
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária proibiu um azeite e determinou o recolhimento de lotes de sal e doce de leite após identificar irregularidades graves em testes de laboratório. A decisão afeta três produtos comercializados em todo o Brasil, de marcas conhecidas pelos consumidores.
Os problemas identificados incluem teor inadequado de iodo no sal, origem desconhecida no azeite e falta de conservante adequado no doce de leite. As três determinações foram publicadas em 22 de janeiro de 2026 e proíbem a fabricação, comercialização, distribuição e consumo dos itens afetados.
Sal com teor de iodo reprovado

O Sal Marinho Grosso Iodado da marca Marfim, produzido pela empresa M Gomes Praxedes Ltda, foi reprovado em análise do Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal. A Anvisa suspendeu a comercialização, a distribuição e o consumo do lote 901124.
O iodo é um mineral fundamental para que a tireoide funcione adequadamente. A legislação brasileira exige a adição de iodo ao sal destinado ao consumo humano desde 1953, quando a Lei nº 1.944 estabeleceu essa obrigatoriedade com objetivo de prevenir deficiências nutricionais.
A carência de iodo pode causar bócio, aumento da glândula tireoide, e comprometer o desenvolvimento fetal durante a gravidez.
Azeite com origem desconhecida é proibido

A Anvisa proibiu o Azeite de Oliva Extravirgem da marca Terra das Oliveiras porque sua origem era desconhecida. O produto era vendido na plataforma de comércio eletrônico Shopee quando a agência reguladora identificou as irregularidades.
A empresa apontada como importadora no rótulo, a JJ – Comercial de Alimentos Limitada (CNPJ 37.815.395/0001-90), encerrou seu cadastro em 8 de janeiro de 2025 após extinguir voluntariamente suas atividades. Por isso, a Anvisa determinou a apreensão de todo o azeite e proibiu sua fabricação, importação, divulgação e consumo.
Doce de leite tem conservante reprovado

O Doce de Leite em Pedaços da marca São Benedito, produzido pela JF Indústria Comércio de Doces e Laticínios Ltda, foi reprovado no teste de ácido sórbico, realizado pelo mesmo laboratório. O recolhimento afeta apenas o lote fabricado em 25 de junho de 2025.
Além do teor inadequado do conservante, a fiscalização identificou ausência de identificação do lote no rótulo. O ácido sórbico é a substância que impede ou retarda a proliferação de microrganismos que danificam alimentos durante o armazenamento. A Anvisa determinou o recolhimento do produto e a suspensão de sua comercialização, distribuição e consumo.
O que fazer se você tem esses produtos
Consumidores que adquiriram qualquer um desses três itens não devem consumi-los. Quem comprou o sal Marfim do lote 901.124 pode devolver o produto ao ponto de venda ou entrar em contato com o fabricante.
Nos casos do azeite Terra das Oliveiras e do doce de leite São Benedito. A orientação é não consumir os produtos e procurar o estabelecimento onde a compra foi realizada para obter informações sobre devolução ou troca.
Quando a proibição não se aplica a todo o lote
Nem sempre a proibição alcança todo o produto, e no caso do sal Marfim, apenas o lote 901124 foi suspenso, enquanto outros lotes da mesma marca e fabricante continuam sendo vendidos.
Isso acontece porque cada fabricação de alimento passa por análises separadas, e um problema identificado em um lote específico não significa que todos os lotes seguintes terão o mesmo defeito. Para o doce de leite São Benedito, a restrição também se limitou ao lote fabricado em um dia específico.
Já no caso do azeite Terra das Oliveiras, cuja origem era desconhecida, a Anvisa proibiu o produto inteiro.
Como saber se o produto que comprei está na lista de proibição?
O consumidor deve verificar três informações na embalagem: o nome exato da marca, o número do lote e a data de fabricação. No caso do sal Marfim, por exemplo, a restrição vale apenas para o lote 901124. Se a embalagem tiver outro número de lote, ele não está incluído nesta proibição.
Para o doce de leite São Benedito, a data de fabricação que importa é 25 de junho de 2025. Já o azeite Terra das Oliveiras foi proibido por completo, então nenhum lote dessa marca pode ser consumido. Se esses dados confirmarem que o produto foi afetado, não o consuma e leve-o ao estabelecimento onde foi comprado para devolução ou troca.
A história da obrigatoriedade do iodo no sal brasileiro
A exigência de adicionar iodo ao sal consumido no Brasil não é recente. A Lei nº 1.944, sancionada em 1953 pelo então presidente Café Filho, foi uma das primeiras medidas de saúde pública do país voltadas especificamente para a prevenção de deficiências nutricionais em massa.
Na época, a deficiência de iodo era um problema grave de saúde pública, causando bócio e comprometendo o desenvolvimento de crianças. Essa lei transformou o sal de cozinha em um veículo importante para garantir que todos os brasileiros. Independentemente de sua renda ou acesso a alimentos diversificados, recebessem o iodo necessário para manter a tireoide funcionando adequadamente.
O que significa origem desconhecida em um azeite
Um produto com origem desconhecida não oferece rastreabilidade, ou seja, não é possível saber de onde veio, quem realmente o produziu ou sob quais condições foi fabricado. No caso do azeite Terra das Oliveiras, a empresa importadora listada no rótulo havia encerrado suas atividades, deixando sem ninguém responsável pelo produto no Brasil.
Isso criou uma situação onde a Anvisa não consegue garantir que o azeite passou pelos controles de qualidade adequados, que seus ingredientes são seguros ou que a embalagem e armazenamento foram feitos corretamente. Por essa razão, a agência proibiu totalmente o produto, pois não há como verificar sua segurança para o consumo humano.