26 de September de 2026
Aumenta o consumo de ultraprocessados
Foto: FAÍSCA CRIATIVA/Pexels

O risco de câncer sobe 4% para cada 100 gramas a mais de alimentos ultraprocessados ingeridos diariamente, de acordo com uma revisão de estudos publicada na revista Family Medicine and Community Health.

Com financiamento da Fundação Nacional de Ciências Naturais da China e publicação pelo grupo British Medical Journal, a pesquisa juntou informações de 8.819.894 adultos de diferentes continentes. 

Dados do estudo

Entre os participantes, quem consumia mais ultraprocessados, o risco de câncer foi 12% mais alto, o de eventos cardiovasculares subiu 24% e o de síndrome metabólica ou diabetes também cresceu 24%.

O risco de morte por qualquer causa aumentou 18%, enquanto os riscos de doenças digestivas (31%), depressão ou ansiedade (27%), obesidade ou sobrepeso (23%) e pressão alta (11%) também cresceram.

Como a quantidade impacta os riscos

Para cada 100 gramas adicionais ingeridos diariamente, o risco de eventos cardiovasculares sobe 14%, enquanto morte por qualquer causa cresce 3% e síndrome metabólica ou diabetes aumenta 2%. 

Estudos anteriores estimaram que ultraprocessados foram responsáveis por pelo menos um quarto das mortes por doenças cardiovasculares no Canadá em um ano. Uma redução de 50% no consumo desses produtos poderia ter evitado dezenas de milhares de casos.

Foto: Matheus Bertelli/Pexels

O que torna esses produtos tão nocivos

Esses alimentos passam por múltiplas etapas de processamento industrial, contêm diferentes aditivos e têm altos níveis de açúcar e sódio, e também são pobres em fibras, proteínas, vitaminas e minerais.

O endocrinologista Márcio Mancini, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Regional São Paulo (Sbem-SP), explica que esses produtos costumam concentrar gorduras prejudiciais à saúde, com destaque para as saturadas e trans.

Neles, pouco ou nenhum alimento permanece em sua forma integral, o que os torna pobres em fibras alimentares, compostos bioativos e micronutrientes.

Aumento global do consumo em poucos anos

O consumo desses produtos cresceu nas últimas décadas em várias regiões. Nos Estados Unidos, a parcela da energia ingerida por adultos proveniente de ultraprocessados representava 53,5% em 2001, subiu para 57% em 2018 e caiu para 53% entre 2021 e 2023. 

Na Espanha, essa participação saltou de 11% para 31,7% ao longo de três décadas. No México e no Brasil, a participação cresceu de aproximadamente 10% para 23%, enquanto na China subiu de 3,5% para 10,4%. 

Apesar dessa expansão global, os pesquisadores fazem uma ressalva: os dados indicam uma relação estatística entre o consumo desses produtos e as doenças analisadas, mas não permitem afirmar que os ultraprocessados sejam a causa direta desses problemas de saúde.