
Uma doação privada de 400 mil hectares ajudou a formar uma rede pública de parques que conecta paisagens, ecossistemas e comunidades ao longo de milhares de quilômetros no Chile. O casal formado pelo empresário Douglas Tompkins e Kristine McDivitt deixou marcas duradouras nos esforços de preservação ambiental sul-americanos.
Kristine McDivitt foi diretora executiva da empresa de roupas outdoor Patagonia e compartilhava com Tompkins o objetivo de proteger ecossistemas naturais. Juntos, destinaram grande parte da fortuna para adquirir e preservar terras na América do Sul, apostando que acordos com governos garantiriam proteção a longo prazo.
Como começou a iniciativa de conservação no Chile?
No início dos anos 1990, o casal começou a adquirir terras no sul do Chile para preservar bosques, rios, pântanos e montanhas. A iniciativa gerou controvérsias: alguns setores temiam que estrangeiros comprassem grandes extensões territoriais, enquanto Tompkins argumentava que devolveria essas áreas ao uso público por meio de parques nacionais.
Para formalizar o plano, o casal recorreu ao governo. Em 15 de março de 2017, Kristine McDivitt e a então presidente chilena Michelle Bachelet incorporaram as terras privadas ao sistema de conservação do país.
No total, foram doados 407.625 hectares, que combinados a terrenos públicos resultaram em uma rede de cerca de 4,5 milhões de hectares, área próxima à extensão territorial da Suíça, de 4,1 milhões de hectares.
Com o acordo, cinco novos parques nacionais foram criados, e outros três tiveram suas áreas ampliadas. O Parque Nacional Pumalín Douglas Tompkins e o Parque Nacional Patagonia estão entre os destaques desse conjunto de áreas protegidas. Em fevereiro de 2019, o Ministério de Bens Nacionais do Chile confirmou que os oito parques haviam concluído a tramitação oficial.
Douglas Tompkins morreu aos 72 anos, em dezembro de 2015, em um acidente de caiaque no lago General Carrera, na Patagônia chilena. Kristine McDivitt continuou à frente dos esforços de conservação e coordenou a concretização do acordo que os dois haviam planejado.

Expansão para a Argentina e reconhecimento internacional
O trabalho do casal também se estendeu à Argentina, onde adquiriu terras para restaurar ecossistemas e promover a criação de áreas protegidas. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, as iniciativas do casal e de seus colaboradores contribuíram para impulsionar a criação de 13 parques no Chile e na Argentina.
Com uma superfície conjunta de cinco milhões de hectares quando foram reconhecidas, em 2018. O reconhecimento internacional, em 2018, consolidou o legado dessas iniciativas na proteção de ecossistemas críticos da América do Sul.