21 de October de 2026
Caminhada da Paz em homenagem a Everton Mikael Bacelar Lima
Foto: Ed Santos/ Acorda Cidade

Familiares, colegas, vizinhos e amigos se reuniram, nesta quarta-feira (21), para realizar a Caminhada da Paz, em homenagem a Everton Mikael Bacelar Lima, de 11 anos, morto a tiros dentro da própria residência no distrito da Matinha, na madrugada do dia 14 de outubro. A mobilização foi idealizada pela Escola Municipal Rosa Maria Esperidião Leite, onde Everton estudava. 

Em entrevista ao Acorda Cidade, a mãe de Everton, Ana Maria Lima, falou sobre a tristeza que tem sentido desde a morte de seu filho. Segundo ela, o menino sonhava em ser jogador do Bahia, para “ganhar muito dinheiro” e comprar uma casa para ela. 

“Está sendo muito triste para a gente, porque ninguém nunca imaginou que ia acontecer isso com ele. Tão novo, 11 anos, com tudo pela frente. Meu filho só queria estudar, jogar bola, que era o sonho dele. Falava com todo mundo que queria estudar, jogar bola, para comprar uma casa para me dar. O sonho dele era ir para o Bahia, para ganhar muito dinheiro, comprar uma casa para me dar e me tirar daqui.”

Ana Maria Lima
Ana Maria Lima | Foto: Ed Santos/ Acorda Cidade

Ana Maria também destacou o “silêncio doloroso” não só na casa dela, mas também na rua, pois os vizinhos também sentem falta da presença de Everton. 

Não deixaram meu filho sonhar. Mas a justiça será feita. Vai ter que ser feita. Não está sendo fácil para a gente de casa, os vizinhos. Todo mundo está vendo a diferença, é um silêncio doloroso.”

Ela também contou que Everton costumava dormir na sala. No dia do crime, Ana Maria acordou com os gritos da própria mãe, avó das crianças

Eu só acordei com minha mãe, gritando: “O que é isso aqui? O que é isso aqui?” Aí a gente chegou na sala e viu a situação.”

Por fim, ela afirmou que segue acompanhando as investigações e espera que as sejam tomadas. 

Até o momento, quatro pessoas foram presas pelo homicídio, incluindo dois adolescentes e um primo de Everton, que teria levado os três suspeitos até a residência.

Eu espero que eles possam tomar uma providência sobre isso, porque do jeito que está, não pode continuar, gente. Poxa, invadir a casa de uma pessoa para tirar a vida de outra, assim, desse jeito, não pode não. Não pode, isso não existe.”

“Sentimento de tristeza muito grande”

O professor Laércio Andrade, que ensina na unidade, ressaltou que essa situação não pode passar despercebida, bem como falou sobre a tristeza na escola. 

“Nós, enquanto professores, sociedade civil organizada, não podemos deixar um fato como esse passar despercebido. Existe um sentimento de tristeza muito grande da família, da comunidade, e nós, da escola nos organizamos para vir através dessa caminhada, dizer que basta de violência, basta da gente viver nesse clima de terror. A gente quer uma sociedade em que as pessoas possam ir e vir com um sentimento de paz.”

Laércio Andrade
Laércio Andrade | Foto: Ed Santos/ Acorda Cidade

De acordo com ele, a escola recebeu a notícia da morte de Everton com muita tristeza e indignação, deixando todos arrasados. Além disso, ele chamou atenção para a questão de segurança e violência em Feira de Santana e nos distritos. 

“Feira de Santana ocupa hoje a 22ª posição no ranking das cidades com mais de 100 mil habitantes com mortes violentas. Esse dado vem caindo, mas Feira ainda é uma cidade muito violenta. Então, a segurança pública, o poder público, a sociedade civil, precisam ver o que é que está acontecendo, dialogar com as comunidades para a gente sair desse índice que ainda é muito grave.”

Sindicato dos Trabalhadores Rurais pede reforço da segurança no distrito

Terezinha de Jesus, representante do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, é moradora do distrito da Matinha e também salientou que a caminhada busca alertar a população para a questão da segurança, principalmente na região. 

“Essa caminhada é para chamar a atenção, tanto da nossa comunidade, quanto das nossas representações enquanto sociedade em decréscimo da violência. Nós estamos vivendo um momento muito violento. E estão indo nossas crianças, nossa juventude. Então, é um momento mais de nos solidarizar enquanto família, enquanto comunidade nesse sentimento de perda.”

Terezinha de Jesus
Terezinha de Jesus | Foto: Ed Santos/ Acorda Cidade

Ela também reforçou que é necessário haver uma maior conscientização e responsabilidade das autoridades em relação a violência. 

“A gente pede mais segurança”

Com 43 anos de vivência na Matinha, uma moradora, que não se identificou, relatou que o clima no distrito é de extrema tensão e medo após a morte de Everton.

“Hoje em dia a gente não pode sair de casa, a gente tem medo dos nossos filhos irem para a escola. A violência está muita no distrito. E a represália aqui é fortíssima. A gente pede mais segurança.”

Segundo ela, os moradores pedem mais segurança para a comunidade, que vive com medo, evitando sair e até ficar na porta de casa. 

“A importância dessa caminhada é para chamar a atenção do poder público e que a gente está precisando de mais segurança aqui no distrito. Então é uma forma de protesto em honra e memória da criança que foi assassinada, e também em forma de chamar a atenção para prever outros que não venham a acontecer com os nossos filhos, parentes, nossos vizinhos, enfim, com a comunidade.”

Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade.

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