do Encontro de Moda Circular, mas destacou que já frequenta outras feiras e eventos particulares em Feira de Santana. Ela espera que o encontro ajude na divulgação do seu trabalho e na atração de novos clientes.

“O que eu espero do evento é divulgação, conhecer novas pessoas, o pessoal conhecer também o meu produto”, afirmou.

Maria Alice Matos também produz velas aromáticas, aromatizadores de ambientes, sabonetes e home spray, bem como artigos de decoração em gesso e em cimento branco, como bandejas e dispensas de sabonete. 

A artesã contou ao Acorda Cidade que começou a fazer velas depois da pandemia, como um hobby, por conta do excesso de trabalho. Em seguida, ela passou a vender os materiais. 

“O meu negócio começou logo após a pandemia, por conta do excesso de trabalho. Eu precisava esvaziar a minha mente, então eu comecei a fazer velas para mim e virou um produto para ser vendido.”

De acordo com Alice, o principal diferencial do seu trabalho é o fato de que todo o material utilizado é 100% vegetal, contando com itens como pavios de coco e cera de algodão, sem uso de parafina. Com isso, depois de derretidas, as velas também podem ser utilizadas na pele como óleo de massagem. 

Maria Alice Matos
Maria Alice Matos | Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

Além disso, a marca adota a política de reaproveitamento: os clientes podem retornar com os recipientes de vidro para realizar a reposição do produto, reutilizando a mesma embalagem. 

“Os produtos são feitos em recipiente de vidro. Então o cliente pode trazer novamente o vidro para que a gente só faça o preenchimento, reutilizando a própria embalagem.”

Ela também destacou que costuma participar tanto de outras edições do Encontro de Moda Circular quanto de outros eventos em Feira de Santana. 

Oficina de desfiles

Ana Júlia Vieira prestigiou o Encontro de Moda Circular e participou da oficina de desfiles realizada no Cuca. Em julho, a jovem venceu o concurso Miss Brasil, em Salvador.

“Eu estou amando ficar aqui, várias pessoas com várias criatividades.”

Agora, Júlia se prepara para representar o país no Miss Universo, que acontecerá no Chile no próximo ano.

Ana Júlia
Ana Júlia | Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

“Eu ganhei o Miss Brasil em julho, lá em Salvador. Foi muito legal, teve confinamento e várias coisas. Ano que vem vou estar indo para o Chile competir no Miss Universo, e estou atrás de vários parceiros para fazer parceria”, contou.

Para viabilizar a viagem e a preparação para a competição internacional, Ana Júlia destacou que está em busca de patrocínios e apoio de empresários locais. Os interessados em colaborar podem entrar em contato através do perfil no Instagram @missanajuliafashion.

“Eu estou amando ficar aqui, várias pessoas com várias criatividades. Vim prestigiar o evento, aprender a desfilar e dar um apoio”, concluiu.

Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade.

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