
Cansaço, ganho de peso, pele seca, constipação e intolerância ao frio são sintomas frequentemente associados ao hipotireoidismo. Na terceira idade, porém, a condição pode apresentar manifestações menos específicas e também afetar aspectos como memória, concentração e humor, fazendo com que alguns sinais sejam confundidos com o próprio processo de envelhecimento.
O hipotireoidismo ocorre quando a tireoide produz uma quantidade insuficiente de hormônios, fazendo com que diversas funções do organismo funcionem de maneira mais lenta. Com o avanço da idade, a tireoide pode perder eficiência, enquanto fatores como doenças autoimunes, tratamentos anteriores da tireoide e alguns medicamentos também podem aumentar o risco.
“É importante não atribuir automaticamente ao envelhecimento sintomas como cansaço excessivo, apatia ou alterações cognitivas. Em alguns casos, eles podem estar relacionados a alterações hormonais que precisam ser investigadas”, explica Bruno Vial, médico do Grupo Said.
Quais são os principais sintomas?
Entre as manifestações mais comuns do hipotireoidismo estão cansaço, ganho de peso, constipação, intolerância ao frio, pele seca e queda de cabelo. Em pessoas idosas, também podem aparecer sinais como apatia, depressão, piora da capacidade cognitiva, redução da frequência cardíaca (bradicardia) e edema facial.
A apresentação dos sintomas pode variar de uma pessoa para outra e, em alguns idosos, ser mais discreta. Por isso, mudanças persistentes na disposição, no comportamento ou na capacidade de realizar atividades habituais merecem atenção.
Memória e humor também podem ser afetados
Além dos sintomas físicos, o hipotireoidismo não tratado pode interferir no funcionamento cognitivo. Lentidão de raciocínio, dificuldade de concentração e esquecimentos podem aparecer, assim como alterações de humor.
Em alguns casos, o paciente pode apresentar apatia, irritabilidade ou sintomas depressivos. Quadros mais graves podem provocar confusão mental.
“Quando um idoso apresenta uma mudança significativa de comportamento, humor ou capacidade de concentração, é importante considerar diferentes possibilidades antes de atribuir esses sinais exclusivamente à idade. Uma avaliação adequada pode ajudar a identificar se existe alguma condição de saúde por trás dessas alterações”, afirma Bruno.
Como o hipotireoidismo é diagnosticado?
A investigação é feita principalmente por meio de exames de sangue, com destaque para a dosagem de TSH e T4 livre. Dependendo da avaliação clínica, o médico também pode solicitar a pesquisa de anticorpos anti-TPO para investigar uma possível causa autoimune, como a tireoidite de Hashimoto.
O diagnóstico deve considerar os sintomas, o histórico do paciente e os resultados dos exames. A avaliação médica é especialmente importante entre idosos, que podem apresentar outras condições de saúde ou utilizar medicamentos que também influenciam a rotina e os sintomas.
Acompanhamento é importante para manter o tratamento adequado
Uma vez identificado o hipotireoidismo, o acompanhamento profissional é fundamental para controlar a condição e ajustar o tratamento conforme a necessidade de cada paciente. O monitoramento também ajuda a observar mudanças nos sintomas e na resposta ao tratamento.
Para familiares e cuidadores, acompanhar alterações na rotina pode ser importante. Mudanças persistentes na disposição, alimentação, humor, memória ou capacidade de realizar atividades cotidianas devem ser comunicadas aos profissionais responsáveis pelo acompanhamento do idoso.
“O cuidado com o idoso precisa considerar o conjunto de mudanças que aparecem ao longo do tempo. Observar a rotina e comunicar alterações à equipe que acompanha o paciente pode contribuir para que problemas de saúde sejam investigados mais cedo”, finaliza o médico.
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