
Todos os anos o Dia de Finados movimenta o comércio de flores e arranjos em lojas do segmento e nas portas dos cemitérios de Feira de Santana. A tradição envolve uma cadeia de comerciantes informais e produtores da região e também de outros estados, que veem na data comemorativa a oportunidade para faturar uma renda extra.
A vendedora ambulante de flores Vilma Almeida Santos, que trabalha diariamente no Shopping Popular Cidade das Compras, contou que aproveita o feriado de Finados para comercializar arranjos e flores artificiais em frente ao cemitério Piedade.

“Trabalho com arranjos já há mais de 10 anos. Eu compro as flores e preparo os vasos. É bem bonito e eu gosto de trazer bastante. Não tem nenhum ajudante, nenhum colaborador, eu sozinha mesmo consigo desembolar.”


💐Praça dos Floristas registrou boa movimentação
Na Praça dos Floristas, na Rua Olímpio Vital, os comerciantes registraram boa movimentação desde o fim de semana. De acordo com a comerciante Simone Souza, o movimento começou desde sábado.

“Desde sábado começou a procura dos vasos, do pessoal que viajou para outras cidades. Ontem (domingo) e hoje também vendemos bem. Foi melhor que no ano passado e superou as expectativas”, comemorou.
Para Simone, trabalhar com flores não é apenas sua profissão, mas também um prazer pessoal, que foi herdado dos seus pais. “Aqui estamos eu e meu esposo, é um negócio de família, e eu amo trabalhar com flores, elas transmitem paz para a gente e quem trabalha sente essa paz. Eu gosto muito das rosas, os arranjos, que também são bem procurados. Porém nesta data, os mais procurados são os vasos.”

Na loja dela, os vasos com flores custaram a partir de R$ 20 e os maiores em torno de R$ 50. Muitos vasos vêm do estado de São Paulo, ela compra também de alguns fornecedores da região, que trabalham com os crisântemos.
“Maracás, Pernambuco, Gravatá vende para a gente também. Mas os fornecedores que a gente mais compra são os de São Paulo, que vem de Holambra.”


Avó passou ofício até a 5ª geração
Em frente ao Jardim Celestial estava a florista Daniele Karoline, que saiu do bairro Olhos D’água para comercializar seus produtos para os visitantes que compareceram às missas e para homenagear seus entes nesta segunda-feira.
Em entrevista ao Acorda Cidade, ela relatou que vende flores artificiais fabricadas por sua avó, de 87 anos, conhecida como Zélia, do Eucalipto. Dona Zélia empreende já há bastante e passou a tradição de vender flores também para suas filhas, netos e tataranetos.

“Eu vendo flores aqui no Jardim Celestial já faz 14 anos, comecei com apenas 12 anos e continuo aqui vendendo de forma fiel. Comecei através da minha avó, dona Zélia, do Eucalipto, que ela trabalha com flores e colocou a gente neste caminho, em todo São João, também dias normais, e o Dia de Finados, que é um dia especial. São flores artificiais, que minha avó fabrica, embala e entrega para os netos, as filhas e tataranetos venderem. Todo mundo ganha, é um dia de fazer dinheiro. A gente tira a parte dela, que a gente compra, e o lucro é nosso.”

Segundo Karoline, a avó também vendeu flores neste feriado em frente ao cemitério Piedade.
“E aqui me acompanham meu filho, de 14 anos, e meu esposo. Hoje vendemos arranjos de R$ 20 e R$ 25, como copos de leite abertos e os floridos. É satisfatório, uma tradição, e enquanto minha avó estiver com a gente, com vida e saúde, a gente vai estar aqui. Só tenho a agradecer pela oportunidade.”
A florista Silvaneide Lopes, que residente no Conjunto Feira 7, também atravessou a cidade e chegou por volta das 5h no cemitério Jardim Celestial, no bairro SIM. Ao Acorda Cidade, ela contou que há cerca de 15 anos, todo dia de Finados, faz esse percurso para tentar garantir boas vendas.

“Venho pela necessidade de uma renda extra e pagar as contas. Eu gosto de trabalhar aqui porque é mais tranquilo e também por causa da organização. Eu trabalho com arranjos naturais e os artificiais. A gente traz velas também e alguns materiais em MDF com o nome Jesus, paz, felicidade, alguns acessórios que as pessoas podem colocar nas covas dos seus entes queridos”, afirmou.
Ela informou que as flores artificiais são mais procuradas que as naturais, por conta da durabilidade. “Temos vários tipos, tamanhos e espécies, e as naturais que mais vendem são os girassóis e cravos. Já as artificiais duram mais, e tem algumas que são naturais mais de sol que chegam a durar uns 30 dias se cuidar.”
Silvaneide Lopes destacou que a procura por flores neste feriado foi considerada boa, porém menor que nos anos anteriores. “A procura é boa. Esse ano está mais devagar, e nos outros anos para mim foi bom, nunca foi ruim. Muitos trabalham, não podem vir, outros foram viajar para visitar seus familiares.”
Sobre os preços, ela disse que também são bem variados. “As flores custaram desde R$ 5 até R$ 50, 70. Mas as que a gente mais vende são as de R$ 20. Mas o bom vendedor tem que negociar com o cliente.”
Na parte externa do cemitério São Jorge, havia muitos floristas, e alguns chegaram desde a sexta-feira (30) para incrementar as vendas.

A comerciante Luzia de Souza afirmou que montou sua barraca no sábado (31), e os arranjos artificiais por serem mais duráveis foram bem vendidos, apesar de que no ano passado as vendas foram melhores.
“Sábado tivemos um movimento baixo aqui e domingo também. E hoje viemos na expectativa de vender o que ficou. Muita gente está viajando e a cidade ficou vazia. Os preços custaram entre R$ 5 e R$ 25. “Os preços foram convidativos, e se o cliente chora, a gente dá um desconto a mais.”
Com informações dos repórteres Ed Santos, Ney Silva e Paulo José, do Acorda Cidade.
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