
A fertilidade masculina é influenciada por fatores que vão além da idade e da genética. Hábitos cotidianos, exposição a agentes químicos e doenças não diagnosticadas podem comprometer a saúde reprodutiva. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de uma em cada seis pessoas enfrenta problemas de infertilidade. Estimativas indicam que fatores masculinos estão envolvidos em aproximadamente 30% dos casos isoladamente e, em outros 20%, aparecem associados a fatores femininos, reforçando a importância de investigar ambos os parceiros.
Entre os fatores associados a alterações na fertilidade estão tabagismo, consumo excessivo de álcool, uso de drogas, obesidade e alimentação desequilibrada.
“O impacto varia conforme o organismo, a intensidade e o tempo de exposição. Por isso, é importante avaliar o histórico de cada paciente e investigar possíveis alterações, sem atribuir a dificuldade para ter filhos a um único fator. Essa análise ajuda a orientar os cuidados necessários para preservar a saúde reprodutiva”, explica o especialista em Reprodução Humana e médico do IVI Salvador, Agnaldo Viana.
O cigarro pode favorecer o estresse oxidativo e prejudicar os espermatozoides, enquanto a obesidade está relacionada a alterações hormonais e a parâmetros seminais menos favoráveis. Também merece atenção o uso de testosterona e esteroides anabolizantes sem indicação médica, pois essas substâncias podem inibir a produção hormonal natural dos testículos e reduzir significativamente a quantidade de espermatozoides, chegando a provocar sua ausência no sêmen. Compreender a influência desses hábitos é importante para identificar possíveis riscos à fertilidade.
A exposição a substâncias químicas também pode afetar a fertilidade, a depender do agente, da dose e do tempo de contato. Pesticidas, metais pesados, solventes e compostos industriais estão entre os elementos investigados por seus possíveis efeitos sobre a regulação hormonal e a produção de espermatozoides. Trabalhadores expostos a esses agentes devem adotar medidas de proteção.
Além disso, determinados medicamentos, como alguns quimioterápicos, podem comprometer temporária ou permanentemente a função reprodutiva. Por isso, homens que planejam ter filhos devem conversar com o médico sobre os medicamentos e as substâncias que utilizam, especialmente antes de tratamentos potencialmente prejudiciais à fertilidade.
Entre as condições clínicas que merecem atenção está a varicocele, caracterizada pela dilatação das veias que drenam o sangue dos testículos. Ela pode estar associada a alterações na qualidade do sêmen, embora nem sempre provoque sintomas ou dificuldades para ter filhos. Quando presentes, os sinais podem incluir dor ou sensação de peso nos testículos. O diagnóstico depende de avaliação médica, e a necessidade de tratamento varia conforme cada caso.
A investigação também pode ser adiada por barreiras culturais. A associação entre fertilidade, virilidade e desempenho sexual, somada à crença de que a infertilidade é uma questão exclusivamente feminina, afasta alguns homens dos consultórios. No entanto, desejo sexual, ereção e ejaculação normais não garantem que a produção ou a qualidade dos espermatozoides esteja adequada.
“A infertilidade masculina precisa ser tratada sem preconceitos. Procurar ajuda é uma atitude de cuidado com a própria saúde e com o planejamento familiar, não uma questão de masculinidade”, ressalta o especialista.

Em geral, recomenda-se investigar a infertilidade quando a gravidez não acontece após 12 meses de relações sexuais regulares sem contracepção. A avaliação pode começar antes quando há fatores de risco, alterações testiculares, histórico de doenças ou cirurgias reprodutivas e tratamentos que possam comprometer a fertilidade. O processo pode incluir análise clínica, espermograma e, conforme os achados, exames hormonais, genéticos ou de imagem.
As possibilidades de tratamento dependem da causa identificada e das condições reprodutivas de ambos os parceiros. As abordagens incluem mudanças de hábitos, controle de doenças, revisão de medicamentos, procedimentos cirúrgicos e técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV), que pode ser associada à injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI) em situações específicas.
Quando não há espermatozoides no sêmen, a investigação busca diferenciar obstruções dos canais reprodutivos de alterações na produção. Em casos selecionados, é possível recuperar espermatozoides por procedimentos específicos para uso em tratamentos de reprodução assistida.
“Como as causas da infertilidade masculina são diversas, o tratamento deve ser definido a partir de uma avaliação individualizada. Identificar a origem da alteração permite escolher a abordagem mais adequada e orientar o casal sobre as possibilidades disponíveis”, conclui Agnaldo.
Sobre o IVI – RMANJ
IVI nasceu em 1990 como a primeira instituição médica na Espanha especializada inteiramente em reprodução humana. Atualmente são em torno de 190 clínicas em 15 países e 7 centros de pesquisa em todo o mundo, sendo líder em Medicina Reprodutiva e o maior grupo de reprodução humana do mundo.
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