
Será que dá para apagar uma chama só com som? Foi essa pergunta que guiou a adolescente mexicana Ángela Karime Venegas Hernández, de 16 anos, no desenvolvimento de um projeto premiado com ouro na Feira Internacional de Ciência e Invenção, realizada em outubro de 2026 na Indonésia.
Batizado de Vortex Tech, o aparelho consegue combater as chamas sem precisar de água, espuma ou produtos químicos. Na categoria de tecnologia da competição, cerca de 110 projetos vindos de 25 países diferentes concorreram, e foi a invenção mexicana que se sobressaiu entre eles.
Da curiosidade adolescente ao protótipo funcional
Reproduzir o conceito dos canhões sônicos que via online não foi tarefa simples. Durante aproximadamente um ano, a adolescente desenvolveu o projeto com acompanhamento do professor José Arturo Hernández Muñoz, no CETIS 78, unidade localizada na cidade mexicana de Altamira.
Uma bateria de 12 volts alimenta o sistema, enquanto um gerador de frequências e um amplificador trabalham juntos para produzir o som que sai por uma corneta direcionada à chama. A combinação dessas peças gera uma vibração capaz de perturbar o ar ao redor do fogo.
A frequência escolhida para o dispositivo fica perto de 30 hertz, faixa baixa o bastante para provocar turbulência no ar próximo à combustão. Essa agitação desorganiza a camada de gases que alimenta a chama, até que ela perca força e se apague sozinha.
Pequenas chamas foram extintas a uma distância de dois metros durante as rodadas de teste. Madeira, líquidos inflamáveis, óleo de cozinha e até cenários com equipamentos eletrônicos entraram na lista de materiais usados para validar o funcionamento do aparelho.
Encontrar a combinação certa de frequência e potência exigiu paciência: foram mais de 100 testes até chegar a uma versão capaz de responder de forma consistente. Cada rodada trazia ajustes nos componentes eletrônicos e na forma como o som era direcionado ao fogo.
Um diferencial do projeto chamou atenção de quem avaliou o trabalho: não sobra resíduo químico depois do uso, ao contrário do que ocorre com extintores tradicionais. Isso pode facilitar a limpeza em laboratórios e ambientes com equipamentos sensíveis, onde contaminação é um problema sério.

Reconhecimento e próximos passos
A vitória em outubro de 2026 também projetou o nome do CETIS 78, escola onde a estudante cursa eletrônica, no estado de Tamaulipas. Trabalhos conduzidos por adolescentes vêm conquistando espaço crescente em disputas científicas de alcance internacional.
O desempenho do Vortex Tech ainda depende de variáveis como potência sonora, distância da chama e tipo de incêndio enfrentado. Os testes seguem restritos a focos pequenos e controlados, sem validação ainda para situações de maior escala.
Ampliar o alcance do equipamento é a meta seguinte da jovem inventora. Outra ambição é desenvolver uma versão capaz de identificar focos de incêndio sozinha e direcionar o som automaticamente, sem intervenção humana no momento do disparo.
A trajetória de Ángela prova que uma pergunta simples sobre física pode virar tecnologia premiada em escala mundial. Agora, o desafio é mostrar que a ideia resiste a condições reais, fora da segurança controlada do laboratório escolar.