22 de October de 2026
Supervulcão abriga 500 mil moradores e pode entrar em fase crítica em 8 anos
Foto: ROBERTO ZUNIGA/Pexels

Cerca de 500 mil pessoas vivem em áreas de risco geológico sobre uma caldeira vulcânica a oeste de Nápoles, na Itália. Campi Flegrei nunca registrou um ritmo de deformação e tremores como o observado nos últimos anos, segundo um novo levantamento sobre a região.

Pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul projetam um possível ponto de ruptura do sistema vulcânico para 2034. Os próprios autores reconhecem que os dados reunidos até agora não permitem determinar o que ocorreria depois desse limite.

Com 15 quilômetros de diâmetro, a estrutura ainda não teve o estudo avaliado por outros cientistas em revista especializada. O material circula apenas na plataforma arXiv, de pré-publicações. Mesmo sem revisão independente, os dados registram mudanças rápidas sob a caldeira.

Uma história de 40 mil anos sob o solo

Monte Nuevo. Foto: Wikimedia Commons

Uma explosão vulcânica de grandes proporções formou a caldeira há cerca de 40 mil anos. Outras erupções, menores, remodelaram a região ao longo dos milênios seguintes e deixaram marcas ainda visíveis.

Em 1528, um desses episódios criou o Monte Nuovo, cone vulcânico que atualmente mede 132 metros de altura. Tremores constantes e elevação do solo marcaram o período entre 1950 e 1980, deixando a crosta da região mais vulnerável a novas pressões internas.

O terreno que não para de subir

Desde 2005, o fundo da caldeira já subiu 1,4 metro, um movimento ligado à circulação de gases abaixo da superfície vulcânica. Em 2024, o solo passou a subir 1,5 centímetro por mês, segundo dados coletados na área.

No mesmo período, a região enfrentou mais de mil terremotos em apenas um mês, com dois registros atingindo magnitude 4,0 e 4,2. Para os autores da pesquisa, o que preocupa não é só o aumento da atividade sísmica, mas a velocidade crescente desse próprio aumento.

Dois cenários possíveis para o vulcão

Um modelo físico construído pela equipe distingue dois comportamentos típicos de sistemas vulcânicos sob pressão. Em um deles, a atividade cresce de forma previsível; no outro, chamado singularidade de tempo finito, a própria velocidade de crescimento se intensifica sem limite aparente.

Davide Zaccagnino, primeiro autor do trabalho e pesquisador de pós-doutorado em riscos geológicos na Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul, em Guangdong, China, afirmou ao Live Science que o modelo aplicado a Campi Flegrei se encaixa no segundo cenário, mais imprevisível.

Na entrevista, ele destacou que é possível estimar o momento do ponto de ruptura, mas não o que vem depois dele com os dados disponíveis.

Por que a resistência da crosta importa

A capacidade da crosta terrestre de suportar a pressão acumulada dentro da caldeira pesa mais, segundo o pesquisador, do que o simples crescimento da atividade vulcânica isolada. Romper esse limite estrutural tende a provocar alguma mudança perceptível no sistema.

Christopher Kilburn, vulcanólogo do University College London que não participou do estudo, disse ao Live Science que cada episódio de instabilidade anterior ajuda a entender a condição atual do vulcão.

Segundo ele, a crosta se estica um pouco mais a cada nova emergência, e isso faz com que as crises seguintes se somem às anteriores, deixando o sistema mais frágil a cada ciclo.

Kilburn ponderou ainda, na mesma entrevista, que o comportamento do vulcão vem se transformando, o que reduz o valor do histórico passado como referência confiável para o que pode acontecer agora.

Pontos-chave
Pontos-chave sobre a caldeira de Campi Flegrei
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Cerca de 500 mil pessoas vivem em áreas de risco geológico sobre a caldeira a oeste de Nápoles.
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Pesquisadores projetam um possível ponto de ruptura do sistema vulcânico para 2034, sem saber o que ocorreria depois.
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Desde 2005 o fundo da caldeira subiu 1,4 metro; em 2024 o solo passou a subir 1,5 cm por mês.
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Em 2024 a região registrou mais de mil terremotos em um mês, com magnitudes de 4,0 e 4,2.
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Um modelo indica que o sistema pode estar em uma ‘singularidade de tempo finito’, com aceleração da atividade.
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A transição estimada entre 2030 e 2034 pode levar a erupção ou a outro rearranjo; a intensidade de um evento não pode ser calculada hoje.

O que pode acontecer após o ponto de ruptura

A transição estimada entre 2030 e 2034 pode terminar em erupção, mas também pode resultar em outro tipo de rearranjo geológico que apenas altere o padrão de atividade do vulcão. Nenhum dos cenários permite calcular, por ora, a intensidade de um eventual evento eruptivo.

Quando a aceleração não leva a uma erupção

A intensidade dos sinais observados em Campi Flegrei não permite afirmar que haverá uma erupção entre 2030 e 2034. O “ponto de ruptura” estimado pelos pesquisadores indica que o sistema deve passar por uma mudança significativa, mas não define seu resultado: o magma pode não chegar à superfície.

Christopher Kilburn, vulcanólogo que analisou o trabalho, alertou que o comportamento do vulcão está mudando, o que torna o histórico passado menos confiável para prever o futuro.