30 de October de 2026
Bahia produz mineral estratégico usado em baterias capazes de armazenar energia por horas
Foto: Alan Christian/Divulgação

O crescimento acelerado da inteligência artificial e dos data centers abre novas possibilidades para a mineração na Bahia, em especial para o vanádio, matéria-prima de baterias de fluxo voltadas ao armazenamento de energia em grande escala. Alberto Arias, co-CEO da mineradora canadense Largo, avalia que esse cenário pode transformar o mineral baiano em peça-chave de um mercado bilionário.

No estado, funciona a mina Maracás Menchen, apontada como uma das maiores produtoras de vanádio em atividade no mundo. Entre as 93 tipologias minerais encontradas no país, 47 vêm da Bahia, que também se mantém à frente na extração de vanádio e de urânio.

Tecnologia de armazenamento ganha força com data centers

Foto: Pexels

Historicamente, o vanádio serviu sobretudo na fabricação de aços resistentes e ligas metálicas especiais. Nos últimos anos, porém, sua aplicação em baterias de armazenamento de energia despertou novo interesse no mercado global. Em 2025, a Largo firmou parceria com a americana Stryten Energy, dando origem à Storion Energy, empresa voltada à fabricação de componentes e eletrólitos usados nessas baterias de fluxo.

As baterias de fluxo de vanádio funcionam de forma distinta das convencionais de íons de lítio: armazenam eletricidade em soluções líquidas contendo vanádio que circulam entre tanques e células eletroquímicas.

Essa tecnologia permite guardar grandes quantidades de energia por várias horas, tem longa vida útil e oferece menor risco de incêndio. Por isso, é ideal para indústrias, redes elétricas e data centers que exigem fornecimento contínuo.

Mercado brasileiro de data centers em expansão acelerada

O Brasil encerrou o primeiro semestre de 2025 com 706 megawatts de capacidade instalada em data centers, o que equivale a uma taxa composta de crescimento de 15% ao ano desde 2012. Segundo levantamento de consultoria imobiliária, o mercado deve dobrar de tamanho até 2030.

Esse avanço nas instalações de processamento de dados eleva também a demanda por infraestrutura de geração, transmissão e reserva energética. A Largo enxerga nessa expansão um mercado potencial para o vanádio, historicamente concentrado na siderurgia.

Pontos-chave
Pontos-chave da matéria sobre vanádio e armazenamento de energia
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O vanádio é matéria-prima para baterias de fluxo voltadas a armazenamento de energia em grande escala.
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A mina Maracás Menchen, na Bahia, é apontada como uma das maiores produtoras de vanádio em atividade no mundo.
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Baterias de fluxo de vanádio armazenam energia em soluções líquidas que circulam entre tanques e células eletroquímicas.
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Essas baterias permitem guardar grandes quantidades de energia por várias horas, têm longa vida útil e menor risco de incêndio.
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O crescimento de data centers e da capacidade instalada no Brasil aumenta a demanda por infraestrutura de geração e reserva energética.
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A defesa dos EUA investiu na mineradora Largo e contratou entregas de pentóxido de vanádio de alta pureza até janeiro de 2030.

Defesa americana impulsiona investimento no minério

Além da demanda em tecnologias de armazenamento, o vanádio segue estratégico para defesa e aeroespacial, onde integra aços de alta resistência e ligas especializadas. Em julho, a defesa norte-americana investiu US$ 60,1 milhões na mineradora Largo, fornecedora da Agência de Logística de Defesa dos Estados Unidos. Com entregas de pentóxido de vanádio de alta pureza programadas até janeiro de 2030.

O interesse americano no mineral baiano reflete esforços ocidentais para reduzir dependência de fornecedores asiáticos e europeus, especialmente China e Rússia. Para Arias, as políticas públicas sobre minerais críticos deveriam dar mais peso ao vanádio, dada sua relevância em diversos setores da indústria.

Por que as baterias de fluxo funcionam diferente das outras

Enquanto as baterias comuns (como as de lítio) armazenam energia em uma única célula, as baterias de fluxo funcionam como um sistema de circulação. O vanádio em solução líquida fica armazenado em reservatórios separados e só flui para uma célula central quando precisa carregar ou descarregar energia.

Isso significa que você pode aumentar quanto de energia guarda simplesmente usando tanques maiores, sem precisar de células eletroquímicas maiores.

Quando as baterias de fluxo de vanádio não são a melhor opção

As baterias de fluxo de vanádio são ideais para armazenar energia por muitas horas, mas outras tecnologias podem ser mais práticas em situações diferentes. Pesquisas em curso estão desenvolvendo baterias à base de ferro.

Zinco e até materiais orgânicos vindos de resíduos do setor alimentar, que podem ser mais simples ou viáveis em cenários onde o vanádio não seja a solução ideal.

Quanto tempo uma bateria de fluxo de vanádio consegue manter energia armazenada?

Uma bateria de fluxo de vanádio pode manter energia armazenada por períodos muito longos, oito a dez horas ou mais. Essa capacidade de armazenamento de longa duração é uma das suas principais vantagens, permitindo que redes elétricas compensem períodos inteiros sem produção solar (como à noite) e reduzam picos de demanda.

Além disso, essas baterias têm vida útil de pelo menos 20 anos com degradação mínima.