5 de November de 2026
Ações de empresa sobem 787% na estreia na bolsa e tornam ex-professora e irmã bilionárias
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Uma decisão tomada há mais de quatro décadas transformou dois professores de Zhongshan em bilionários de papel. Mai Michael e sua irmã, Mai Huixia, viram suas fortunas disparar depois que as ações da Crown New Materials subiram 787% na estreia na bolsa de Shenzhen.

Mai Michael, de 62 anos, cidadão australiano e residente permanente de Hong Kong, tem uma fortuna estimada em US$ 2,5 bilhões, formada por sua participação acionária, segundo cálculos da Forbes. Sua irmã, Mai Huixia, de 64 anos, cidadã chinesa e vice-presidente da companhia, acumulou uma fortuna de US$ 2 bilhões pela mesma via.

Do magistério ao império industrial

Empresa fundada pelas irmãs. Foto: Divulgação/Crown New Materials

Em 1985, Mai Michael entrou no ramo de materiais industriais, depois de deixar a profissão de professor de escola primária em Zhongshan, na província costeira de Guangdong. Ele trabalhou em diversas fábricas locais, incluindo uma produtora de fitas adesivas, até 2000.

Em 2000, Mai Michael e sua irmã fundaram a Crown New Materials. A empresa, que permanece sob controle familiar, produz materiais adesivos e películas protetoras para as indústrias automotiva e eletrônica e para a fabricação de semicondutores. Uma das filhas de Mai Michael, Mai Christal, também cidadã australiana e residente permanente de Hong Kong, integra o conselho administrativo.

A explosão dos números em Shenzhen

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A Crown New Materials arrecadou 956 milhões de yuan (cerca de US$ 144 milhões) no final de outubro ao vender 56,3 milhões de ações a 16,98 yuan cada, conforme comunicado à bolsa.

O entusiasmo dos investidores chineses pelas ações estreantes foi tão intenso que a bolsa de Shenzhen interrompeu negociações duas vezes para conter a disparada dos papéis.

Shen Meng, diretor-gerente do banco de investimentos Chanson & Co., atribui a alta à preferência dos investidores chineses por ações recém-listadas. Segundo ele, ofertas públicas iniciais na China costumam ser precificadas de forma conservadora para permitir esse tipo de ganho posterior. A própria Crown New Materials divulgou um aviso pedindo cautela e racionalidade aos investidores.

Desempenho operacional em contração

A receita da companhia cresceu 12% ante o mesmo período do ano anterior, para 2,8 bilhões de yuan nos primeiros nove meses de 2026. O lucro líquido, porém, recuou 7,9%, para 225 milhões de yuan. No prospecto, a empresa atribuiu a queda das margens ao aumento dos custos de matérias-primas e às tensões comerciais globais.

A companhia informou aos investidores que planeja usar os recursos obtidos com a oferta para expandir a produção e construir um centro de pesquisa na China. No mercado global, a Crown New Materials compete com gigantes como a americana 3M e a japonesa Nitto Denko.

No mercado chinês, enfrenta rivais como a Jiangsu Sidike New Materials Science and Technology, listada em Shenzhen, e a Smith Adhesive New Material, negociada em Xangai.

Pontos-chave
Pontos-chave da matéria
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A Crown New Materials estreou em Shenzhen e suas ações subiram 787% na estreia, tornando duas irmãs bilionárias no papel.
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Mai Michael e Mai Huixia, fundadores e controladores familiares da empresa, viram suas fortunas estimadas em US$ 2,5 bilhões e US$ 2 bilhões.
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A empresa produz materiais adesivos e películas protetoras para setores automotivo, eletrônico e semicondutores e tem membro da família no conselho.
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A oferta levantou 956 milhões de yuan ao vender 56,3 milhões de ações a 16,98 yuan cada, e a bolsa interrompeu negociações duas vezes.
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Nos primeiros nove meses de 2026, a receita cresceu 12% para 2,8 bilhões de yuan, mas o lucro líquido caiu 7,9% para 225 milhões de yuan.
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A empresa atribuiu a queda das margens a aumento de custos de matérias-primas e tensões comerciais globais e planeja usar recursos para expandir produção e construir centro de pesquisa.

Por que as ações estreantes disparam tanto na China

As ofertas públicas iniciais na China funcionam de forma diferente de outros mercados. As empresas precificam suas ações de forma deliberadamente conservadora, ou seja, abaixo do que acreditam ser o valor real, justamente para criar espaço para uma disparada posterior. Isso é uma estratégia conhecida e aceita no mercado chinês.

Quando os investidores chineses veem uma ação nova disponível, eles têm uma preferência notória por entrar nela imediatamente, esperando aproveitar esse ganho inicial. Essa demanda intensa cria o efeito de bola de neve: quanto mais gente compra, mais o preço sobe, atraindo mais compradores ainda.

No caso da Crown New Materials, o entusiasmo foi tão grande que a bolsa precisou parar as negociações duas vezes só para conseguir conter a alta das ações.

Quando o desempenho da empresa não acompanha o preço das ações

Apesar da euforia no mercado, os números operacionais da Crown New Materials mostram um quadro diferente. A receita cresceu 12% em relação ao ano anterior, um ritmo moderado. O lucro líquido caiu 7,9% no mesmo período, indicando que a empresa passou a ganhar menos com cada venda.

Isso cria um cenário onde a explosão das ações não reflete necessariamente a saúde do negócio. A empresa atribuiu a queda nos lucros a custos maiores de matérias-primas e tensões comerciais globais.

Quando a realidade operacional diverge tanto da euforia do mercado, a tendência é que mais cedo ou mais tarde o preço das ações se corrija para baixo, transformando o “papel bilionário” em perdas reais para quem entrou na alta.